Não é hoje que essa piada circula na web. Gente que mal sabia quem ele era, quando viram sua foto, gritaram na mesma hora: Tá boa, Santa!!!! O histórico de “árduos combatentes” da homossexualidade serem pegos em ação é vasto. Até o Vaticano andou investimento dinheiro em negócios “na nossa área“. Mas, se Deus realmente existe, ele não há de permitir que essas fofocas sejam verdade.
Dizem as más línguas, e até algumas pesquisas pouco ortodoxas, que a homofobia pode ser um sintoma de homossexualidade reprimida. E, se pensarmos por esse ângulo, podemos classificar esse senhor pastor como uma bichona das boas, afinal é muito ódio numa pessoa só. Ao mesmo tempo, Feliciano diz que o continente africano é maldito e que isso explicaria tanta pobreza por lá, embora seja filho de mulata e tenha como padrasto um homem negro. Coerência, realmente, não parece ser uma de suas qualidades.
De qualquer forma, eu realmente não gostaria que ele fosse gay!
Por mais que, em algum momento de suas vidas, alguns gays tenham problemas de aceitação em relação a sua sexualidade… que pratiquem algum grau de homofobia na tentativa desesperada de não serem ligados àquele grupo que inconscientemente eles já sabem que pertencem… que resistam… que se debatam… que se tornem violentos… eu não desejo que Feliciano seja gay porque eu não gostaria de pertencer ao mesmo grupo que ele.
Eu não gostaria de pertencer ao mesmo grupo de uma pessoa que tem coragem de pedir dinheiro para as pessoas usando o nome de Deus. De alguém que tem coragem de pedir a senha para o cartão de débito doado pelo fiel. De alguém que falou as coisas que eu ouvi neste vídeo abaixo.
Se ainda existe alguma justiça no mundo, em breve vamos descobrir que ele é “apenas” um cara sem nenhum tipo de escrúpulos. Uma criatura que viu a possibilidade de se promover a partir de um discurso de ódio que ainda encontra respaldo em grande parte da população brasileira. Um cara que está sendo usado para desviar a atenção da mídia de uma série de outras questões importantes na vida política brasileira. Um bobo da corte, cruel e hipócrita.
O trânsito é uma coisa louca! Várias vezes, andando de taxi, vejo umas coisas e fico pensando comigo mesmo: Qualquer dia, um idiota desses que está dirigindo como um louco, se enfia embaixo de um caminhão e vai deixar a família chorando pelo “acidente”. Mas, como assim “acidente”? No mínimo “Imprudência”!
Temos como imprudente aquele que, através de uma conduta, afasta-se do mínimo que a apropriada execução exige. O exemplo clássico de excesso de velocidade por motorista em noite chuvosa é extremamente ilustrativo.
Afinal, todos sabemos quais são as regras do trânsito. Todos sabemos como devemos nos comportar nele. E, se escolhemos burlar essas regras, se escolhemos “durante a ação” não fazermos o que foi criado para nos proteger, estamos sendo imprudentes. Se, com consciência, quebramos uma “regra”, estamos sendo imprudentes.
Dessa forma, toda família tem o direito de chorar pelo seu ente querido que foi um imbecil imprudente e se enfiou (quase que literalmente) debaixo de uma caminhão. Mas não tem o direito de chamar isso de acidente. Não tem o direito de colocar a culpa no motorista de caminhão quando a imprudência foi daquele que morreu fazendo algo que ele sabia que era errado. Ou seja, o imprudente não é uma vítima.
Algo parecido ocorre no caso de André Baliera. Não se preocupem, não vou cair no discurso de “culpar a vítima” que está sendo impresso pelo advogado dos agressores. Não vou dizer que André foi imprudente ao revidar um xingamento que recebeu por estar andando na rua. Não vou dizer que André poderia “simplesmente ter virado as costas e ido embora”. Até porque, nós sabemos que num caso desses, quando essas “pessoas” tão obcecadas em agredir um homossexual são ignoradas no meio da rua, na maioria das vezes elas perseguem as vítimas e fazem questão de agredi-la, tendo ela feito algo ou não.
André não pode ser considerado imprudente porque ele não infringiu nenhuma regra de convivência. Ele não se colocou em um lugar de perigo voluntariamente. Ele não estava no lugar errado na hora errada. Ele não sofreu “um acidente”. André é vítima de um crime! Simples assim.
André tem a sorte de contar com três heroicas testemunhas que foram a delegacia e permaneceram lá para sustentar sua versão dos fatos. Essas testemunhas são heroicas não porque estão sustentando a versão de André, elas são heroicas porque foram a delegacia mesmo sabendo que crimes de homofobia ainda não são completamente levados à sério. Porque elas foram a delegacia mesmo sabendo que em muitos momentos é dificílimo fazer um B.O. sem ter que escutar alguma piadinha a respeito. Elas são heroicas porque se colocaram no lado mais fraco da história, porque não viram os jovens brancos, fortes e bem sucedidos como um exemplo a ser seguido.
Mas, então, o que tem a ver o exemplo lá de cima com o caso de André?
Assim como muitas pessoas chamam de acidente algo que não é acidente, outras tratam o caso de André como um caso isolado…ou pior, como um caso simples de violência cotidiana. Quando, na verdade, o caso de André (além do óbvio crime cometido pelos agressores) já pode ser considerado como “negligência”.
Negligente demonstra-se o agente ao na prática de proceder, que revele e caracterize omissão, em prejuízo de uma atitude que deveria ser originalmente positiva. Em negligência incide, por exemplo, o enfermeiro que deveria realizar a troca diária de ataduras no ferido, e não o fazendo, agrava sua lesão, ou o edificador que, sabendo que um lote depauperado produto foi enviado junto com os demais, não providencia sua inutilização. Sintetiza, portanto, um proceder negativo, uma abstenção de procedimentos seguros fixados em norma ou regulamento. Ou seja, negligente é aquele que não faz quando tem que fazer.
Enquanto a bancada evangélica continuar legitimando a violência contra os homossexuais (porque é isso, na verdade, que ela está fazendo!), sempre haverá algum brutamontes achando que sairá impune ao praticar atos como o desta semana.
As testemunhas agiram corretamente ao se colocar ao lado da vítima. André agiu corretamente ao não aceitar ser tratado como cidadão de segunda classe. A polícia agiu corretamente ao indiciar os agressores por tentativa de homicídio. Esperamos agora que a justiça faça sua parte.
Agora é a hora de apontar nossos dedos para o Congresso Nacional. Ou melhor, para todos aqueles que tendo consciência da quantidade de agressões/tentativas de homicídios/crimes contra homossexuais teimam em relativizar esse sofrimento. Apontar o dedo para todas as pessoas que insistem em entrar nos grandes portais e tratar as vítimas de homofobia como pessoas em busca de atenção da mídia e/ou “privilégios”.
Da negligência para a cumplicidade existe uma distância muito pequena… quase imperceptível!
Encerrada a apuração, Tiago Silva (PDT) de 29 anos, já é o vereador mais votado da história da Câmara de Florianópolis. Ele contou com 6.860 votos.
O candidato ficou conhecido como organizador da Parada Gay da cidade. Um dos fatos que gerou maior repercussão na campanha foi a troca de um selinho com a candidata Angela Albino (PC do B, de um campo oposto), no alto de um carro de som.
É a segunda tentativa dele de chegar à Câmara. Filho de uma empregada doméstica, nascido no morro do Mocotó (a principal favela da capital), ele estava exultante: ” A esperança venceu o medo”, disse, em entrevista no TRE (Tribunal Regional Eleitoral).
“Eu não esperava ser o mais votado nem nos meus melhores sonhos. O melhor de tudo foi bater as famílias tradicionais que sempre venceram na política florianopolitana”.
Eu sempre achei engraçado (para não dizer triste!) quando ouço/leio gente falando que “está na moda ser gay”! Que antigamente o mundo era muito diferente. Será mesmo?
Eu nasci em 1972 (sim, sou velho, me deixa!)… e, desde aquela época, sempre houve “os vizinhos esquisitos” que a gente devia tomar cuidado. Eu lembro de uma vez em que veio morar perto de nossa casa dois rapazes que eram muito amigos. Ninguém se preocupava muito com eles. Ninguém tinha nenhum problema com eles.
Até que, um dia, uma mulher apareceu e fez “aquele” escândalo. Obviamente ela se sentia traída por um deles que a havia trocado por uma “bicha”! Sim… isso devia ser por perto de ’81 e, já naquele tempo, os homens “trocavam” suas mulheres por outros homens.
E daí, hoje, vendo as fotos abaixo na internet, me dei conta (mais uma vez!!!) que desde sempre estamos por aí.
Mas então, o que mudou? Nada?
Não. Algo mudou. A maioria das pessoas (principalmente alguns gays) deixaram de ser hipócritas. As pessoas não tem mais paciência para ficar levando uma vida dupla. Ou levar uma vida contra seus desejos. Simplesmente aceitam sua orientação sexual e tentam conviver com ela da melhor maneira.
E, se isso não é um avanço… não sei dizer o que é!!!
Então… deixem de ser chatinhos e parem de reclamar que existem mais gays no mundo. Ao contrário, agradeça que as pessoas pararam de mentir ou de se esconder de/para você!
O carnaval segue a mil em Floripa. Festas bombando em todos os cantos da cidade e muitos turistas unem-se ao povo local na celebração do “ano novo brasileiro”. E embora o samba seja o dialeto oficial deste período, na cultura LGBT ele não obtém muito sucesso. A música eletrônica e o Pop são os ritmos que embalam a noite gay, sem dúvida.
Dentre elas, há uma música que simplesmente domina as pistas de dança (e quem apostou em Madonna ou Gaga, errou redondamente) a ponto de fazer as pessoas simplesmente largarem tudo o que estão fazendo e voltem correndo para pista, submetendo-se à catarse coletiva (me incluo).
“Encontramos amor em um lugar sem esperança” é nosso “Ai, se eu te pego”
Mas, eu não sou crítico musical (na verdade sou especialista em nada!), só gosto de observar as “tendências”, principalmente comportamentais. A noite gay encontrou na letra de ‘We Found Love’ de Rihanna uma perfeita metáfora para suas idiossincrasias amorosas.
Seja em uma boate lotada de gente desconhecida, seja em aplicativos para celular de “busca direcionada”, não sei dizer se encontramos amor nesses lugares, cada vez mais, sem esperança… mas estamos buscando. Ou sexo… ou amor disfarçado de sexo, porque afinal não queremos parecer carentes ou românticos.
Não, ao contrário do que a maioria pensa, os gays também procuram por relacionamentos. Não podem admitir porque isso seria muito ‘heteronormativo’… corre-se o risco de pensarem que somos iguais a todas as outras pessoas no mundo. Que temos desejos e necessidades ‘normais’. E isso, de certa forma, destrói a imagem que criamos (ou foi criada para nós?) de seres glamourosos sempre felizes.
It’s the way I’m feeling I just can’t deny But I’ve gotta let it go
Encontramos (ou procuramos) amor em lugares sem esperança porque essa busca é quase que a única alternativa para aqueles gays que não conseguem ‘ainda’ exercitar sua orientação sexual no seu dia-a-dia. Um círculo vicioso que afasta o ‘diferente’ para a margem e nunca conseguirá reconhecê-lo porque o comportamento marginal não é adequado aos ”salões de baile”.
Encontramos (ou procuramos) amor em lugares sem esperança porque muitos de nós foram ensinados a ‘odiar’ o que somos. Na verdade, fomos ensinados que ‘nós somos seres sem esperança’. Alguém que não terá nunca uma vida feliz. Sem filhos, sem família, sem amizades, sem um trabalho decente….sem nada.
Encontramos (ou procuramos) amor em lugares sem esperança porque o mundo é cada dia mais um lugar cínico e difícil. Mas, não desistimos….seguimos procurando o amor!
Eu não costumo falar sobre esse assunto aqui, até porque é um assunto que não me interessa muito. Pois é, eu não assisto ao BBB… na verdade, não assistimos televisão aberta aqui em casa… mas, como disse um amigo no facebook ontem, isso não me faz melhor, nem pior que ninguém, afinal, “desde quando BBB é régua para julgar comportamento”?
Mas, o caso é que com toda essa polêmica do estupro/abuso sexual, comecei a ouvir umas coisas que eu considero extremamente perigosas por aí e a principal delas é um tal zunzunzun/petição para “proibir a exibição do BBB”. (Deixando claro que eu acho que esse movimento não vai chegar a lugar nenhum, mas a simples existência dele já me angustia)
É PROIBIDO PROIBIR
Como é possível que uma pessoa que, praticamente todos os dias, manda uma mensagem/notícia indignada sobre o preconceito contra os homossexuais/contra os negros/contra o trabalho escravo/ contra lá seja o que for, no momento seguinte dê apoio a uma ação que visa diminuir a liberdade de expressão?
Não há realmente nenhuma ligação entre as coisas?
Essas pessoas não se percebem que pedir a proibição da exibição de um programa como o BBB (imbecilizante sim! medíocre sim!) equivale ao mesmo tipo de pensamento que um deputado Bolsonaro da vida tem ao querer manter “os homossexuais dentro de 04 paredes”?
Não venha me dizer que são coisas diferentes, porque não são!!!
Para uma pessoa preconceituosa e de pensamento medíocre, é muito mais confortável assistir em rede nacional uma mulher ser abusada sexualmente do que dois homens se beijando. E são essas pessoas que vão se indignar com a proibição de um programa como esse daí e se regojizar com a proibição da exibição do afeto entre duas pessoas do mesmo sexo.
São essas pessoas, que se vêem no direito de “impor” suas crenças religiosas a todos e querem que seja proibido dois homens demonstrarem afeto em público. ( e estou ficando apenas no exemplo de ordem LGBT só pra me manter no assunto deste blog… mas vocês “podem” expandir o pensamento)
Porque, hoje proibi-se algo que você concorda… e amanhã? O “proibicionismo” não é uma opção viável.
EXPANDIR A LIBERDADE SEMPRE, COM RESPONSABILIDADE
A democracia é uma coisa linda e utópica, mas dá trabalho. É difícil estar atento e pensar em todas as implicações de nossos atos e escolhas. Por isso que eu, na verdade, fiquei bastante feliz com esse movimento ocorrido em relação a possível abuso sexual no programa.
É responsabilidade das pessoas que assistem ao BBB denunciar e exigir a investigação do que realmente ocorreu na casa. Se você se propõe a ver este programa (e consequentemente gerar IBOPE, que é a única regra levada em conta nesse “mercado”), deve ter consciência de que todas as coisas que ocorrem lá dentro também são também sua responsabilidade.
Em um episódio de Law & Order SVU (se não me engano), um psicopata sequestrava pessoas e armava um esquema via web para assassiná-la quando chegasse a um número “x” de pessoas online para assistir “o ato”. Isso é o BBB.
Se queremos liberdade (e eu sempre quero!!!) temos que ter consciência de que somos responsáveis por ela, inclusive pelos abusos cometidos por essa liberdade concedida.
MUDANDO DE LADO
E, por falar nisso, o que você tem feito com sua liberdade? Já ficou claro que as pessoas que assistem o BBB tem uma quantidade imensa de fofocas e comentários para fazer no twitter e no facebook….oh, wait… no facebook, a maioria dos comentários sobre o BBB que eu tenho visto na minha timeline são de pessoas falando mal e pedindo para não tocarem no assunto.
Quem está dando mais IBOPE ao programa?
Em contrapartida, responda-me algumas das seguintes perguntas:
* Quantos livros você leu e indicou nas redes sociais nos últimos tempos?
* Quantas peças de teatro você foi assistir no último ano (stand ups preconceituosos não vale!)?
* Quantos filmes nacionais “independentes” você assistiu (comprando ingresso) ultimamente (Globo Filmes também não vale)?
Obviedades a parte, ninguém vive sem um pouco de lixo cultural (e isso é o que o BBB é, também!). Eu assisto comédias românticas que são SEMPRE muito previsíveis e me divirto com elas. Aliás, tem dias que eu não quero ver outra coisa. Mas isso não me define como pessoa.
Talvez, a única coisa que possa realmente me definir claramente como pessoa, é que eu não quero ninguém me dizendo “o que eu posso” e “o que eu não posso fazer” (levando-se em conta que eu não esteja lesando outras pessoas). Não me ditem “formas de pensar ou ver o mundo”…
E, como dizia Caetano ( no tempo em que ele dizia coisas que me interessava ouvir):
Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estátuas, as estantes
As vidraças, louças
Livros, sim…
E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…
As vezes, tem gente que reclama que nós, gays, somos chatos…mas, vamos combinar, é difícil viver em um mundo que vê as coisas de forma tão superficial e simplistas.
A bobagem da vez é o livro “Gay men dont’t get fat” de Simon Doonan e que recentemente ganhou resenha escrita por Margarida Telles.
Segundo o manual, as mulheres da França são magras mesmo sem fazer regime, pois comem de tudo um pouco. Mas Simon Doonan não acredita que as moças da terra de Amélie Poulain sejam os gurus do corpo perfeito. “As francesas só acham que sabem de tudo. Na verdade, quem sabe mesmo são os gays”, afirma Doonan.
O livro tem esse tom engraçado do começo ao fim. Segundo o autor, os gays possuem um senso de estilo quase intuitivo, e por isso são ótimos “consultores” para quem quer ter uma boa imagem.
Como disse o Diego Maia no twitter, é o tipo de coisa que acaba fornecendo munição para os homofóbicos de plantão. A repetição e propagação desses estereótipos deve parar já!
Se existe, realmente uma coisa me que irrita é essa visão restrita que algumas pessoas têm do mundo. Falar uma bobagem como essa que dá título ao post é querer NOVAMENTE negar a diversidade de pessoas que podem se abrigar sob o “rótulo” de homossexual.
Ainda é necessário repetir que existem homossexuais de todos os tipos? Preto, branco, alto, baixo, estiloso, brega, hipster, universitário e obviamente GORDOS e MAGROS? O senso comum de que os homossexuais só pensam em malhar e ficar magérrimos já não está vencido?
O culto ao corpo, sinto-lhes informar, não é uma exclusividade gay. É um fenômeno de nossa época que, graças a Deus, já está dando sinais de estar enfraquecendo.
Não li o livro, nem pretendo ler… e só uma das “dicas” citadas na resenha já me deixou enojado:
Dica 1: Coma uma mistura de comidas gays com comidas hétero – Segundo o livro, típicas comidas homossexuais seriam sushi, alface e macarrons, aqueles docinhos franceses. Já comidas hétero seriam coisas como burritos de carne. A solução então é pedir um bife, mas substituir as batatas fritas por uma saladinha super gay.
Ai gente, sério? Comidas gays e comidas héteros? Sem comentários.
E por falar neles… ahhhh, os comentários… são sempre um show de senso comum gay friendly! Mesmo quando não concordam com o livro (ou com o post), acabam a frase com alguma tirada “inteligente” ressaltando a “felicidade dos amigos gays” ou o “senso de moda”, ou ainda o “amor que sente pelos amigos gays”.
Chega? Dá para parar com essa baboseira?
Estamos em 2012. Vamos tratar o termo “gay” mais como “característica” da pessoa e não “essência”? Dizer a frase “Eu sou gay” não me define como “a complexidade que eu sou”. Sim, eu sou gay, mas também posso ser corajoso/medroso, lindo/feio, petista/tucano, etc/etc.
Quando ouço a frase “Meu amigo gay” tenho o impulso imediato de perguntar “Qual?”, imediatamente.
Homens gays engordam sim… e existem muitos gays, inclusive, que preferem aqueles que não são malhados e nem magros. Eu sou um deles!
Já há algum tempo, tenho vontade de escrever sobre o tal do “casamento”. Ela, a vontade, começou quando fui convidado para ser padrinho na união est, digo, casamento dos meus amicíssimos Cristóvão e Galvani (fotos que ilustram o post). E retornou agora, quando a Ana Kormanski me enviou este vídeo:
Entre esses dois acontecimentos (uma campanha – vídeo ficcional e uma festa real), um fato em comum: a normalidade da convivência. Seja entre os noivos, seja com a família dos noivos, seja com a comunidade que conhece e reconhece no casal o desejo e a concretude do relacionamento de ambos.
Quem esteve presente na cerimônia que oficializou a união dos meus amigos (depois de 10 anos de convivência, ou seja, casamento não oficial) pode perceber que a expectativa/relação entre todos os presentes (parentes, amigos, crianças, gays, heteros, moderninhos, conservadores…) era a mesma: celebrar a união de duas pessoas que se amam.
Duas pessoas que construíram uma história juntas e passaram por uma quantidade imensa de acontecimentos (bons e ruins) que fortaleceu o desejo de continuarem juntos.
Não se tratava naquele momento de um “casamento gay”. E eu fiz questão de frisar isso quando falava durante a cerimônia. Se tratava de “pessoas”. Indivíduos. Cidadãos. De amor (por mais clichê que isso possa soar). E de direito (que naquele caso ainda não é completamente igual, posto que eles ”possuem” é uma “união estável”).
Ou seja, talvez o que esteja faltando a alguns políticos brasileiros seja esta “convivência” com pessoas gays. Talvez eles estejam julgando todas os cidadãos gays brasileiros a partir de, única e exclusivamente, sua ignorância. Essa é a única resposta possível para validar alguns de seus argumentos (aquele papo chato de “destruir a família”e bla-bla-blá).
Eu não sou de assistir TV aberta (não porque seja moda dizer isso, mas é falta de tempo mesmo!), mas depois que comecei a escutar sobre a novela das 21h, Insensato Coração, e a forma como eles vinham abordando a questão da descoberta da sexualidade por um de seus personagens, passei a acompanhar pela internet.
Mas a Globo, essa terrível emissora capitalista e arauto do imperialismo burg…ops, crítica errada…. Mas, a Globo, como sempre servil e devendo algum tipo de conta que eu não sei precisar qual é, resolveu dar uma esfriada na trama que vinha sendo construída brilhantemente (e didaticamente) pelos autores do folhetim. Restou-nos (como sempre!) a figura do gay caricato e participante do núcleo cômico da novela.
Confesso que em um primeiro momento cheguei a pensar “poxa, que legal… tem que mostrar que esses crimes acontecem! O povo precisa ver essa realidade na novela!”, para logo em seguida ficar quase triste com essa solução.
Será mesmo que a morte desses personagens teria algum efeito na população? Oras, esses crimes homofóbicos acontecem sempre. Vários deles chegam aos telejornais. Lembram? Aliás, alguém lembra dos últimos casos de assassinatos? Ou das agressões na Paulista?
Acho válido que a novela relembre essas questões (como aliás, continuam fazendo), mas considero que no atual momento do país, mais transgressor e útil é mostrar que existem casais vivendo juntos e felizes. Construindo uma vida da maneira que eles consideram adequada (porque não quero entrar no mérito do estilo de vida de cada um) em relações estáveis e duradouras.
Transgressor seria mostrar que existe gays de todos os tipos. Os que querem constituir uma família (e os que não). Os que são monogâmicos e os que traem. Os que se travestem e os que trabalham de terno. Os que não conseguem estudar porque são preconceituados e os que se formam (seja mantendo-se dentro armário, seja ouvindo piadinhas e suportando o assédio durante toda sua vida escolar).
Transgressor seria mostrar um casal demonstrando afeto real (E não estou falando do beijo tão temido por grande parte da população). Transgressor é admitir em rede nacional que o que une duas pessoas do mesmo sexo é amor. Igual ao que você, heterossexual, sente. Ou não.
No último dia 12/07, o diplomata Alexandre Vidal Porto deu entrevista para o Programa do Jô, falando, entre outras coisas, do texto de sua autoria publicado na Folha de SP, no dia da Parada Gay daquela cidade. A entrevista e o texto chamam atenção pela qualidade de sua “aparência”. São extremamente polidos e bem executados, mas em contrapartida parecem carregar em si uma mal disfarçada “necessidade de aceitação” da homossexualidade pela sociedade.
Para pensarmos sobre eles, seria interessante que possamos ter lido/visto ambos antes de continuarmos. Por isso:
Não é preciso ser diferente para ser gay
por ALEXANDRE VIDAL PORTO para Folha de São Paulo
Associar a homossexualidade à transgressão e ao excesso pode ter valor estético, mas tem efeito negativo sobre o ritmo do processo político
Os homossexuais podem se tornar invisíveis. É só saberem dissimular ou mentir. Quando a primeira Parada Gay de São Paulo surgiu, um de seus objetivos era, justamente, dar visibilidade à parcela da comunidade LGBT que queria afirmar sua existência e entabular um diálogo com a sociedade.
O viés era político. O slogan da parada, “Somos muitos e estamos em todas as profissões”, equivalia a uma apresentação. Os manifestantes queriam mostrar quem eram e o que faziam. Reclamavam participação no processo jurídico-social e pediam proteção contra o preconceito e a discriminação. Eram 2.000 pessoas, e o ano era 1997.
Desde sua primeira edição, no entanto, o aspecto político do evento foi cedendo espaço ao carnavalesco. A Parada Gay de São Paulo transformou-se em uma grande festa. A maior de seu gênero no mundo. Atrai número de pessoas equivalente à população do Uruguai.
Movimenta centenas de milhões de reais. A expectativa é de que traga mais de 400 mil turistas à cidade.
Explica-se o fenômeno da carnavalização da Parada com o argumento de que os gays são “divertidos”. A utilização desse estereótipo, contudo, contribui para mascarar a irresponsabilidade cívica e a alienação política de parte da comunidade LGBT.
Carnavalizar é fácil e agradável, mas é contraproducente.
O estilo exagerado que alguns participantes preferem adotar é legítimo e respeitável. Mas presta um desserviço para o avanço dos direitos à igualdade. O caráter festivo e a irreverência tiveram valor simbólico em um tempo em que a rejeição social contra a homossexualidade era incontornável. Acontece que as coisas mudaram.
Os milhões de pessoas que comparecerão ao evento na avenida Paulista deveriam ter presente a responsabilidade cívica de conquistar corações e mentes para a sua causa. O aspecto político da Parada exige certa sobriedade, ao menos em respeito às vítimas cotidianas da homofobia, no Brasil e no mundo. Hoje, o peso do discurso político tem de ser maior que a vontade de dançar.
A aceitação da homossexualidade pela opinião pública está vinculada à convivência com pessoas abertamente gays. Mostrar-se é importante. Nessa batalha, é mais estratégico exibir a semelhança. É mais difícil para o mundo identificar-se com o ultrajante.
Não se trata de exibir a orientação sexual, mas de garantir o direito pleno à liberdade de exercê-la. Associar o conceito da homossexualidade à transgressão e ao excesso pode ter valor estético, mas tem efeito negativo sobre o ritmo do processo político.
Para gente que cresceu com uma escala de valores antagônica aos direitos humanos dos LGBT, o comportamento escandaloso exibido tradicionalmente nas paradas equivale à retórica raivosa de um Jair Bolsonaro. O papel da Parada é mostrar que os homossexuais são serem humanos comuns, que têm direito a proteção e respeito, como qualquer outro cidadão.
Ninguém precisa ser diferente para ser gay. Não é necessário transformar-se na caricatura de si mesmo.
ALEXANDRE VIDAL PORTO, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA), é diplomata de carreira e escritor.
Chamei a atenção para o bom “acabamento” do discurso de Alexandre porque eu mesmo, num primeiro momento, fiquei seduzido por sua fala doce e sua lógica. Mas, parando para olhar um pouquinho mais de longe, comecei a estranhar alguns termos e colocações tão gentilmente colocadas.
Meu primeiro choque foi sua proposta de “nos tornarmos invisíveis”. Ora, nós já somos invisíveis. Ou, pelo menos, é o que a maioria da população quer que aconteça. Quantas vezes já escutamos a sentença “O que eles fazem entre quatro paredes não me interessa, mas na rua, que se comportem”? Quantas vezes somos obrigados a frequentar clubes/boates em lugares com “menos visibilidade” porque não é de bom tom que um professor/médico/advogado seja visto entrando num local gay?
Depois, o discurso segue pregando a necessidade de sermos “comuns”, de não exibir nosso “comportamento escandaloso” e termina por atacar aos homossexuais chamando-os TODOS de alienados politicamente e solicita que não sejamos “caricatos” e afirma que caímos na armadilha da “transgressão”. Na minha opinião, Alexandre é quem cai na armadilha da “generalização”. Ele, na ânsia de provar que “estamos todos indo no caminho errado” acaba por não ver a DIVERSIDADE que a comunidade gay representa.
Não há dúvidas de que a generalização é uma das formas mais tristes e eficazes (porque não dizer) de dominação. Tratar aos homossexuais como “aqueles de peruca azul e sapato plataforma” é sim, contraproducente. Ao mesmo tempo, não somos todos “diplomatas”. Não somos todos “iguais”. Existe sim uma gama de “opções” de postura e visibilidade que DEVE ser respeitada.
Não estou aqui para “defender” a Parada Gay de SP. Acredito que os organizadores da mesma saibam da sua atual situação e se mostram preocupados em retornar a um viés mais político que ela já teve algum dia. Mas, talvez o que falte na Parada de SP é “contraste”… Encontrar os momentos de discussão política, da atuação precisa e reivindicação claras. E encontrar também os momentos de transgressão estética (só para usar os termos do próprio Alexandre).
Ou, talvez ainda, aqueles que fazem a cobertura da Parada poderiam escolher mostrar a variedade que existe lá e não mostrar somente as mesmas fotos dos carros e drag queens que, vamos admitir, ficam muito mais “exuberantes” nas capas dos jornais e portais.
Alexandre gosta tanto de New York, mas parece esquecer que as paradas americanas também são famosas pela participação dos Bears e Leathers, da galera de moto e das sapatonas com os peitos de fora!!! …. e nem por isso a participação política deles é menor ou esvaziada por causa disso.
Em todas as poucas vezes que participei de alguma parada, fui vestido da mesma forma que me visto no dia-a-dia. Não vou colocar um terno e gravata somente para aparentar mais “sociável”. Minha luta árdua (pessoal, ideológica e profissional) foi, e continua sendo, para descobrir minhas “especificidades”. Minha busca é descobrir o que me torna um ser humano único e de que forma eu posso “contribuir” para que a sociedade aceite a diversidade que a espécie humana contém.
Impor normas de vestimento/conduta/comportamento é uma idéia tão reacionária e fascista que fica até difícil assimilar que ela possa ter saído de um homem com uma aparência tão “sociável” quanto a de Alexandre.
Em nenhum momento da minha vida tive como “ideal” me tornar igual aos outros somente para ser aceito. Pelo contrário, em todas as vezes que afirmei minhas “diferenças” foram os momentos em que pude debater e dialogar sobre as minhas reais necessidades e as daqueles com quem me relacionava.
Moldar-se aos desejos dos outros na busca pela aceitação é uma atitude hipócrita. Aprender a exercitar a convivência a partir da diversidade de existências é, na minha opinião, mais difícil… mas também, mais honesto.