Casamento Gay com direito à cerimônia e beijo!O canal de TV aberta TeleCinco exibiu em fevereiro um casamento gay dentro da sua programação. O babado rolou na série “Yo Soy Bea” que é uma versão espanhola de “Betty – A Feia”. Atenção: a série é exibida às 17h! E nem por isso houve tumulto ou esses imensos diz-que-me-diz como acontece no Brasil cada vez que se “ameaça” colocar um beijo entre dois homens na TV!

Neste mesmo período a Telecinco colocou no ar (no hotsite da série) algumas reportagens falando de casamentos reais que aconteceram no país (leia aqui, aqui e aqui).

A Espanha foi o quarto país a reconhecer o matrimônio homossexual, depois de Holanda, Bélgica e Canadá. Graças às modificações no Código Civil, se permite o matrimônio de pessoas do mesmo sexo e se tem os mesmos direitos das uniões heterossexuais: adoção, herança e pensão.

Filed under: Visibilidade! | Tags: , , , , | Max Reinert | March 12, 2008 Comments (1)

Tradução de trechos do texto homônimo de Albert Rivera (Presidente do Partido da Cidadania – CIUDADANOS – Espanha). Publicado inicialmente na Revista Shangay Express, que é distribuída gratuitamente nos estabelecimentos GLBTT de Barcelona.

 

“Ninguém nasce homofóbico! A homofobia se adquire, como todos os outros preconceitos sociais (racismo, sexismo, xenofobia, etc), através da cultura. A homofobia tem origem psicológica. Como outros tipos de medo humanos, o mais forte entre eles o medo da própria morte, tem sido historicamente aproveitado, dirigido e utilizado pelas diversas formas organizadas de poder. O preconceito é o mecanismo psicológico de defesa coletivo ou individual contra grupos ou pessoas sobre as quais se projetam os nossos próprios medos, a quem percebemos como uma ameaça social ou pessoal. A luta do ser humano por conseguir seu equilíbrio emocional e sua coesão social, determinou ao longo do tempo, a fixação de uma moral coletiva conveniente para garantir a ordem e para sinalizar o que é imoral, perverso, o que subverte. Este medo profundo da desintegração social é o que o Poder se utilizou para conseguir manter seus abusos e privilégios. Advertindo que toda diferença é uma ameaça e qualquer diversidade é um perigo, instituindo a si mesmo como a garantia da ordem, que estabelece mediante a eliminação de todo comportamento social  ou individual que impeça ou ameace a homogeneização da sociedade.

A homofobia, como todo preconceito, é irracional. Suas raízes psicológicas estão ancoradas na negação do “outro”, da diferença,  causando um medo angustiado a tudo que possa modificar o equilíbrio individual e a coesão social.  (…)

Naturalmente, há muito por fazer na luta pela eliminação da homofobia, tanto na Espanha como no resto do mundo. O medo é a arma dos totalitarismos de qualquer espécie e sua força reside na manutenção a todo custo dos preconceitos sociais. A sociedade civil deve saber mobilizar-se com o propósito de lutar contra outros preconceitos que impedem a liberdade e a emancipação do ser humano: o tribalismo e a xenofobia que sustentam os nacionalismos, igualmente causas de discriminação, degradação, violência, racismo, genocídio, assassinato, perseguição e, em ultima instância, das guerras. (…)

A homofobia social, a que é sofrida ou exercida no âmbito da sua comunidade, família ou trabalho, é difícil de desarraigar e o trabalho feito pelo Movimiento Gay de Liberación, especialmente na Espanha, é admirável e já está dando seus primeiros frutos. Por exemplo, a concessão do direito ao matrimônio e o impulso à criação de leis específicas contra a homofobia. No âmbito da educação ainda resta muito que fazer e impulsiono aqui ao Movimiento a seguir lutando para incluir nos planos educacionais a compreensão da diversidade emotiva e da homossexualidade. (…)

O artigo 14 da Constituição Espanhola, que assume o artigo 2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, obriga aos poderes públicos a erradicar da legislação toda lei que seja causadora das terríveis conseqüências dos preconceitos sociais. Nesta luta estou absolutamente comprometido e espero que cada vez mais sejamos mais os que sintamos a necessidade de por-se em ação. “

Filed under: Pensando! | Tags: , , , , | Max Reinert | March 11, 2008 Comments (1)

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