Falar sobre a obra de Lars von Trier não é tarefa fácil. Todo mundo já meteu o bedelho em suas obras e em sua vida pessoal. Não se pode dizer que ele também não facilite as coisas. Volta e meia envolvido em alguma polêmica, foi um dos criadores do movimento Dogma’95 , embora tenha feito somente um título a partir de sua própria idéia, e é um crítico assíduo do american way of life.
Mas, deixando de lado suas declarações bombásticas, vamos nos ater à apenas três de seus filmes, o que já faz valer a pena ouvir um monte de bobagens, só para podermos assistí-los:
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Os Idiotas (Idioterne, 1998)
Cru! Cruel! São duas palavras para esta realização bizarra do cineasta. O filme parece querer fugir, a todo momento, de classificações. A história fala sobre um grupo de pessoas que por não concordar com os sistemas estabelecidos cria um modo alternativo de comunidade que se passa por “idiotas” quando junto aos demais. Só que a obviedade, como sempre, passa longe do olhar do diretor e todos somos julgados durante a película. O filme inclui cenas de sexo explícito e foi filmado de acordo com a orientação do movimento Dogma. O elenco de atores desconhecidos dinamarqueses acaba por nos dar uma idéia ainda mais forte, visto que a imersão na realidade parece ser total. Muito bom! Indicado à Palma de Ouro em Cannes / 98.
Em 2003 o diretor já era famoso e podia contar com uma estrela de prestígio para se aventurar em seus filmes. Nicole Kidman não continuou a dobradinha para completar a trilogia (um dos pontos fracos de Manderlay – o segundo da série), mas em Dogville ela reina absoluta em meio ao cenário praticamente vazio e estilizado. Uma história dura sobre os mecanismos do poder e da vingança que retrata a sociedade estadunidense com maestria e sem nenhuma piedade. Aliás, piedade é o que não vai encontrar, nem na vila e nem no filme. Uma fábula contada de maneira irônica que vai nos deixando completamente estáticos, sem saber como reagir. De uma certa forma, uma metáfora do nosso mundo, narrada de forma brilhante. Os aspectos visuais, embora tenham chamado muito a atenção na época do lançamento, não são as únicas qualidades do filme. ÿtimo! O elenco ainda conta com Paul Bettany, Lauren Bacall, James Caan, entre outros com excelentes atuações.
Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000)
Um musical como você nunca viu. Filmado como os grandes musicais de Hollywood, mas com os códigos todos trocados. Enquanto no cinemão americano tudo é festa e alegria, neste aqui o diretor cria imagens magníficas para uma história dura e uma tragédia irreversível. Então quando as músicas e as coreografias aparecem na tela a gente, do lado de cá, fica pensando: que dor!!! Bjork brilha durante todo o filme praticamente sem nenhum excesso (não devemos esquecer que é seu único filme!). A história da mulher que está ficando cega e economiza dinheiro para pagar a cirurgia do filho, para impedir que ele fique cego também, é devastadora. Não vou descrever mais para não estragar a surpresa daqueles que ainda não assistiram ao filme, mas a cena final, com os 107 passos que separam a protagonista do final do filme, é inesquecível. Imperdível! Ganhou a Palma de Ouro de Melhor Filme em Cannes e o prêmio de Melhor Atriz. Ainda conta com Catherine Deneuve e um elenco impecável.
Não são indicações fáceis, eu sei! Mas se você tiver boa vontade, tenho certeza que vai se identificar com os questionamentos expostos por esse dinamarquês. Uma outra cultura, mas que reflete muitos dos nossos conflitos.
DogVille
Clube da Luta
Número 23
O Segredo de NeverWas



Minha adorável lavanderia, de Stephen Frears
Notícia que eu lí hoje no
É muito engraçado ler “crítica”! Seja de teatro, cinema ou qualquer outra manifestação artística. Na verdade é engraçado ler os textos escritos pelas pessoas e perceber que, no fundo, só o que podemos fazer é “nos mostrarmos”… deixar transparecer, através dos textos, nossos gostos e nossa visão do mundo.
Que ótimo pode ver o filme sem nenhuma pretensão e/ou expectativa, porque Juno é exatamente isso: um filme despretensioso! Estruturado com muita simplicidade e honestidade, foge de todas as armadilhas que o tema ou a moral americana poderia impor.
