Repasso abaixo o texto publicado na página do Dep. Jean Willys sobre a polêmica, homofóbica e retardada declaração de um jornalista em Joinville sobre o beijo gay na campanha política local.

O candidato Leonel Camasão, cujo vídeo de campanha causou reação de jornalista catarinense

Ele usou esses poucos segundos, também, para levar à televisão o que a própria televisão, por falta de coragem, invisibiliza: o afeto entre iguais. Quem ainda é ou já foi um menino, menina, ou adolescente LGBT sabe muito bem o que significa viver num mundo que te trata como invisível. Heterossexuais existem nos desenhos animados, na novela, no cinema, nos seriados, nas músicas, na publicidade, nas histórias que são contadas pelos pais, pelos professores, e até nos exemplos de orações, para analisar sintaticamente nas aulas de português. Há uma fase na vida de toda criança LGBT em que ela acha que é a única do mundo. A família, os amigos, e os colegas também vivem nesse mundo em que nós somos invisíveis. Como poderiam nos entender?

A política deve cumprir essa função pedagógica. O que Leonel Camasão (Orgulho de você, companheiro!) disse para os habitantes de Joinville foi: Eu vou governar para todos e todas, não vou invisibilizar, esconder ou me esquecer de nenhum de vocês. E ele disse, ao mesmo tempo: Eu não me envergonho de dizer que vou governar, também, para a população LGBT da minha cidade. E mais: ele se posicionou claramente, num contexto político de crescimento ameaçador do fundamentalismo religioso na política, do lado daqueles que defendem o Estado laico, a liberdade e a igualdade. O PSOL é isso: um partido que tem lado e que não tem vergonha de mostrá-lo.

Leonel fez tudo isso através de uma imagem de alto conteúdo simbólico, numa campanha que, de modo geral, cansa, de tão vazia: “Eu sou fulano, 235443, vote em mim”; “Eu sou fulano, filho de sicrano, 235443, vote em mim”; “Eu sou fulano, o candidato de Mengano, 235443, vote em mim”. Leonel tem poucos segundos, mas decidiu preenchê-los de conteúdo. Não vote em mim porque eu sou fulano, filho de sicrano, apoiado por mengano. Vote em mim porque eu defendo estas ideias e valores.

Essa atitude corajosa, porém, foi recebida com gravíssimos insultos numa incrível coluna assinada por João Francisco da Silva, editor-chefe do Jornal da Cidade.

“Nojento aquele beijo gay exibido no programa eleitoral do Leonel Camasão, do PSOL. Tão asqueroso quanto alguém defecar em público ou assoar o nariz à mesa. Gostaria de saber qual a necessidade de exibir suas preferências sexuais em público? Para mim isso é tara, psicopatia. No mínimo falta de decoro. E a “figura” quer ser prefeito e se diz jornalista”, escreveu Da Silva.

Não vou responder às baixarias, que só qualificam seu autor. Apenas quero apontar para o fato de que chamar um beijo de “nojento”, comparar um ato de amor com “defecar em público” é algo que somente uma pessoa gravemente doente ou perversamente má poderia fazer. Mas, por trás da grosseria, do mal gosto e da falta de eduçação do jornalista, há um pano de fundo que acho, sim, importante analisar: a ideia de que gays e lésbicas deveríamos voltar aos armários, viver escondidos e nos envergonharmos dos nós mesmos. O racismo que volta vestido com outras roupagens, mas não deixa de ser racismo.

“Qual é a necessidade de exibir suas preferências sexuais em público?”, pergunta-se o jornalista.

Ora, a resposta é óbvia e qualquer pessoa deveria ser capaz de respondê-la: é a mesma necessidade que todo o mundo tem!Heterossexuais se beijam na rua, no cinema, no restaurante, na boate, em todos os lugares que quiserem. Andam de mãos dadas, tiram as férias juntos e se hospedam no mesmo quarto, apresentam seus parceiros ou parceiras aos colegas de trabalho, à família, aos amigos, aos vizinhos, mudam o status de “solteiro” para “em um relacionamento sério” ou “casado” no Facebook, são representados na novela e nos filmes — e neles tem beijos, tem cenas sensuais, tem sexo, tem brigas de casal, tem reconciliações, tem infidelidades, tem amor à primeira vista, tem ciúmes, tem paixão. Heterossexuais namoram até nos contos infantis.

Qual é a necessidade dos heterossexuais de exibir suas preferências sexuais em público? A mesma que a de todo o mundo! O problema está na maneira em que algumas pessoas ignorantes, preconceituosas e doentes de ódio nos enxergam. É a mesma maneira em que os racistas enxergam os negros. É a mesma maneira em que os antissemitas enxergam os judeus. E assim que os João Francisco da Silva da vida nos veem. E é através desse prisma embaçado, sujo, que a visão deles se distorce, e quando eles veem um beijo não conseguem ver um beijo, mas alguma outra coisa que está, apenas, na mente deles.

Quando duas mulheres que se amam se beijam, quando um homem e uma mulher que se amam se beijam, quando doishomens que se amam se beijam, é sempre um beijo. Um beijo é sempre um beijo! E quando dois homens andam de mãos dadas, quando duas mulheres almoçam juntas em um restaurante, quando um gay apresenta seu namorado para os amigos, quando uma lésbica tira férias com a namorada dela, quando um casal do mesmo sexo vai ao cinema e se beija durante o filme, eles não estão “se exibindo”. Eles  estão, apenas, vivendo suas vidas. Como todo o mundo.

Como disse a cantora — e minha grande amiga — Zélia Duncan, em depoimento gravado para a campanha pelo casamento civil igualitário no Brasil: “Qualquer argumento contra o amor é um argumento vazio. É preconceito. E o preconceito é filho da ignorância e irmão da violência”.

Veja abaixo o vídeo que motivou o comentário do jornalista:

Assine a petição pública em repúdio do jornal catarinense: http://www.peticoesonline.com/peticao/nota-de-repudio-ao-jornal-da-cidade-joinville/718

Filed under: Indicando!,Visibilidade! | MaxReinert | September 6, 2012 Comments (0)

A campanha pelo casamento igualitário no Brasil, capitaneada pelo deputado Jean Willys, continua a todo vapor. Semanalmente, artistas e ativistas têm demonstrado através de textos, declarações e vídeos seu apoio à campanha que pede – nada mais, nada menos – que tenhamos todos “direitos iguais“.

Seguindo a cartilha dos ativistas estadonidenses (é assim que escreve, gente?) a campanha angariou o apoio de uma das empresas mais “cools” do mundo e o vídeo do momento é a declaração -bunitinha- dos funcionários do Google Brasil em apoio à causa.

Acho que não é necessário falar mais nada depois desse vídeo, né?  Todos os argumentos estão ali – bem explicadinhos – para quem QUISER entender. Porque, claaaaro que vai ter gente que vai ler tudo, vai ver tudo e no final vai sair com aquelas frases feitas de sempre: Estão querendo casar na igreja, Deus não aceita, etc etc etc, bla bla blá!

Enfim… para quem quiser ler a PEC na íntegra, vá até a página da campanha! Curta e ajude também a divulga-la através do facebook ou ainda, siga Jean Willys no Twitter! Vale a pena!!!

“Meu relacionamento não é um remendo, não é um jeitinho, é uma coisa de verdade. [...]

Filed under: Indicando!,Visibilidade! | MaxReinert | May 31, 2012 Comments (0)

Do Uol Notícias:

A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou nesta quinta-feira (24) projeto de lei que inclui no Código Civil a união estável entre homossexuais e sua futura conversão em casamento. A proposta transforma em lei uma decisão já tomada por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio de 2011, quando reconheceu a união estável de homossexuais como unidade familiar.

A proposta, da senadora Marta Suplicy (PT-SP), ainda terá que passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir a plenário e também terá que ser votada pela Câmara dos Deputados, onde deverá enfrentar muito mais resistência do que no Senado, especialmente por parte da chamada bancada evangélica.

Em seu relatório sobre o PL, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) defendeu a proposta lembrando que o Congresso está atrasado não apenas em relação ao STF, quanto em relação à Receita Federal e ao INSS, que já reconhecem casais do mesmo sexo em suas normas. A senadora lembra, no entanto, que a conversão de união estável em casamento não tem qualquer relação com o casamento religioso.

“O projeto dispõe somente sobre a união estável e o casamento civil, sem qualquer impacto sobre o casamento religioso. Dessa forma, não fere de modo algum a liberdade de organização religiosa nem a de crença de qualquer pessoa, embora garanta, por outro lado, que a fé de uns não se sobreponha à liberdade pessoal de outros”, apontou em seu relatório.

Apesar da decisão do STF, que serve de jurisprudência para as demais esferas judiciais, casais homossexuais têm tido dificuldade em obter na Justiça a conversão, mesmo em cidades grandes como São Paulo e Rio de Janeiro. Vários juízes alegam, apesar da decisão do órgão superior, que não há legislação a respeito. Durante a votação do STF, o então presidente do Tribunal, ministro Cezar Peluso, cobrou do Congresso que “assumisse a tarefa que até agora não se sentiu propensa a fazer” e transformasse a conversão em lei.

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | May 24, 2012 Comments (0)

A Secretaria de Estado da Cultura por meio de sua Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias, junto com as Faculdades Metropolitanas Unidas – FMU promovem o lançamento do livro “Viagem Solitária” de João Nery, no dia 03 de abril, às 19h, na Casa das Rosas, Avenida Paulista, 37.

No dia 04 de abril, às 19h, como continuidade da ação, João Nery realiza uma palestra magna, no Auditório Nelson Carneiro, na FMU, Av. Liberdade, 899, para alunos dos mais variados cursos da Universidade, abordando temas como diversidade sexual, identidade de gênero, direitos LGBT e história do Movimento Homossexual Brasileiro – MHB.

As ações, construídas com a coordenação do Curso de Serviço Social da FMU, contam ainda com a parceria da Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo e da Coordenação Estadual de Política Públicas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo.

João Nery é um homem transexual de 61 anos, psicólogo e autor de “Viagem Solitária”, livro autobiográfico onde narra sua infância triste e confusa, a adolescência conturbada, a perda de seu diploma de psicologia – que deixou de ter validade com a mudança de sexo – as dificuldades jurídicas quanto ao seu novo nome, os quatro casamentos e seu maior orgulho, a paternidade.

João nasceu mulher, mas sentia-se na condição de aprisionado a um corpo estranho, uma sensação que ele reconheceu desde muito cedo. Durante a Ditadura Militar, em 1977, se submeteu à primeira cirurgia de mudança de sexo. Naquela época, as clínicas e os hospitais ainda não estavam liberados para fazer esse tipo de cirurgia e os médicos que se propunham a realizá-las eram considerados mutiladores, a ponto do médico que operou o João chegar a ser indiciado por lesão corporal, devido à outra cirurgia de mudança de sexo que realizou.

A obra é um mergulho profundo na questão do gênero como identidade individual, mostrando as alegrias e tristezas, derrotas e vitórias e principalmente a coragem de quem decide se transformar naquilo que escolheu ser.

Lançamento de “Viagem Solitária”

03 de abril
Horário 19h
Local Casa das Rosas – Av. Paulista, 37
Público alvo: aberto

04 de abril
Horário 19h
Local: Auditório Nelson Carneiro da FMU – Av.Liberdade,899
Público alvo: aberto, com ênfase no corpo discente e docente do complexo FMU

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | April 4, 2012 Comments (0)

Os dois empresários cederam espermatozoides para serem fecundados em óvulos de um banco de doadoras, tiveram uma filha e conseguiram registrá-la

Publicado no Jornal do Comércio Online em 01/03/2012, às 22h17
por Carlos Eduardo Santos
Há 15 anos, quando Mailton Alves Albuquerque, 35 anos, e Wilson Alves Albuquerque, 40, se apaixonaram e começaram uma relação homoafetiva que dura até hoje, não imaginavam provar do sentimento que vivem atualmente. Graças a uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que atualiza as normas relativas à reprodução humana assistida, os empresários se tornaram o primeiro casal de homens do Brasil a ter um filho por meio de fertilização in vitro e registrado pela Justiça.

O fruto dessa união estável – que foi convertida em casamento civil pela Justiça pernambucana no dia 24 de agosto do ano passado – chama-se Maria Tereza e completou um mês de vida na última quarta-feira. Casados e agora com uma filha registrada com o nome dos dois pais, Mailton e Wilson dão um passo importante na consolidação das chamadas novas configurações familiares.

A primeira redação da resolução do CFM que trata da reprodução assistida no País, de 1992, diz que os usuários da técnica devem ser mulheres estando casadas ou em união estável. Já no novo texto, de janeiro do ano passado, não cita o sexo, mas “todas as pessoas capazes”. Diante disso, Mailton e Wilson realizaram o sonho de ter uma família completa e trouxeram a pequena Maria Tereza ao mundo.

Os dois cederam espermatozoides para serem fecundados em óvulos de um banco de doadoras. Como a resolução afirma que o útero de substituição deve ser de um parente de até segundo grau, a prima de um deles aceitou conceber a criança. Terminou sendo introduzido no útero dela um pré-embrião fecundado por material colhido de Mailton. Os pré-embriões fecundados por Wilson estão congelados. O casal pretende dar um irmão ou irmã a Maria Tereza no próximo ano.

“Nossas famílias sempre apoiaram nosso relacionamento. E quando contamos da nossa ideia, todas as mulheres da família se colocaram à disposição para ajudar a realizar nosso sonho: irmãs e primas. Mas terminou sendo uma prima minha. Agora, temos uma família completa”, contou, orgulhoso, Mailton.

Segundo ele, a ideia de ter um filho surgiu em 2010, após viajar ao Canadá para estudar e ficar na casa de um casal homoafetivo que tinha filhos. “Quando voltei, começamos a discutir o assunto e pensávamos em adotar uma criança. Mas um dia, assistindo a um programa de televisão, vi a notícia sobre a mudança na resolução do Conselho Federal de Medicina. Aí, decidimos fazer fertilização in vitro”, relembrou.

A fecundação e introdução no útero ocorreu em uma clínica de reprodução humana do Recife. O vínculo da criança com a prima que emprestou o útero terminou já na maternidade, quando os pais saíram da unidade de saúde com Maria Tereza nos braços. A mulher, que pediu para não ter o nome divulgado, tomou medicamentos para evitar a produção de leite materno.

Hoje, a pequena Maria Tereza – o nome é uma homenagem às mães de Wilson e Mailton – tem um quarto só para ela, com direito a nome na porta, e atenção completa dos dois pais. Para Wilson, a felicidade de ser pai é “inexplicável”. “A felicidade é tremenda. Nunca pensei que fosse sentir um amor tão grande. Ter uma família completa é lindo”, desabafou.

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | March 5, 2012 Comments (0)

Matéria da Revista ACapa:

A edição de fevereiro da revista “Super Interessante” traz uma matéria de quatro páginas sobre filhos de pais gays. A ideia é derrubar os mitos que foram criados em torno das crianças criadas por um casal do mesmo sexo. O mais velho e conhecido deles, é que os pimpolhos também vão acabar gays por conta dos seus pais.

“As pesquisas mostram que a orientação sexual dos pais parece ter muito pouco a ver com com o desenvolvimento da criança ou com as habilidades de ser pai. Filhos de mães lésbicas ou pais gays se desenvolvem da mesma maneira que crianças de pais heterossexuais”, explica Charlotte Patterson, professora de psiquiatria da Universidade da Virginia e uma das principais pesquisadoras sobre o tema há mais de 20 anos, à publicação.

O primeiro mito que a reportagem quebra é o mais velho e conhecido deles, de que os filhos também serão gays. De acordo com a publicação, um estudo da Universidade Cambridge comparou filhos de mães lésbicas com filhos de mães héteros e não encontrou nenhuma diferença significativa entre os dois grupos quanto à identificação como gays. O que o estudo revelou, na verdade, é que filhos de pais gays, por crescerem num ambiente de diversidade, se tornam mais tolerantes com as diferenças.

O segundo ponto que a “Super Interessante” toca é que as crianças precisam de uma figura materna e outra paterna. A revista começa exemplificando com as 183 mil crianças americanas que perderam os pais na Segunda Guerra Mundial, ou seja, não são só os filhos de pais gays, que podem crescer sem um pai ou uma mãe. A tal figura materna ou paterna, pode vir a ser uma tia, ou um primo, em quem a criança irá se identificar inconscientemente. A única diferença no caso é positiva. “Crianças criadas por gays são menos influenciadas por brincadeiras estereotipadas como masculinas ou femininas”, diz Arlene Lev, professora da Universidade de Albany.

Em seguida é a vez de falar sobre os possíveis problemas psicológicos que essas crianças terão por conta do preconceito. O fato é simples, quase todo mundo vai sofrer preconceito na infância, seja por ser gay, pobre, negro, gordo, alto. O bullying não se restringe apenas aos homossexuais, e muito menos aos filhos deles. Alguns estudos comprovam que as crianças sofrem discriminação por conta da sexualidade de seus pais. Mas, pesquisas que comparam filhos de gays com filhos de héteros mostram que os dois grupos apresentam níveis semelhantes de autoestima e depressão.

Por fim, o mito mais pesado. A reportagem fala sobre os riscos que essas crianças correm de sofrerem abusos sexuais. Nenhuma pesquisa até hoje faz ligação da homossexualidade com os abusos sexuais. Três pediatras norte-americanas avaliaram o caso de 269 crianças abusadas sexualmente. Desses, apenas 2 dos criminosos eram homossexuais. A lenda é alimentada por líderes religiosos, que querem mostrar que as crianças correm risco ao serem criadas por pais gays. “Homens homossexuais não tendem a abusar mais sexualmente de crianças do que homens heterossexuais”, diz a Associação de Psiquiatria Americana.

Alguém se habilita a mandar um exemplar da revista para a deputada Miriam Rios?

*Fonte: Revista Super Interessante – edição de fevereiro de 2012 – reportagem de Carol Castro

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | February 24, 2012 Comments (1)

“Três jovens gays cariocas: Giul, Caio e Daniel mostram suas baladas preferidas e contam como enfrentam, em casa e na rua, o preconceito cotidiano contra a sua sexualidade. O filme passeia pelas festas de Copacabana até a noite de Madureira, passando pela Parada do Orgulho de Niterói, onde os três meninos, cada um no seu estilo, contam como a família descobriu sobre sua sexualidade, como é a vida entre os amigos e nas suas comunidades.”

Esta é a sinopse de “Quenda”, o vídeo abaixo, documentário que me foi indicado pelo facebook para conhecer.

Mesmo baseado no dia-a-dia de 03 jovens cariocas (e dá-lhe sotaque carregado), o vídeo é um retrato de uma boa parcela de homossexuais jovens de todo o país, que de uma forma ou de outra, estão às voltas com conflitos com suas famílias e/ou círculo de amizades na busca por encontrar uma identidade singular.

Questões como “aparentar ou não aparentar ser gay” se mesclam e confundem-se com as necessidades de fugir dos estereótipos que o mercado insiste em nos enquadrar. Dessa forma, parece interessante que o personagem mais assumidamente afeminado tenha um gosto musical bastante divergente com o que é oferecido aos homossexuais de todo o país nos clubes LGTB’s, que são praticamente ‘obrigados’ a gostar de música eletrônica. Ou ainda, o passeio por lugares distantes da Zona Sul carioca, onde as fronteiras da cultura LGTB não são tão bem delineadas quanto no resto do país.

Sem nenhuma pretensão de ser um estudo ‘definitivo’ sobre o universo gay carioca, o documentário interessa porque ajuda a suprir a lacuna de produções que nos representem de forma mais interessante que a teledramaturgia nacional.

Direção
ALEXANDRE BORTOLINI E WARLLEM MACHADO

Produção
NAINA DE PAULA

Fotografia
WARLLEM MACHADO E ALVARO OLIVEIRA

Assistentes de Produção
PEDRO FERRAZ, ALVARO OLIVEIRA e GIUL JUNIOR

Montagem
ALEXANDRE BORTOLINI E WARLLEM MACHADO

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | February 17, 2012 Comments (0)

Li a notícia abaixo na Veja Online, por indicação da Sam Shiraishi:

O intérprete de Neal Caffrey em Crimes do Colarinho Branco/White Collar recebeu na noite do último sábado, dia 11 de fevereiro, o New Generation Arts and Activism Award, concedido pelos organizadores do Steve Chase Humanitarian Award, por seu trabalho em campanhas de combate ao vírus HIV. O prêmio foi entregue por Diahann Carroll, atriz e cantora que na série White Collar faz participações especiais interpretando June, amiga de Neil.

Durante seu discurso, Matt Bomer assumiu oficialmente sua homossexualidade ao agradecer sua família, formada por seu parceiro, Simon Halls, também presente, e três filhos, Kit, Walker e Henry.

Bomer, atualmente com 34 anos, sempre evitou fazer declarações neste sentido, apesar dos rumores que corriam pela imprensa.

Segundo o Hollywood Reporter, Halls é Relações Públicas que representa celebridades como o produtor Ryan Murphy e o ator Neil Patrick Harris, bem como a produtora Working Title.

Além de White Collar, Bomer também poderá ser visto em breve em participação na série Glee, na qual interpretará o irmão mais velho de Blaine (Darren Criss).

O mais engraçado nesses outtings de celebridades é que sempre ouvimos aquela famosa frase “Que despedício!”, que eu gosto de responder com uma outra famosa frase “Desperdício pra quem?”… hehehehhe

De qualquer forma, acho importante quando pessoas com notoriedade vem a público assumir sua “condição”. E acho ainda mais importante quando está em jogo uma família. Porque, segundo consta, Matt Bomer e Simon Halls já tem uma relação de bastante tempo e obviamente a questão da educação das crianças começaria a pesar consideravelmente.

Já imaginou ter que explicar para três crianças que ninguém fora do círculo familiar pode saber que seus pais vivem juntos? Ou pior? Levar uma vida de “Papai e seu Amigo” na frente dos filhos? Impossível, né? Bom, pelo menos se você acredita em educar seus filhos com o mínimo de dignidade e verdade.

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | February 13, 2012 Comments (1)

Ótima notícia que eu li aqui ó:

Depois de tantas notícias ruins, vamos falar de coisas boas? Pois é, o Senado do Estado de Washington nos EUA, aprovou o projeto de lei que dá direito ao casamento igualitário para os cidadãos LGBTs, na noite de quarta-feira, dia 01. O projeto foi aprovado com 28 votos a favor, 3 a mais do que o necessário, e 21 contra. Dos 28 votos favoráveis, 4 vieram de republicanos. Já dos 21 votos contrários, 3 foram dados por democratas. Desta forma, Washington passará a ser o sétimo estado americano a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Agora o projeto irá para a Câmara dos Representantes, onde já tem votos suficientes para ser aprovado. Além disso a Governadora, Christine Gregoire, já deu seu apoio a medida.

O senador democrata Ed Murray, que é assumidamente gay, patrocinou o projeto de lei e fez um apelo apaixonado para a sua aprovação. “Procuramos, como todos vós, a possibilidade de viver as nossas vidas, de experimentar a alegria, de cuidar das nossas famílias [...] O casamento é a forma como a sociedade diz que as pessoas constituem uma família”, declarou Murray.

Como não poderia deixar de ser, os Republicanos, como o senador Dan Swecker, não gostaram muito da possível alteração legislativa. Para Swecker “esta legislação criará um ambiente hostil para aqueles que acreditam no casamento tradicional”. Adoraria saber de que forma o casamento entre pessoas do mesmo sexo atrapalharia esse tal de “casamento tradicional”?

A provável aprovação da lei já colocou em campo os opositores da igualdade no casamento. Segundo as leis do estado de Washington eles terão de recolher assinaturas até dia 6 de junho, no entanto, para recolher as assinaturas terão de esperar a lei ser assinada pela governadora.

São necessárias mais de 120.577 assinaturas para que a haja um referendo. Se os opositores não as conseguirem recolher o número de assinaturas suficientes, os casais de gays e lésbicas de Washington poderão, a partir do mês de Junho, dar início ao sonho de legalizar seus relacionamentos.

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | February 7, 2012 Comments (1)

Visto aqui, dessa fonte:

Por Keila Rodrigues e Ádria Azevedo - Redação Pará Diversidade

A madrugada desta segunda-feira (16) foi palco de atos de desrespeito e brutalidade cometidos por policiais civis contra um militante dos direitos LGBT, em Belém. Beto Paes, membro do Grupo Homossexual do Pará (GHP) e coordenador de articulação política do Movimento LGBT do estado, foi humilhado, xingado, espancado e ameaçado quando saía do Bar Refúgio dos Anjos, point GLS mais conhecido como Bar da Ângela, no Bairro do Guamá.

Ao se posicionar para os policiais como um cidadão ciente dos seus direitos, porém sem proferir nenhum tipo de ofensa, Paes foi acusado de desacato à autoridade e levado para a delegacia no camburão da viatura policial, ao invés de no banco traseiro do veículo, mesmo sem oferecer nenhuma resistência à detenção. Durante o trajeto para a delegacia e ao longo do procedimento de registro da ocorrência, Beto foi agredido fisicamente, humilhado verbalmente por ser homossexual, privado de seus direitos a um tratamento digno por parte da autoridade policial e ameaçado pelos membros da corporação que o prenderam, os quais insinuavam que ele sofreria retaliações caso fizesse denúncia. Até mesmo a advogada acionada pela família do militante foi agredida e destratada por um policial visivelmente transtornado. O procedimento do registro foi protelado ao máximo, de modo que a grande imprensa, que havia sido acionada e se dirigido à delegacia, desistiu de esperar, impossibilitando o registro e ampla veiculação deste grave caso de violação dos direitos humanos em Belém.

Abaixo, segue o relato do ativista ao Pará Diversidade a respeito dos acontecimentos:

“Os policiais chegaram ao local onde eu estava, no Bar da Ângela, sem nenhum tipo de identificação nominal. Com a justificativa de que tinham recebido uma denúncia de que o local era frequentado por menores de idade, solicitaram documentação dos clientes. Cerca de 20 pessoas entregaram seus documentos para averiguação, ao que os policiais puderam constatar que todos ali eram maiores de 18 anos. Em seguida, eles se dirigiram para o fundo do bar, justamente no momento em que eu estava saindo do estabelecimento, pois já havia terminado a festa. Então, lhes informei que o bar já estava fechando e que naquele momento não havia mais quase ninguém lá. Foi nesse momento que um deles começou a me agredir verbalmente, dizendo que lá [o bar] era um espaço de pessoas doentes, sempre utilizando os termos ‘viado’ e ‘sapatão’, e que eu não tinha porque estar defendendo esse tipo de gente. Quando eu disse a ele ‘Olha, senhor, eu sou uma pessoa que atua nos Direitos Humanos, faço parte do GT de implementação do Plano Estadual de Enfrentamento à Violência e à Homofobia dentro do Consep [Conselho Comunitário de Segurança Pública] e o senhor não pode agir dessa maneira, pois todos nós temos o direito de estarmos aqui e o direito de ir e vir’, ele me perguntou ‘Quem tu pensas que tu és?’, ao que eu respondi ‘Sou um cidadão’. Nesse momento, ele me deu voz de prisão, me empurrando para dentro da viatura. Em nenhum momento eu me opus ao fato de ele me deter, em nenhum momento eu os desacatei; eles simplesmente não queriam conversa.

Ao ser conduzido à viatura, eu me direcionei para sentar-me no banco de trás do veículo, ao que o policial disse que eu não iria ali, e sim no camburão, lá me jogando e me dando um chute. A partir desse momento, eu fiquei muito nervoso, pois isso nunca havia me acontecido. Ao chegarmos à Delegacia do Guamá, ele começou a inventar uma série de fatos, afirmando que eu os havia chamado de palhaços e os caluniado, sendo que em nenhum momento eu fiz isso, até tenho como provar que não fiz porque houve diversas testemunhas. Quando eu disse ‘O senhor está mentindo, eu não fiz isso’, o policial, visivelmente transtornado, partiu para cima de mim, me dando vários socos, chutes e tapas, enquanto eu apenas me defendia, sem reagir. Nesse momento, começaram a chegar meus parentes, amigos e uma advogada. Quando fomos fazer o boletim de ocorrência, um dos policiais disse que ela não podia permanecer na sala e a retirou do local, arrastando-a pelo braço.

Levaram-me para uma sala e me deixaram lá esperando, até o momento em que eles voltaram para informar que o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) seria feito na Delegacia de São Brás, pois o sistema da Delegacia do Guamá estava fora do ar. Durante o trajeto de uma delegacia a outra, fui exposto a momentos terríveis de tortura psicológica. Entre os absurdos proferidos dentro da viatura, eles disseram que nós (LGBTs) não tínhamos direito a nada, que nós éramos seres humanos de segunda classe, que nós não éramos criaturas de Deus, que nós não tínhamos direito nem de achar que tínhamos direito e que, na opinião deles, nós não deveríamos nem existir. Além disso, fizeram ameaças do tipo ‘Olha, nós sabemos onde tu moras, os espaços que tu frequentas. Tu sabes que pra gente não pega nada, mas pra ti pode pegar muita coisa, pois a corda sempre arrebenta do lado mais fraco’. Além das ofensas morais e ameaças, propositadamente eles passavam com toda velocidade pelas lombadas do trajeto, para eu bater minha cabeça no teto do veículo, visto que eles estavam com cinto de segurança e eu não. O tempo inteiro, eles diziam que iam me pegar se acontecesse alguma coisa para eles.

Chegando à Delegacia de São Brás, eles apresentaram a versão deles, eu apresentei a minha e solicitei o encaminhamento para o Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exame de corpo de delito, pois ficaram marcas no meu corpo por conta das agressões físicas sofridas. Eles ainda tentaram resistir a este procedimento, mas a advogada que me acompanhava insistiu e disse que eu tinha todo o direito.

O delegado, Dr. Pedro da Silva Monteiro, que estava acompanhando o caso, sequer olhou em meu rosto, e ouviu apenas a versão dos policiais. A todo momento, tentava criar circunstâncias para que eu me descontrolasse e eles pudessem me enquadrar em alguma coisa. No entanto, sei dos meus direitos e deveres e em nenhum momento agredi física ou verbalmente nenhuma das autoridades policiais que ali estavam. Quando percebi a insistência em me provocar, notei que se tratava de uma atitude corporativista do delegado, tentando a todo custo proteger a má conduta dos dois policiais civis.

O coordenador de Livre Orientação Sexual da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Samuel Sardinha, apesar de ter comparecido ao local logo após eu ter ligado para informá-lo do ocorrido, infelizmente não me acompanhou e se limitou a dizer que ia ficar “muito feito” para o estado se a denúncia fosse feita, uma vez que seria a imagem do Pará que seria comprometida por conta do ocorrido. Nesse momento, respondi ao coordenador que eu levaria o caso às últimas consequências, pois o meu direito individual também se reflete no direito de uma comunidade inteira. Me mostrei surpreso com o posicionamento do coordenador, pois a função da Coordenadoria de Livre Orientação Sexual é justamente fazer a relação com as outras secretarias do estado para que esse tipo de coisa não aconteça.

Mesmo com todas as ameaças, resolvi não me omitir e denunciar, pois, como ativista dos Direitos Humanos, não vou fugir dessa luta, pois assim como aconteceu comigo, pode acontecer como qualquer pessoa LGBT, e ninguém merece ser tratado dessa forma. Principalmente por se tratarem de representantes de um órgão que deveria respeitar e garantir a segurança do cidadão, e não cometer atos de violência como esse. Para isso, eu pretendo acionar a Corregedoria da Polícia Civil, fazer uma denúncia ao Centro de Referência e Combate à Homofobia da Defensoria Pública do estado e vou registrar o que aconteceu junto ao Consep, pois isto não deve ficar impune. As pessoas devem saber que a lei existe e é para todos, inclusive para a polícia, pois ela não pode ser a principal agressora dos direitos das pessoas, pelo contrário, tem que salvaguardar o direito do cidadão. Isso tudo aconteceu simplesmente porque o bar é um espaço frequentado por LGBTs e isso não pode mais acontecer”.

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | January 18, 2012 Comments (0)

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