Texto publicado em 2008 no blog coletivo NossaVia… me lembrei do filme e resolvi postá-lo aqui novamente já que as minhas observações sobre ele continuam valendo! Se não viu o filme ainda, veja… vale a pena!

Assisti ontem ao filme O Tempo que Resta (Le Temps qui Reste – 2005) do diretor francês François Ozon. Nele, o diretor conta a história de um fotógrafo em ascensão (Romain) que se descobre paciente terminal de câncer de uma hora para a outra. Uma simples e trágica história.
Não pretendo aqui escrever uma resenha sobre o filme (embora ele mereça uma!) e, por isso, caso você tenha interesse recomendo essa crítica aqui!
O caso é que eu já havia ouvido falar muitíssimo nesse filme. Havia visto vários trailers e lido várias coisas também. (Sim, sou fã do diretor!) E, é claro que depois de tanta expectativa, assistir ao filme foi meio “brochante”. Não que o filme seja ruim… não é, de maneira nenhuma! Mas talvez até mesmo por sua própria natureza.
Oras, o filme é tudo, menos melodramático… ele não nos oferece uma possível “catarse” sobre a morte. Não nos oferece “rios de lágrimas” sobre um tema tão “fácil” de emocionar. François Ozon e ator Melvin Poupad nos oferecem um tema difícil, de uma maneira radical e sem sentimentalidades. Sabemos que o personagem vai morrer e mesmo assim temos vontade de pegá-lo pelo pescoço e dizer “Pára”. Acompanhamos suas últimas ações e pensamos “o que eu faria?”, “porque ele não se abre com todos?” ou ainda “por que tem de ser assim?”.
Mas o grande trunfo do filme (para mim, obviamente!) é nos fazer pensar sobre o Tempo! Sobre essa grande força da natureza. Sobre como ele age em nossas vidas e muitas vezes nem nos damos conta. Sobre como, às vezes, é necessário que algo aconteça (dead lines – seja de que natureza for) para que nós tenhamos que colocar nossas vidas em movimento (Não é por acaso que o personagem do filme só consegue falar que está para morrer com sua avó que, segundo ele, está numa situação igual à sua!). Ou, por outro lado, como temos uma necessidade urgente de resolver coisas “no calor do momento”… coisas que só se resolverão com a ação inevitável do tempo.
Romain leva sua vida como quer, nunca havia parado para pensar nessas situações (creio eu!). Acha medíocre a vida levada por sua irmã com filhos e obrigações. Mas quando se dá conta de sua condição e após a “fúria” inicial, surge a necessidade (talvez ainda bastante confusa) de deixar um legado. Sobreviver ao tempo. Romain não terá “tempo” para isso. Ele sabe que o filho virá, mas não chegará a vê-lo.
O tempo é sucessivo porque, tendo saído do eterno, quer voltar ao eterno. Quer dizer, a idéia de futuro corresponde ao nosso desejo de voltar ao princípio. Deus criou o mundo. E todo o mundo, todo o universo das criaturas, quer voltar a este manancial eterno que é intemporal, não anterior nem posterior ao tempo, mas que está fora do tempo. (Jorge Luís Borges)
Nosso desejo de eternidade é, por que não dizer, adolescente. O que vai ficar de nós é algo talvez muito menos palpável do que imaginamos. Nosso rastro nessa existência é fugaz. Por outro lado imaginar que não faz diferença a “marca” que deixarmos é assumir uma postura niilista demais. Não somos eternos, é fato… mas não sairemos dessa vida impunes. Só o tempo há de presenciar isto!
“Ouça meu coração: ainda bate!”




Falar sobre a obra de Lars von Trier não é tarefa fácil. Todo mundo já meteu o bedelho em suas obras e em sua vida pessoal. Não se pode dizer que ele também não facilite as coisas. Volta e meia envolvido em alguma polêmica, foi um dos criadores do movimento 
DogVille
Dançando no Escuro

Um caldeirão que engloba garotinhas frágeis, clima de contos de fadas, referências Pop (desde ‘Alice no País das Maravilhas’, passando por Christina Ricci, Leonardo diCaprio, Björk, Jimmy Hendrix, entre outros), carne, sangue, numerologia, mitologia Budista e Cristã.
Mark Ryden vê o mundo com os olhos da ironia. Nos coloca frente a sensações dispares e parece se divertir com o que provoca.

Clube da Luta
Número 23
O Segredo de NeverWas

