O temporal que caiu em Florianópolis na sexta-feira não era um bom presságio para os organizadores da Parada da Diversidade, mas no sábado pela manhã o clima amanheceu limpo e as coisas pareciam ter entrado nos eixos. No meio da tarde o sol reinava absoluto no céu e as expectativas eram melhores ainda. Assim que, marcada para as 17h e com pouquíssimo atraso a banda de música da PM tocou o hino nacional para marcar oficialmente o início.

Bom, quase… a banda foi anunciada, mas o que a gente ouviu antes do hino, foi uma drag pedindo pra desligar o microfone da outra! Isso foi um grande problema? Claro que não… mas ilustra, de certa forma, o clima de “amadorismo” presente neste ano.

Enquanto algumas cidades estão repensando o formato mais adequado para realizar esta explosão de visibilidade que as paradas representam, Floripa ainda luta para tentar realizar o evento de forma decente. Se compararmos a parada deste ano com sua edição anterior veremos que houve certo retrocesso na quantidade de público e também no discurso utilizado.

Em relação ao público o que mais pesou foi a expectativa da chuva. Muita gente acabou optando não comparecer (ou não aproveitar o feriadão para vir para a cidade) e ter um ciclone como companhia. E quando a chuva compareceu, a dispersão acabou ocorrendo, o que tirou um pouco do brilho da festa. Se tivesse começado uma hora antes já obteria um melhor resultado. Outra questão foi a época do ano (poxa, aqui no sul já é início de inverno, amigos!).

Sobre o discurso, mesmo levando-se em conta que estamos em ano eleitoral, foi meio difícil engolir “Nós Também Votamos”. Tudo bem que os políticos não respeitam as condições de igualdade em relação às minorias, mas não deixa de soar um pouco “chantagista”. Comparando com “Amar é Direito de Todos” do ano passado, podemos notar certo retrocesso no pensamento de diversidade. Enquanto um iguala, o outro segrega.

Assim como “Amar” é de todos, a Av. Beira Mar Norte também o é! Gritar palavras de ordem durante boa parte do trajeto vai de encontro novamente a criação de uma disputa de territórios. Só serve para reacender a polêmica (claramente preconceituosa!) levantada por setores da sociedade no ano passado. Esses momentos de exposição devem servir para criar um clima de aprendizado e aumento de consciência pela população (seja ela hetero, gay, bi, pan, etc!!!) e não de enfrentamento.

De qualquer forma é uma tarefa de Hércules realizar um evento que, por sua própria natureza, gera tamanha exposição e questionamentos. As entidades envolvidas estão de parabéns pela realização. Que venha a quarta edição e que cada dia mais possamos viver sob o espírito da DIVERSIDADE!

Filed under: Pensando! | Tags: , , , , | Max Reinert | May 4, 2008 Comments (1)

Tradução de trechos do texto homônimo de Albert Rivera (Presidente do Partido da Cidadania – CIUDADANOS – Espanha). Publicado inicialmente na Revista Shangay Express, que é distribuída gratuitamente nos estabelecimentos GLBTT de Barcelona.

 

“Ninguém nasce homofóbico! A homofobia se adquire, como todos os outros preconceitos sociais (racismo, sexismo, xenofobia, etc), através da cultura. A homofobia tem origem psicológica. Como outros tipos de medo humanos, o mais forte entre eles o medo da própria morte, tem sido historicamente aproveitado, dirigido e utilizado pelas diversas formas organizadas de poder. O preconceito é o mecanismo psicológico de defesa coletivo ou individual contra grupos ou pessoas sobre as quais se projetam os nossos próprios medos, a quem percebemos como uma ameaça social ou pessoal. A luta do ser humano por conseguir seu equilíbrio emocional e sua coesão social, determinou ao longo do tempo, a fixação de uma moral coletiva conveniente para garantir a ordem e para sinalizar o que é imoral, perverso, o que subverte. Este medo profundo da desintegração social é o que o Poder se utilizou para conseguir manter seus abusos e privilégios. Advertindo que toda diferença é uma ameaça e qualquer diversidade é um perigo, instituindo a si mesmo como a garantia da ordem, que estabelece mediante a eliminação de todo comportamento social  ou individual que impeça ou ameace a homogeneização da sociedade.

A homofobia, como todo preconceito, é irracional. Suas raízes psicológicas estão ancoradas na negação do “outro”, da diferença,  causando um medo angustiado a tudo que possa modificar o equilíbrio individual e a coesão social.  (…)

Naturalmente, há muito por fazer na luta pela eliminação da homofobia, tanto na Espanha como no resto do mundo. O medo é a arma dos totalitarismos de qualquer espécie e sua força reside na manutenção a todo custo dos preconceitos sociais. A sociedade civil deve saber mobilizar-se com o propósito de lutar contra outros preconceitos que impedem a liberdade e a emancipação do ser humano: o tribalismo e a xenofobia que sustentam os nacionalismos, igualmente causas de discriminação, degradação, violência, racismo, genocídio, assassinato, perseguição e, em ultima instância, das guerras. (…)

A homofobia social, a que é sofrida ou exercida no âmbito da sua comunidade, família ou trabalho, é difícil de desarraigar e o trabalho feito pelo Movimiento Gay de Liberación, especialmente na Espanha, é admirável e já está dando seus primeiros frutos. Por exemplo, a concessão do direito ao matrimônio e o impulso à criação de leis específicas contra a homofobia. No âmbito da educação ainda resta muito que fazer e impulsiono aqui ao Movimiento a seguir lutando para incluir nos planos educacionais a compreensão da diversidade emotiva e da homossexualidade. (…)

O artigo 14 da Constituição Espanhola, que assume o artigo 2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, obriga aos poderes públicos a erradicar da legislação toda lei que seja causadora das terríveis conseqüências dos preconceitos sociais. Nesta luta estou absolutamente comprometido e espero que cada vez mais sejamos mais os que sintamos a necessidade de por-se em ação. “

Filed under: Pensando! | Tags: , , , , | Max Reinert | March 11, 2008 Comments (1)

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