Quando eu pensei em realizar o “Meme das Antigas” no final de 2010, eu estava realmente em dúvida se poderia ser uma coisa legal ou se seria extremamente brega… afinal, parecia aqueles “cadernos de oitava série”, ou seja, coisa de quem estudava em um tempo que ainda se usava “série’ para definir os anos.
Mas, ao contrário do que eu podia imaginar, um monte de gente bacana se juntou e tivemos a possibilidade de ler vários textos bacanas nessa espécie de “balanço” de fechamento do ano.E é por isso que ESTAMOS DE VOLTA!!!!!Embalado pelo fim do ano (pela depressão natalina? E pela encheção de saco do @Hipotermia) estou lançando oficialmente o “Meme das Antigas II – versão 2011

A idéia é blogar (desesperadamente, como se não houvesse amanhã) durante o mês de dezembro (sim, pode agendar os textos com antecedência) com os assuntos que seguem listados abaixo.

A regra principal é responder a todos os ítens abaixo e, claro, se divertir!!! O tamanho do post fica da necessidade, vontade, estilo, preguiça de cada um… e obviamente, pode ser intercalado com outras publicações dentro da temática de cada participante.

Quem quiser participar, deve fazer o seguinte:

1) Fazer um post no seu blog/tumblr divulgando o Meme;

2) Usar o selo deste post (“right click” e “save as”) e linkar o Pequeno Inventário;

3) Deixe o link do seu blog nos comentários, para que eu possa adicionar no final de cada postagem todos os que eu ficar sabendo que está participando (Sugiro que todos façam isso também e vamos ver com quem nos conectamos…)

4) Fazer os 15 posts propostos abaixo e postar nas datas sugeridas…

5) Se divertir escrevendo e lendo os posts dos “coleguinhas”!!!

O Meme das Antigas II começa no dia 01 de dezembro e vai até o dia 31!!! Participe… não, você não vai ganhar nenhum prêmio, mas espero que conheça pessoas legais que valem a pena se conectar por essa tal de internet! :)

Segue abaixo os temas e as datas (sugeridas) de postagem! Mãos à obra!!!!

Dia 01/12 – Peraí… 2011 tá acabando?
Dia 03/12 – Mas 2011 ainda não acabou, ainda vou tentar…
Dia 05/12 – Meu filme preferido em 2011
Dia 07/12 – Meu site/blog preferido em 2011
Dia 09/12 – Um vídeo do YouTube em 2011
Dia 11/12 – Meu livro favorito em 2011
Dia 13/12 – Minha música favorita em 2011
Dia 15/12 – Meu melhor e meu pior dia de 2011
Dia 17/12 – Em 2011 eu pela primeira vez…
Dia 19/12 – Em 2011 eu pensei em fugir para…
Dia 21/12 – Em 2011 eu tentei…
Dia 23/12 – Em 2011 eu consegui…
Dia 25/12 – O bom de 2011 foi…
Dia 27/12 – O problema de 2011 foi…
Dia 29/12 – Uma foto minha em 2011
Dia 31/12 – E 2012?

Filed under: Futilidade! | MaxReinert | November 28, 2011 Comments (0)

Já há algum tempo, tenho vontade de escrever sobre o tal do “casamento”. Ela, a vontade, começou quando fui convidado para ser padrinho na união est, digo, casamento dos meus amicíssimos Cristóvão e Galvani (fotos que ilustram o post). E retornou agora, quando a Ana Kormanski me enviou este vídeo:

Entre esses dois acontecimentos (uma campanha – vídeo ficcional e uma festa real), um fato em comum: a normalidade da convivência. Seja entre os noivos, seja com a família dos noivos, seja com a comunidade que conhece e reconhece no casal o desejo e a concretude do relacionamento de ambos.

Quem esteve presente na cerimônia que oficializou a união dos meus amigos (depois de 10 anos de convivência, ou seja, casamento não oficial) pode perceber que a expectativa/relação entre todos os presentes (parentes, amigos, crianças, gays, heteros, moderninhos, conservadores…) era a mesma: celebrar a união de duas pessoas que se amam.

Duas pessoas que construíram uma história juntas e passaram por uma quantidade imensa de acontecimentos (bons e ruins) que fortaleceu o desejo de continuarem juntos.

Não se tratava naquele momento de um “casamento gay”. E eu fiz questão de frisar isso quando falava durante a cerimônia. Se tratava de “pessoas”. Indivíduos. Cidadãos. De amor (por mais clichê que isso possa soar). E de direito (que naquele caso ainda não é completamente igual, posto que eles  ”possuem” é uma “união estável”).

Ou seja, talvez o que esteja faltando a alguns políticos brasileiros seja esta “convivência” com pessoas gays. Talvez eles estejam julgando todas os cidadãos gays brasileiros a partir de, única e exclusivamente, sua ignorância. Essa é a única resposta possível para validar alguns de seus argumentos (aquele papo chato de “destruir a família”e bla-bla-blá).

Ou talvez, nós possamos seguir o exemplo da Austrália, que criou o “GetUp! – An independent movement to build a progressive Australia and bring participation back into our democracy”. Que acham? Vamos construir o país que queremos? Ou vamos nos entregar aos xiitas cristãos?

Filed under: Pensando! | MaxReinert | Comments (1)

Do blog “Delas“, por Paulo Adamo Idoeta, BBC Brasil em São Paulo

Quando CJ tinha dois anos e meio, sua mãe percebeu algo diferente. Ele preferia bonecas Barbie e fantasias de princesas aos tradicionais brinquedos de menino.

A mãe se alarmou e procurou ajuda especializada, mas decidiu não reprimir o comportamento de CJ, nem esconder a preferência do filho.

Ao contrário: levou o tema para a internet, com o blog Raising My Rainbow – Adventures in raising a slightly effeminate, possibly gay, totally fabulous son (“Criando meu arco-íris – As aventuras de criar um filho incrível, levemente afeminado, possivelmente gay”; clique aqui para ler – em inglês).

A mãe, uma californiana que se identifica apenas como “CJ’s mom”, compartilha com leitores suas dúvidas e descobertas no dia a dia de CJ, uma criança que especialistas chamam de “gender non-conforming”, ou seja, que não se encaixa em um estereótipo claro de gênero.

O caso de CJ é um entre dezenas de outros pais norte-americanos que, diante de filhos que gostam de brinquedos associados ao gênero oposto ou que desde pequenos se declaram como sendo do sexo oposto, decidiram não esconder o assunto. Têm, em vez disso, vindo a público em livros, blogs e entrevistas, aumentando o debate em torno do assunto nos EUA.

Para esses pais, o objetivo é mostrar que não têm vergonha de sua prole e, sobretudo, tentar promover a tolerância, para proteger seus filhos de preconceito e das agressões físicas e psicológicas comumente sofridas por pessoas com dificuldade em se adequar a padrões claros de gênero.

A jornada dessas famílias costuma ser repleta de angústia, incertezas e questionamentos – inclusive quanto a tratamentos hormonais às vezes indicados para as crianças.

Crianças como CJ são as que definem a si próprias, às vezes em seus primeiros anos de vida, “fora das tradicionais (classificações) de menino ou menina”, explica o livro Gender Born, Gender Made, da médica Diane Ehrensaft.

Isso não quer dizer que elas vão se tornar homossexuais. “Gênero e sexo são coisas completamente separadas”, explica à BBC Brasil a médica Jennifer Hastings, especialista ligada ao centro americano Gender Spectrum. “Se sou um homem transgênero, posso me interessar sexualmente por outro homem, por uma mulher ou por ambos”.

Mas como se manifesta essa desconformidade de gênero em crianças?

Alguns casos são semelhantes aos de CJ: uma criança que costuma dar mais interesse aos brinquedos e às atividades relacionadas ao sexo oposto. Mas há as que vão além e, desde cedo, insistem em que nasceram no corpo errado.

Quanto aos motivos disso, não há consenso entre especialistas, que estudam causas em alterações cerebrais, genéticas ou hormonais.

Uma dessas crianças é Jackie, de 10 anos, nascido Jack em Ohio. Em entrevista recente à rede de TV americana ABC, seus pais contam que, com um ano e meio de idade, ele se recusava a usar roupas de meninos. Uma semana antes de completar dez anos, com lágrimas nos olhos, ele chamou os pais e disse: “Não posso mais viver assim. Sou uma menina”.

Desde então, a família ajuda Jack em sua transição para Jackie, permitindo que a agora menina use roupas femininas e se apresente assim ao resto da família.

A decisão não foi fácil. Os pais sofreram críticas dentro e fora da própria família, e temem o preconceito que Jackie deve enfrentar no mercado de trabalho e em suas relações pessoais futuras.

Pais consultados pela BBC enfrentam dúvidas semelhantes e dizem que, ao mesmo tempo em que receberam respostas positivas à iniciativa de lançar blogs e livros, também encampam uma luta diária para defender seus filhos e a decisão de se abrir a respeito disso.

Questionada sobre por que decidiu contar sua história na TV, a mãe de Jackie, Jennifer, respondeu à ABC: “Não acredito que nós tenhamos que nos esconder. A qualidade de vida dos transgêneros pode melhorar se soubermos mais a respeito”.

O pensamento é parecido ao da mãe de CJ, que começou a escrever seu blog Raising My Rainbow para buscar pessoas em situações semelhantes e para advogar por seu filho, prevendo as dificuldades que ele deve enfrentar ao crescer.

“Me preocupo muito com o futuro dele. Quero criar uma pessoa confiante, que possa lutar pelos seus direitos e pelos das outras pessoas”, disse a mãe à BBC Brasil.

No blog, ela diz que, ao permitir que CJ se expresse como deseja, está dando a ele “o melhor presente de sua vida: a liberdade de ser quem ele foi feito para ser”.

“Não estou aqui para mudá-lo; estou aqui apenas para amá-lo”, prossegue.

Nos EUA, o assunto ganha evidência com entrevistas como a de Jackie e sua família, com blogs como o Raising My Rainbow e com o lançamento de livros como “My Princess Boy”, de Cheryl Kilodavis.

Kilodavis é mais uma mãe que se surpreendeu quando seu filho caçula, Dyson, se interessou por vestidos de princesas. A princípio, ela resistia. “Não, princesas são meninas”, dizia ela. Ao que o menino respondeu: “Então, eu sou um menino princesa”.

Daí nasceu o livro, criado por Kilodavis como uma espécie de manual para as pessoas que conviviam com Dyson, com um pedido para que não o discriminassem. Ela não sabe se seu filho será uma criança transgênera – até o momento, ele se enxerga como menino -, mas diz que escreveu o livro (a ser lançado internacionalmente em 2012) para promover a aceitação de “qualquer tipo de diferença”.

“Queremos apoiar e amar nossos filhos, não escondê-los e calá-los, destruir seu espírito”, diz ela à BBC Brasil.

A história recebeu ampla divulgação nos EUA, e Kilodavis tem feito desde então uma série de entrevistas e palestras no país. “Para ser aceito (pelas diferenças), é preciso se expor”, justifica.

Para a autora, um dos motivos pelo qual o livro se tornou tão comentado foram casos cada vez mais comuns de suicídio e tentativa de suicídio no país entre pessoas – adultos e crianças – que não se encaixam em definições claras de gênero e comportamento.

“Se você continua dizendo que a criança está errada (em seu comportamento transgênero), ela vai desaparecer em si mesma. E isso é difícil de desfazer”, opina Jennifer Hastings.

Há casos em que o interesse por brincadeiras do sexo oposto passa com o tempo; há outros em que esse comportamento pode ter uma causa psicológica que, se investigada com ajuda de especialistas, pode ser identificada e trabalhada, explica o psicólogo brasileiro Rafael Cossi. Cada caso é um caso. E há muitos em que a criança parece estar manifestando, sim, que é transgênero.

No caso de Jackie, isso significou não apenas vestir-se como uma menina, mas também começar a tomar bloqueadores hormonais, que impeçam que seu corpo masculino se desenvolva na puberdade. O passo seguinte será ingerir hormônios femininos. Quando for mais velha, ela pode optar por fazer uma cirurgia de mudança de sexo.

A questão está longe de ter consenso entre os médicos, e há uma ala que critica a alteração de hormônios em crianças tão jovens.

A médica Diane Ehrensaft, por sua vez, defende que o procedimento pode ser revertido, se a criança assim desejar.

Em meio a polêmicas e preconceitos, especialistas e famílias consultados pela BBC Brasil afirmam que o tema tem sido tratado mais abertamente – até mesmo no Brasil, onde o aconselhamento a transgêneros é ainda raro em caso de crianças.

“À medida que a sociedade tolera mais os gêneros intangíveis, com suas diferenças, essas pessoas conseguem circular com mais facilidade”, diz Rafael Cossi, autor de “Corpo em Obra”, que trata do transexualismo.

Para Ehrensaft, porém, o crucial continua sendo a aceitação familiar. “As dificuldades (para pessoas transgêneras) ocorrem o tempo todo. Muitas crianças se sentem tristes por não terem nascido com o sexo que queriam e chegam a perguntar ‘Por que Deus errou (meu gênero)?’. Mas nada é pior do que a rejeição dos pais. Nesse caso, os resultados são realmente dolorosos”.

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | November 1, 2011 Comments (5)

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