“Eu acho que a grande revolução, que está por ser feita, é a coexistência pacífica entre todas as pessoas. Independente de preferência sexual, de cor, de sexo, de credo…”

Se Deus existe, gostaria que ele me permitisse chegar a minha velhice com a mesma serenidade, inteligência e sanidade que Ney Matogrosso. Em entrevista ao programa da Hebe (Rede TV) ele solta o verbo sobre milhares de assuntos, desde sua relação com as drogas, passando pela sexualidade e afirmando veementemente que nunca mais votará no PT.

A entrevista acaba ficando um pouco longa… mas Ney solta algumas pérolas de sabedoria, como essa acima que eu usei para abrir o post. Aguardemos, pois, a revolução!

E, em relação à sua negação de ser um ícone gay, ele se colocou super bem, dizendo que “para o sistema, seria muito fácil me colocar um rótulo gay… eu estaria explicado…resolvido“… “e eu gosto é de tudo misturado“!!!

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | July 18, 2011 Comments (5)

No último dia 12/07, o diplomata Alexandre Vidal Porto deu entrevista para o Programa do Jô, falando, entre outras coisas, do texto de sua autoria publicado na Folha de SP, no dia da Parada Gay daquela cidade. A entrevista e o texto chamam atenção pela qualidade de sua “aparência”. São extremamente polidos e bem executados, mas em contrapartida parecem carregar em si uma mal disfarçada “necessidade de aceitação” da homossexualidade pela sociedade.

Para pensarmos sobre eles, seria interessante que possamos ter lido/visto ambos antes de continuarmos. Por isso:

Não é preciso ser diferente para ser gay
por ALEXANDRE VIDAL PORTO para Folha de São Paulo

Associar a homossexualidade à transgressão e ao excesso pode ter valor estético, mas tem efeito negativo sobre o ritmo do processo político

Os homossexuais podem se tornar invisíveis. É só saberem dissimular ou mentir. Quando a primeira Parada Gay de São Paulo surgiu, um de seus objetivos era, justamente, dar visibilidade à parcela da comunidade LGBT que queria afirmar sua existência e entabular um diálogo com a sociedade.

O viés era político. O slogan da parada, “Somos muitos e estamos em todas as profissões”, equivalia a uma apresentação. Os manifestantes queriam mostrar quem eram e o que faziam. Reclamavam participação no processo jurídico-social e pediam proteção contra o preconceito e a discriminação. Eram 2.000 pessoas, e o ano era 1997.

Desde sua primeira edição, no entanto, o aspecto político do evento foi cedendo espaço ao carnavalesco. A Parada Gay de São Paulo transformou-se em uma grande festa. A maior de seu gênero no mundo. Atrai número de pessoas equivalente à população do Uruguai.

Movimenta centenas de milhões de reais. A expectativa é de que traga mais de 400 mil turistas à cidade.

Explica-se o fenômeno da carnavalização da Parada com o argumento de que os gays são “divertidos”. A utilização desse estereótipo, contudo, contribui para mascarar a irresponsabilidade cívica e a alienação política de parte da comunidade LGBT.

Carnavalizar é fácil e agradável, mas é contraproducente.

O estilo exagerado que alguns participantes preferem adotar é legítimo e respeitável. Mas presta um desserviço para o avanço dos direitos à igualdade. O caráter festivo e a irreverência tiveram valor simbólico em um tempo em que a rejeição social contra a homossexualidade era incontornável. Acontece que as coisas mudaram.

Os milhões de pessoas que comparecerão ao evento na avenida Paulista deveriam ter presente a responsabilidade cívica de conquistar corações e mentes para a sua causa. O aspecto político da Parada exige certa sobriedade, ao menos em respeito às vítimas cotidianas da homofobia, no Brasil e no mundo. Hoje, o peso do discurso político tem de ser maior que a vontade de dançar.

A aceitação da homossexualidade pela opinião pública está vinculada à convivência com pessoas abertamente gays. Mostrar-se é importante. Nessa batalha, é mais estratégico exibir a semelhança. É mais difícil para o mundo identificar-se com o ultrajante.

Não se trata de exibir a orientação sexual, mas de garantir o direito pleno à liberdade de exercê-la. Associar o conceito da homossexualidade à transgressão e ao excesso pode ter valor estético, mas tem efeito negativo sobre o ritmo do processo político.

Para gente que cresceu com uma escala de valores antagônica aos direitos humanos dos LGBT, o comportamento escandaloso exibido tradicionalmente nas paradas equivale à retórica raivosa de um Jair Bolsonaro. O papel da Parada é mostrar que os homossexuais são serem humanos comuns, que têm direito a proteção e respeito, como qualquer outro cidadão.

Ninguém precisa ser diferente para ser gay. Não é necessário transformar-se na caricatura de si mesmo.

ALEXANDRE VIDAL PORTO, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA), é diplomata de carreira e escritor.

Chamei a atenção para o bom “acabamento” do discurso de Alexandre porque eu mesmo, num primeiro momento, fiquei seduzido por sua fala doce e sua lógica. Mas, parando para olhar um pouquinho mais de longe, comecei a estranhar alguns termos e colocações tão gentilmente colocadas.

Meu primeiro choque foi sua proposta de “nos tornarmos invisíveis”. Ora, nós já somos invisíveis. Ou, pelo menos, é o que a maioria da população quer que aconteça. Quantas vezes já escutamos a sentença “O que eles fazem entre quatro paredes não me interessa, mas na rua, que se comportem”?  Quantas vezes somos obrigados a frequentar clubes/boates em lugares com “menos visibilidade” porque não é de bom tom que um professor/médico/advogado seja visto entrando num local gay?

Depois, o discurso segue pregando a necessidade de sermos “comuns”, de não exibir nosso “comportamento escandaloso” e termina por atacar aos homossexuais chamando-os TODOS de alienados politicamente e solicita que não sejamos “caricatos” e afirma que caímos na armadilha da “transgressão”. Na minha opinião, Alexandre é quem cai na armadilha da “generalização”. Ele, na ânsia de provar que “estamos todos indo no caminho errado” acaba por não ver a DIVERSIDADE que a comunidade gay representa.

Não há dúvidas de que a generalização é uma das formas mais tristes e eficazes (porque não dizer) de dominação. Tratar aos homossexuais como “aqueles de peruca azul e sapato plataforma” é sim, contraproducente. Ao mesmo tempo, não somos todos “diplomatas”. Não somos todos “iguais”. Existe sim uma gama de “opções” de postura e visibilidade que DEVE ser respeitada.

Não estou aqui para “defender” a Parada Gay de SP. Acredito que os organizadores da mesma saibam da sua atual situação e se mostram preocupados em retornar a um viés mais político que ela já teve algum dia. Mas, talvez o que falte na Parada de SP é “contraste”… Encontrar os momentos de discussão política, da atuação precisa e reivindicação claras. E encontrar também os momentos de transgressão estética (só para usar os termos do próprio Alexandre).

Ou, talvez ainda, aqueles que fazem a cobertura da Parada poderiam escolher mostrar a variedade que existe lá e não mostrar somente as mesmas fotos dos carros e drag queens que, vamos admitir, ficam muito mais “exuberantes” nas capas dos jornais e portais.

Alexandre gosta tanto de New York, mas parece esquecer que as paradas americanas também são famosas pela participação dos Bears e Leathers, da galera de moto e das sapatonas com os peitos de fora!!! …. e nem por isso a participação política deles é menor ou esvaziada por causa disso.

Em todas as poucas vezes que participei de alguma parada, fui vestido da mesma forma que me visto no dia-a-dia. Não vou colocar um terno e gravata somente para aparentar mais “sociável”. Minha luta árdua (pessoal, ideológica e profissional) foi, e continua sendo, para descobrir minhas “especificidades”. Minha busca é descobrir o que me torna um ser humano único e de que forma eu posso “contribuir” para que a sociedade aceite a diversidade que a espécie humana contém.

Impor normas de vestimento/conduta/comportamento é uma idéia tão reacionária e fascista que fica até difícil assimilar que ela possa ter saído de um homem com uma aparência tão “sociável” quanto a de Alexandre.

Em nenhum momento da minha vida tive como “ideal” me tornar igual aos outros somente para ser aceito. Pelo contrário, em todas as vezes que afirmei minhas “diferenças” foram os momentos em que pude debater e dialogar sobre as minhas reais necessidades e as daqueles com quem me relacionava.

Moldar-se aos desejos dos outros na busca pela aceitação é uma atitude hipócrita. Aprender a exercitar a convivência a partir da diversidade de existências é, na minha opinião, mais difícil… mas também, mais honesto.

Filed under: Conscientizando!,Pensando! | MaxReinert | Comments (8)

Sabe quando você acorda com o pé esquerdo (olha o canhotismo aí, minha gente!) e está com vontade de mandar um recado para todos os malafaias e bolsonaros do MUNDO! Pois é… Ontem foi o dia de ressuscitar fotos e o vídeo do menino que pela primeira vez teve contato com um casal gay e hoje (talvez até motivado pelos comentários do vídeo) vai ser o dia de ressuscitar essa mistura de “pérola de gentileza com cruzado de direta no queixo” !!!!

Enjoy!

E aproveite para mandar para AQUELE amigo tãããããão especial…..

Filed under: Futilidade!,Indicando! | MaxReinert | July 13, 2011 Comments (0)

É engraçado como o mundo se repete. A história parece, cada vez mais, repetir ciclos…sejam eles de liberdade e avanços, sejam eles de retrocesso e medo.

Dia desses, brincando um pouco no Google+, comecei a acompanhar algumas postagens do Ernando Cabral com fotos antigas de soldados e cidadãos gays (as fotos que ilustram esse post!). São fotos sutis, onde homens demonstram afeto por outros homens. Em muitas delas, nem se pode afirmar que há realmente uma relação homossexual.

Vendo as imagens, a primeira coisa de que me lembrei foi de uma passagem do livro “Triângulo Rosa – Um Homossexual no Campo de Concentração Nazista” (que eu já resenhei aqui no NoGhetto) onde o autor contava que durante um bom tempo, antes da segunda guerra, ele e seu companheiro viviam como um casal e toda a comunidade em que eles estavam inseridos sabiam de sua relação. Aliás, foi essa “pretensa liberdade” que eles tinham que pesou para sua condenação mais tarde quando os nazistas fizeram valer uma lei arcaica que proibia a homossexualidade.

A segunda coisa que me chamou a atenção, vendo as fotos sendo postadas, foi a imediata reação dos seguidores de Ernando. Era visível o “quase” mal estar que aquelas fotos causaram em alguns, a curiosidade em outros (eu , inclusive) e a necessidade de apoiar a iniciativa em outros ainda. Os comentários jocosos não demoraram a aparecer (Ihhhh, pega mal!), assim como alguém que fez a pergunta diretamente (Qual o motivo de postar essas fotos?) e outros que, como eu, decidiram esperar para ver no ia dar “aquilo”.

Antes de mais nada, é necessário explicar que eu não conheço o Ernando. Eu não sei como passei a ter Ernando em um dos círculos do G+… e olhando no seu perfil, fiquei sabendo que ali diz que ele é “casado”… e não se especifica com quem! rs… Mas, o que eu mais gostei foi da sua resposta a “polêmica” levantada… algo do tipo “recuperando/divulgando fotos antigas”.

E foi nesse momento em que ele ganhou meu respeito. Há momentos em que o que eu mais peço à Deus (se é que ele existe…) é que as polêmicas me esqueçam! É que os evangélicos vão cuidar de suas vidas e deixem que os gays (e os ateus e os muçulmanos e os pervertidos e os pedófilos – já que eles gostam de incluir todos na mesma lista – cuidem das deles). Há momentos em que eu peço é que a justiça cuide dos assuntos da justiça e que os pastores cuidem de seus rebanhos.

Seria muito simples se as pessoas pudessem fazer um exercício simples de se importarem somente daquilo que lhes diz respeito. Que pudéssemos deixar a hipocrisia de lado e assumirmos que não nos importa o que os outros pensam. Você quer ensinar dentro da sua igreja que a homossexualidade é pecado? Ensine… mas ensine também que agredir a alguém na rua por sua orientação sexual é crime. Você quer ter o direito de gritar aos quatro ventos que odeia o homossexualismo (sic!)? Grite… mas saiba que você terá que ouvir que você é um idiota retrógrado e preconceituoso! Se você tem o direito de dizer tudo o que pensa, dê aos outros esse mesmo direito.

Você pode ter o direito de viver em pé de guerra com o mundo… mas estude, olhe as fotos e perceba uma coisa: A homossexualidade sempre existiu e sempre existirá! Você pode se debater e gastar seu tempo e sua energia tentando negar essa realidade. O mundo não acabou em todo esse tempo porque sempre nascerão pessoas que são heteros e pessoas que são gays.  Assim como sempre nascerão pessoas que não tem vontade de ter filhos e pessoas que amam gerar outra vida.

Eu já resolvi, vou tentar a indiferença em relação a quem me odeia… sem nem me conhecer. E se você ainda não se convenceu, veja o vídeo abaixo, nele há uma das maiores verdades que existe: Quem não é criado com preconceitos, não preconceitua aos outros.

Filed under: Pensando! | MaxReinert | July 11, 2011 Comments (43)

No dia 12 de abril de 2011, convocamos uma unidade em nome dos direitos humanos. A todos que, independente de orientação sexual, raça, credo e sotaque, aos que acreditam na tolerância, compaixão e respeito pelo próximo, pedimos fotos com uma só mensagem: #eusougay. Essa é a resposta:

O projeto continua além do vídeo! Coloque sua foto na nossa galeria: http://projetoeusougay.tumblr.com/

Filed under: Conscientizando!,Indicando!,Visibilidade! | MaxReinert | July 9, 2011 Comments (0)

Como vou explicar?… é um jogo de palavras onde se acentua que ser “straight” (hetero em português, mas “em linha reta”, “direto” em inglês) não pode ser desculpa para ser “Narrow” (estreito em português) de pensamento.

Basicamente é uma campanha (mais uma?) voltada aos homens heterossexuais para conscientiza-los de que você pode ser “um cara, que fala com caras que gostam de outros caras”. Na verdade acaba sendo até um “desenvolvimento” das campanhas anteriores, buscando conscientizar e esclarecer um “público alvo” distinto das anteriores.

Com o lema “Hetero, gay, e tudo o que está entre… por que isso importa?” a campanha se direciona aos jovens heterossexuais que cometem/ou podem cometer o bulling em relação aos outros.

Criada de forma bem humorada, os textos dos vídeos já disponíveis repetem certos clichês que, não sei como, ainda não foram absorvidos pela população heterossexual. Desde os mais básicos (O comportamento de outras pessoas não vai influenciar o seu comportamento) até alguns bem “diretos” (Vai sobrar mais mulheres para gente!). Questionável? Pode até ser, mas bem intencionado e procurando dialogar diretamente com os jovens.

No final, as questões mais importantes são finalmente colocadas:

“Existe um monte de pessoas com as quais você pode se relacionar. E sim, nós somos todos diferentes entre si. Mas, acredite, são essas diferenças que nos tornam interessantes. Por que iríamos querer sermos todos iguais? Qual é a graça nisso?

Seja você mesmo. Isso é o bastante para nós!”

Veja alguns vídeos da campanha, infelizmente não encontrei legendados:

Vi primeiro aqui: Blogy, de André Mans!

Filed under: Conscientizando!,Indicando! | MaxReinert | July 2, 2011 Comments (5)

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