Matéria publicada no Público.es.
Precisa dizer alguma coisa? Melhor explicar, porque senão daqui a pouco vem alguém dizer que eu só estou pegando no pé da Igreja novamente. Se bem que, tem gente que você pode provar e comprovar todo tipo de safadeza feita por padres, pastores, religiosos, etc… eles sempre arranjam uma maneira de “justificar” os ataques. Se não for através de alguma desculpa esfarrapada, vai ser através do velho discurso de “culpar a vítima”!
Lamentável!!!

Quinhentas crianças belgas violentadas por padres!
por Daniel Basteiro / A tradução livre é minha
Um comunicado revela que 13 das vítimas se suicidaram. Todos os crimes ainda estão impunes.
Não foram casos isolados. Tampouco foi uma campanha de desprestígio na Bélgica contra a Igreja católica – que, além de tudo, estava ciente de tudo. A comissão de investigação nomeada pelos bispos belgas para aliviar o sofrimento das vitimas de abusos sexuais por parte de sacerdotes apresentou ontem algumas conclusões que sacudiram o país. Um total de 507 casos de abusos foram documentados através de testemunhos voluntários e em primeira pessoa que relatam extensamente “sexo anal, oral, vaginal e outras barbaridades” entre as décadas de 1960 e 1980, segundo o informe da comissão (pdf em língua extrangeira), dirigida pelo psiquiatra Peter Adriaenssens.
Para 13 das vitimas, o sofrimento se transformou em suicídio. Outros seis em tentativa. A maioria dos “sobreviventes”, como os chama Adriaenssens, carrega ainda com as consequências de crimes que ficarão sem castigo, já que os delitos prescreveram e a metade dos culpados já morreram.
O perfil dos abusados era de meninos entre 10 e 15 anos, mas também aparecem umas cem meninas – que costumavam sofrer os abusos mais velhas – e vítimas de somente dois anos. Quase sempre, os abusos aconteciam em internatos ou nas residências dos religiosos. As crianças não contavam aos seus pais “por causa do enorme poder dos sacerdotes e da liberdade que eles tinham”.
O estopim das denuncias
Os casos recolhidos pela comissão se multiplicaram em apenas dois meses, de abril a junho deste ano. A metade das denúncias foram recebidas em de abril, quando o bispo de Brujas, Roger Vangheluwe, foi deposto depois de reconhecer que havia abusado de seu sobrinho.
“Não era uma criança, tinha 17 anos quando os abusos começaram”, lembra uma das denunciadoras. “Confiei nele e não percebi a aproximação. As carícias se transformaram no ato sexual no dia 30 de junho”, relata. “Ele me dizia que era melhor aprender de forma doce com ele. Às vezes eu deixava ele fazer, outras vezes não. Então ele se aborrecia”, assegura.
“Quatro anos na psicoterapia me ensinaram que tudo aquilo que calamos, nos mata. Tive enormes depressões e uma tentativa de suicídio . Há três semanas me pergunto o mesmo: ‘Tenho direito a reclamar…?’. Não peço nada. Quero simplesmente que todos saibam”, conta outro testemunho.
Para Adriaenssens, estes casos são só um aperitivo. Os trabalhos de seu grupo de especialistas foram interrompidos quando a justiça belga requisitou em junho todo seu material, que inclui centenas de endereços, nomes e sobrenomes. Efetivamente, os testemunhos são muitas vezes incompletos, restringem-se ao norte do país, aonde apareceu a polêmica do bispo de Brujas, e somente relatam abusos produzidos há mais de 20 anos. “Todas as escolas, principalmente os internatos, souberam dos abusos em algum momento, todas as arquidioceses tiveram que lidar com este problema”, complementa.
Os bispos, escandalizados
A publicação do comunicado escandalizou aos próprios bispos, que na maioria dos casos se desvinculam dos acontecimentos por sua cronologia. Ao mesmo tempo que exigem transparência e a atuação da Justiça. Mesmo assim, os testemunhos das vítimas confirmam que, ante os abusos revelados, os bispos responsáveis olharam para outro lado.
“Consultei “X” e ele me aconselhou a falar com o bispo. ‘Tenho um problema com um de seus sacerdotes’. Respondeu: ‘Não olhe mais para ele e ele te deixará tranquila’. Não tive nem espaço para explicar meu problema”, relata uma vítima no comunicado, carregados de “X” que ocultam os nomes dos sacerdotes que nunca pagarão por seus pecados”.







