Realmente é uma realização inspiradíssima e extremamente reveladora se levarmos em conta que o rapaz tinha 20 anos quando a produziu.
Vale muitíssimo a pena ver… e eu já estou caçando o segundo filme dele: “Amores Imaginários“…
Abaixo você vê os trailers dos dois filmes e fotos de Xavier Dolan e de seu namorado no primeiro filme François Arnaud. Por que? Ora, pelo óbvio… tipinho pra casar!
Uma das coisas mais legais que eu encontrei no filme foi a maneira como a sexualidade dos personagens é tratada. Ela simplesmente está colocada, não é o mote do filme. Está inserida como qualquer outro elemento sem querer ou ser eixo que defina o andamento do filme.
Não é de hoje que muita gente se pergunta quais são os limites entre arte e pornografia. Em tempos de filmes que se utilizam do sexo explícito em suas narrativas, ficou difícil distinguir até onde essa exposição é necessária para contar uma história honestamente e até onde é pura apelação para manter um filme ruim de pé (literalmente)!
Um filme que, na minha opinião, não se sustenta é o tal do “Nove Canções“. Roteiro ruim, superficialidade extrema e nada acontece… quer dizer, em termos… eles vão à shows e fazem sexo… e só! Eu sei que muita gente gostaria de ter aquela vida ( em alguns momentos até eu!) mas para isso se constituir como obra de arte, falta! Ahhh, falta!
No outro lado da balança podemos colocar “Os Idiotas“, como exemplo. Um filme absurdamente conciso, feito por um diretor que sabe do que está falando e que constrói um roteiro onde a cena de sexo explícito apenas contribui para a narrativa e a “crueza” da história. Na minha opinião, não é gratuito!
Mas, toda essa introdução, foi só um pretexto para falar de um artista chamado Travis Mathews!
Esbarrei com seu trabalho esses dias na web. O primeiro que vi dele foi “In Their Room“. Um curta documentário de aproximadamente 20m onde ele capta imagens de homens gays dentro de sua intimidade. A riqueza de “perfis” foi o que primeiro me chamou a atenção. Homens bonitos, homens feios (dependendo sempre do ponto de vista! Claro!), homens falando sobre sexo, homens falando sobre discos, homens de cuecas e salto alto. (rs) Ou seja, um olhar para a diversidade existente dentro do universo gay. E, dentro desse universo, um desses homens se masturba. Sem nenhum tipo de reserva, o diretor mostra esta cena como qualquer uma das outras situações que mostrou até então. Interessante.
E daí eu sigo “descobrindo” seu trabalho e dou de cara com um filme chamado “I Want Your Love“. O curta (que pelo que eu entendi no meu parco inglês é apenas um demo de uma produção que será rodada em 2011) trata da despedida de dois amigos que, no último dia juntos, resolvem fazer sexo. Ou seja, um fio de narrativa ínfimo. E, entramos firmes (ops, trocadilho infame detected) no sexo explícito. Ao mesmo tempo, tudo é retratado com tanta delicadeza, tranquilidade e naturalidade que fica difícil enquadrá-lo numa classificação de filme pornô!
“Um filme pornô pra mim tem o objetivo de fazer você gozar. Em um filme de arte, acho que as coisas são um pouco mais complicadas. Tem mais a ver com a intenção de quem está fazendo aquilo do que somente em consumar o ato. Eu, definitivamente, quero mostrar sexo real, como as pessoas fazem sexo e também quero mostrar diálogos reais, como as pessoas realmente falam.” – diz o diretor em uma entrevista no site.
Em contraste com outra produção sua “Do I Look Fat?“, um curta documentário sobre gays com distúrbios alimentares, ”I Want You Love” soa sim como um filme erótico e pornô. Não é clichê. Não é apelativo. Mas também não chega a construir uma ‘gestalt’ que nos ajude a identificar sobre quais questões artísticas ele está trabalhando. De certa forma, me lembra uma vertente do pornô que é produzido tendo a audiência feminina como público alvo.
De qualquer forma, são tentativas de romper com os lugares comuns da indústria (ou buscar seu lugar dentro dela mostrando um trabalho inusitado!)… e valem a pena por oferecer opções distintas do habitual e só por isso já valem a tentativa!
Agora, falando só com os que tem mais de 18 ANOS!!!
Aqui tem um link para o “I Want Your Love” já que ele não está disponível na íntegra nos links acima. Os outros estão!
Há um tempo atrás, num papo no twitter com o @sodaindie, percebemos que existe uma série de filmes falando sobre transexualidade que são bastante interessantes. Obviamente não são filmes para todos os públicos. Alguns poderão achá-los chatos, outros estanhos. Outros ainda podem ficar incomodados com a temática. De qualquer forma só escolhi indicar filmes que tenham uma produção impecável e se realizem por completo como obras de arte. Assim, ninguém fica fazendo favor de assistir algo só por causa da temática!
Café da Manhã em Plutão (Breakfast on Pluto – Neil Jordan – 2006) – É até difícil falar deste filme tão sensível e interessante. Mas, com certeza, a trilha sonora é um dos pontos altos da realização artística. Tematicamente é interessante perceber como as questões sexuais já nascem com o indivíduo. A interpretação de Cillian Murphy é primorosa (ei… o mesmo ator de A Origem, acordei e só me dei conta agora!) e dá a dimensão exata (imagino!) dos dilemas e conflitos dos transexuais. Muito bom!
TransAmérica (idem – Duncan Tucker – 2005) – O filme todo é primoroso. Sensível e mostra sem pudores o processo de “passagem” de uma identidade masculina para uma feminina. Acho que o maior conflito é, nesse caso, a relação com os pais e também com o passado masculino. Novamente temos uma protagonista poderosa, desta vez interpretada brilhantemente por Felicity Huffman. Deusa!
XXY (idem – Lucía Puenzo – 2007) – Esse filme argentino é uma produção menos “mainstream”, mas tão interessante quanto. Nesse caso, o trabalho é mais focado nas dificuldades de se lidar com o hermafroditismo. Esta produção talvez erre um pouco no ritmo, mas é um reflexo da produção argentina contemporânea. E, com certeza ganha muitos pontos por falar de um assunto extremamente tabú. Eu gostei!
Texto publicado em 2008 no blog coletivo NossaVia… me lembrei do filme e resolvi postá-lo aqui novamente já que as minhas observações sobre ele continuam valendo! Se não viu o filme ainda, veja… vale a pena!
Assisti ontem ao filme O Tempo que Resta (Le Temps qui Reste – 2005) do diretor francês François Ozon. Nele, o diretor conta a história de um fotógrafo em ascensão (Romain) que se descobre paciente terminal de câncer de uma hora para a outra. Uma simples e trágica história.
Não pretendo aqui escrever uma resenha sobre o filme (embora ele mereça uma!) e, por isso, caso você tenha interesse recomendo essa crítica aqui!
O caso é que eu já havia ouvido falar muitíssimo nesse filme. Havia visto vários trailers e lido várias coisas também. (Sim, sou fã do diretor!) E, é claro que depois de tanta expectativa, assistir ao filme foi meio “brochante”. Não que o filme seja ruim… não é, de maneira nenhuma! Mas talvez até mesmo por sua própria natureza.
Oras, o filme é tudo, menos melodramático… ele não nos oferece uma possível “catarse” sobre a morte. Não nos oferece “rios de lágrimas” sobre um tema tão “fácil” de emocionar. François Ozon e ator Melvin Poupad nos oferecem um tema difícil, de uma maneira radical e sem sentimentalidades. Sabemos que o personagem vai morrer e mesmo assim temos vontade de pegá-lo pelo pescoço e dizer “Pára”. Acompanhamos suas últimas ações e pensamos “o que eu faria?”, “porque ele não se abre com todos?” ou ainda “por que tem de ser assim?”.
Mas o grande trunfo do filme (para mim, obviamente!) é nos fazer pensar sobre o Tempo! Sobre essa grande força da natureza. Sobre como ele age em nossas vidas e muitas vezes nem nos damos conta. Sobre como, às vezes, é necessário que algo aconteça (dead lines – seja de que natureza for) para que nós tenhamos que colocar nossas vidas em movimento (Não é por acaso que o personagem do filme só consegue falar que está para morrer com sua avó que, segundo ele, está numa situação igual à sua!). Ou, por outro lado, como temos uma necessidade urgente de resolver coisas “no calor do momento”… coisas que só se resolverão com a ação inevitável do tempo.
Romain leva sua vida como quer, nunca havia parado para pensar nessas situações (creio eu!). Acha medíocre a vida levada por sua irmã com filhos e obrigações. Mas quando se dá conta de sua condição e após a “fúria” inicial, surge a necessidade (talvez ainda bastante confusa) de deixar um legado. Sobreviver ao tempo. Romain não terá “tempo” para isso. Ele sabe que o filho virá, mas não chegará a vê-lo.
O tempo é sucessivo porque, tendo saído do eterno, quer voltar ao eterno. Quer dizer, a idéia de futuro corresponde ao nosso desejo de voltar ao princípio. Deus criou o mundo. E todo o mundo, todo o universo das criaturas, quer voltar a este manancial eterno que é intemporal, não anterior nem posterior ao tempo, mas que está fora do tempo. (Jorge Luís Borges)
Nosso desejo de eternidade é, por que não dizer, adolescente. O que vai ficar de nós é algo talvez muito menos palpável do que imaginamos. Nosso rastro nessa existência é fugaz. Por outro lado imaginar que não faz diferença a “marca” que deixarmos é assumir uma postura niilista demais. Não somos eternos, é fato… mas não sairemos dessa vida impunes. Só o tempo há de presenciar isto!
Abaixo coloquei também um texto de Luis Carlos Merten (de 2009) sobre a produção.
Sinceramente? Não me empolgou muito… mas mesmo assim, vou assistir!
“Desglamourizada. Você nunca viu Ana Paula Arósio como ela vai aparecer em Como Esquecer, novo longa de Malu De Martino e Elisa Tolomelli. A dupla de Mulheres do Brasil encara o desafio de fazer um longa sobre homossexualismo. Qual é o desafio, já que o tema é frequente no cinema brasileiro? Pense em A Rainha Diaba, de Antônio Carlos Fontoura; em Madame Satã, de Karin Aïnouz. “O cinema usa sempre histórias e personagens homossexuais para retratar universos fatais e ou violentos. Nosso filme é gay, mais do que homossexual. Estamos mostrando o homossexualismo como uma opção de gente como as outras. Ninguém discute sua opção. As pessoas são, e pronto. A ideia é filmar o dia a dia, o sofrimento que o fim de uma relação causa, independentemente de ser hetero ou homo.”
(…) Malu De Martino e Elisa Tolomelli, diretora e produtora, dividem arte e vida. Elas se preocupam com o destino de seu filme. Na primeira vez que Como Esquecer surgiu na imprensa foi numa nota para dizer que o filme conta a história de ?uma sapatão?. Seria o mesmo que definir O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, como a história de dois ?viados?! Elisa é uma das mais conhecidas produtoras do País. Além dos próprios filmes, é altamente qualificada como diretora de produção. Elisa bateu em várias portas, atrás de patrocínio. Ouvia sempre – “Que legal! Sucesso!” Mas nenhuma empresa quis ligar seu nome a um filme gay. Salvou-a o governo federal, por meio da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres.
Como Esquecer é uma adaptação da história autobiográfica de Miriam Campello. O roteiro demorou três anos – três! – para ser escrito. Elisa nunca se dava por satisfeita. Queria um roteiro não apenas bem escrito, mas verossímil, com cheiro de verdade. Quando Ana Paula Arósio, além de dar o sim, disse que se havia emocionado muito ao ler, Elisa sentiu que havia chegado lá. Ela forneceu a Malu De Martino uma equipe altamente qualificada. A equipe, essencialmente feminina – feminista? -, inclui a diretora de fotografia Heloisa Passos, que filma em super 16 mm, usando a lente Ultra Prime – mais comum em equipamentos para 35 mm – em busca de uma alta definição da imagem. Tudo é feito no capricho. Malu sabe que está ousando. “Na maioria das vezes, o homossexualismo feminino entra na tela para estimular o voyeurismo masculino, como uma fantasia dos homens. O sexo faz parte da nossa história, mas estou falando de afeto, de sentimentos. Se a personagem de Ana Paula estivesse sofrendo por um homem, não seria diferente. Chegamos a pensar na mudança, mas por quê? Miriam teve a coragem de escrever seu livro, que é muito bonito, muito verdadeiro. Espero fazer um filme à altura, tão sincero quanto o livro dela.” A filmagem no Brasil já terminou. Como Esquecer terá agora mais uns dias em Londres, lá por agosto/setembro. Serão as cenas de Ana Paula com a ex, seus momentos de felicidade que serão vistos, não como flash-backs, mas filminhos domésticos.”
Em entrevista ao “The Mirror”, o ator Tom Hardy, que atualmente está em cartaz com o longa “A origem“, disse que já fez sexo com outros homens.
“Não entendo por que isso surpreeenderia alguém, já que acontece com a grande maioria dos atores. Há muita beleza em um corpo masculino“, disse Hardy, que afirmou já ter tido várias experiências, mas que as suas vivencias homossexuais estão no passado, quando ele ainda era jovem.
No momento, o moço está noivo da atriz britância Charlote Riley e é pai de um garoto de dois anos, que teve com uma ex-namorada.
Já pode ficar fã?
É exatamente o que eu ando pregando/dizendo por aqui. Se mais pessoas simplesmente admitirem que já fizeram sexo com outros homens… e se mais pessoas admitirem que isso, afinal, não é algo tão “importante” assim, quem sabe não começamos a ter que dar menos explicações, hein?
PS: Não vejo a hora de “A Origem” estrear em Floripa!
Muito interessante esse documentário que fala sobre as relações homoafetivas.
As distintas formas com que as pessoas se encontraram e se descobriram como homossexuais. Também aparecem temas como a adoção, a noção de família e/ou “parceria”.
Mesmo com a dublagem em espanhol, vale muito a pena!
Nos anos 70, o performático grupo carioca Dzi Croquettes desafiou a censura do regime militar com purpurinas e irreverência. Ícones da liberdade de expressão e do movimento gay, seus integrantes fizeram sucesso também na Europa. Fonte de influência para muitos artistas, a inovadora trupe é desconhecida das novas gerações. Para corrigir isso, estreia em boa hora o comovente documentário premiado pelo público na última Mostra Internacional de São Paulo.
Tudo teve início em 1972, quando amigos cansados da mesmice da cena cultural brasileira decidiram formar um conjunto. O ator Wagner Ribeiro e o coreógrafo americano Lennie Dale dividiam a liderança, mas todos os treze integrantes (Paulette, Cláudio Tovar, Cláudio Gaia e outros) contribuíam na criação dos shows. Vestidos de mulher ou em escandalosos trajes sumários, eles não eram bem drag queens — não tinham a preocupação de esconder a perna peluda ou a cara barbada. Sob o lema ‘o amor constrói’, misturavam números de dança ensaiados à exaustão, canções dubladas ou não, muito humor e uma boa dose de crítica social e política feita com escracho e ironia.
Com base em um farto arquivo de fotos e raras imagens em super-8, o filme revive a trajetória dos Dzi Croquettes e revela histórias (divertidas e tristes) de bastidores. Também foram entrevistados alguns membros e pessoas que conviveram com o grupo. Entre elas, o cantor Ney Matogrosso, a atriz Marília Pêra, o jornalista Nelson Motta e a estrela Liza Minelli, verdadeira madrinha deles na carreira internacional. Tudo é muito autêntico, a começar pelo envolvimento da codiretora, a atriz Tatiana Issa. Filha do cenógrafo Américo Issa, que pertencia ao grupo, ela cresceu entre os artistas e presta aqui uma sincera homenagem a essa tresloucada e impressionante família.
‘The Kids Are Alright’ chega aos cinemas brasileiros no dia 20 de agosto
Tendo estreado no último dia 09 nos Estados Unidos, em apenas sete salas, o filme arrecadou US$505 mil no final de semana resultando em uma média de US$ 73 mil por sala, considerada a segunda maior estreia de um filme exibido em sete ou mais salas e a 27ª maior estreia da história.
A partir desta sexta-feira, dia 16, o filme passará a ser exibido em mais salas nos Estados Unidos.
The Kids Are Alright acompanha a busca de Joni (Mia Wasikowska), filha do casal de lésbicas Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening), que ao completar 18 anos decide encontrar o pai biológico (Mark Ruffalo). O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 20 de agosto pela Imagem Filmes mas ainda não há um título nacional.
Para todos os adolescentes a primeira relação sexual é algo poderoso. Excitação, medo, prazer. Tudo misturado e confuso, pode-se dizer.
Agora imagine isso na cabeça de um adolescente.
Agora imagine isso na cabeça de um adolescente gay.
Agora imagine isso na cabeça de um adolescente gay muçulmano.
Pois é… não consigo imaginar. Por isso coloco este vídeo aqui abaixo. Gostei muito da delicadeza com que o diretor e roteirista Domingo Leclerc construiu o curta-metragem Protect Me From What I Want (Proteja-me do que eu quero – em tradução literal).
Atenção para a parte em que Daz (Tittensor Elliot) pergunta a Saleem (Naveed Choudry) o que ele está sentindo. São tantas sensações e sentimentos misturados que eu sempre fico me perguntando como é que a gente consegue dar o primeiro passo em direção aos nossos desejos.
Gostei muito do vídeo… espero que vocês também gostem!