Quando eu digo que “o preconceito é uma coisa terrível”, temos a tendência de olhar para os outros e concordar com essa afirmação. Mas, e quando essa frase é utilizada para olhar também para o grupo ao qual fazemos parte? É necessário coragem para dizer coisas que podem nos isolar até mesmo daqueles que convivem conosco em nosso próprio gueto.

Muito interessante os posicionamentos do pastor Ricardo Gondim. Quantos de nós tem coragem de olhar para dentro da própria comunidade e erguer a voz quando percebe os equívocos que são cometidos?

Um pregador na berlinda

Líder da Igreja Betesda, o pastor Ricardo Gondim fala com exclusividade ao O POVO sobre as controvérsias que se envolveu recentemente e reafirma seu medo do País virar evangélico

Publicado no O Povo Online em 28.05.2011| 17:00 por Émerson Maranhão emerson@opovo.com.br

O pastor Ricardo Gondim tem o dom da oratória., E da polêmica. Na semana que passou, o presidente nacional da igreja Betesda, cearense radicado em São Paulo há 20 anos, deixou de ser colunista da revista evangélica Ultimato por defender o reconhecimento legal de uniãões homoafetivas.

Antes de publicizar sua opinião sobre a necessidade da igreja não se intrometer no funcionamento do Estado laico, o pastor Gondim já havia causado estranhamento em alguns setores evangélicos ao questionar o modo como eles entendiam a soberania Divina. E em seu site (www.ricardogondim.com.br) publicou um artigo revelando o temor que um dia os evangélicos tomem o poder no Brasil (leia trechos nesta página).

Nesta entrevista exclusiva ao O POVO, concedida por telefone na última sexta-feira, o pastor justifica seus posicionamentos, reafirma suas posturas e declara: “O Brasil não se tornará melhor com o crescimento do Movimento Evangélico.”

OPOVO – O senhor causou polêmica ao defender publicamente a regulamentação de uniões homoafetivas no Brasil. O senhor mantém esse pensamento?

Ricardo Gondim – Não é uma questão de pensamento. É uma questão de lógica e eu repito o que disse. Em um estado laico, a lei não pode marginalizar ou distinguir homens ou mulheres que se declarem homoafetivos. Há que se entender que num estado laico não podemos confundir teologia, convicções pessoais, com o ordenamento de leis de um país. Não podemos impor preceitos religiosos para toda a sociedade civil. Se os preceitos são meus, você tem o direito de não adotá-los. Foi assim que me posicionei sobre essa questão do STF, que, a meu ver, agiu corretamente garantindo o direito de um segmento de nossa sociedade.

OP – Além do posicionamento a favor da regulamentação de uniões homoafetivas, há outros pontos polêmicos em declarações recentes suas. Uma das críticas que setores evangélicos fazem ao senhor diz respeito à sua opinião sobre a soberania Divina. Eles dizem que o senhor passou a pregar que Deus não é soberano.

Ricardo – O que acontece é que eu descarto a teologia que se difundiu sobre a soberania de Deus. Por essa teologia, Deus tem o controle absoluto de todas as coisas. E as pessoas não estão dispostas a entender que o corolário desse pensamento, o que dele decorre, é que até o orgasmo, o gozo do pedófilo, ou os horrores de Auschwitz (um dos mais conhecidos campos de concentração nazista) estão na conta de Deus, sob a alegativa de que Ele é soberano. Se as pessoas estão dispostas a entender assim, esse Deus é um monstro, não um Deus de amor. A minha leitura da Bíblia é a partir de Jesus Cristo, que é um Deus de amor, e não de Deus títere, que é responsável por chacinas, atrocidades, limpezas étnicas. A história segue não porque Deus a controla, a história segue porque somos personagens livres e nos comportamos com desobediência à vontade de Deus. É por isso que existem a miséria, os crimes, a exclusão. Porque Sua vontade é contrariada. As pessoas não estão dispostas a lidar com esses conceitos, preferem se amparar na Soberania, que nos rouba a nossa responsabilidade na história.

OP – Recentemente, o senhor publicou no seu site o artigo Deus nos livre de um Brasil evangélico (leia trechos ao lado), onde demonstra o seu temor que o segmento chamado Movimento Evangélico chegue ao poder no Brasil e aponta uma série de razões para isso. Como esse artigo foi recebido?

Ricardo – Foi muito mal recebido. Porque há, sim, um segmento no Brasil, que se auto-denomina Movimento Evangélico, que difunde a ideia de que se os evangélicos se multiplicarem no País, se houver um número suficiente para dominar a política, as leis, se chegarem ao poder, o Brasil será um País melhor. Isso é um ledo engano. O Brasil não se tornará melhor com o crescimento do Movimento Evangélico. Porque esse crescimento não significa por si só o crescimento dos valores do Reino de Deus, que são a justiça, a inclusão que dos que estão à margem, o amor. Esses valores não são prioridade para o Movimento Evangélico. Até porque, o número crescente de evangélicos também estará absorvendo outros valores como a cobiça, a injustiça social, o desejo de crescimento financeiro e de poder. Esta última tentativa de interferência no ordenamento do STF é um exemplo desse projeto de poder.

OP – O senhor se refere à votação da regulamentação das uniões homoafetivas?

Ricardo – Sim. Eles ficaram numa campanha interna, enviando mensagens pressionando os ministros para que votassem contrários à união homoafetiva. E ficavam conclamando seus fieis para fazer o mesmo. Isso em um estado laico é um absurdo. A mesma coisa está acontecendo agora no Congresso Nacional.

OP – O senhor fala da atuação da bancada evangélica na suspensão, por parte do Governo Federal, da distribuição do kit anti-homofobia nas escolas?

Ricardo – Exatamente. Falo de uma das maiores aberrações éticas que já surgiu neste País nos últimos tempos. Em nome de blindar um ministro que está suspeito de enriquecimento ilícito, que está tendo que explicar o aumento meteórico de seu patrimônio, negociou-se a questão do kit anti-homofobia. Isso mostra do que esta bancada, que se diz evangélica, que diz representar os evangélicos, está disposta a negociar. Em nome desse projeto de poder que eu falei anteriormente, negociou-se um projeto de grande valor para esse País. Isso é lamentável, completamente lamentável.

OP – O senhor encontra ressonância para esse tipo de discurso na comunidade evangélica ou sua fala – assim como o pensamento por ela representado – é dissonante?

Ricardo – Não é dissonante, de maneira nenhuma. Existe um grande grupo que concorda com esse pensamento e que caminha nessa linha. Embora eu esteja em baixo de grande percepção por conta de grupos intolerantes e fundamentalistas, tenho me surpreendido com o número de evangélicos que me dizem para continuar.

OP – O senhor se arrepende de ter se manifestado publicamente sobre essas questões?

Ricardo – Não. Absolutamente. Eu continuo repetindo o que disse. As minhas convicções não são intempestivas, são frutos de amadurecimento teológico. O estado é laico, e é importante que se mantenha assim. Num estado laico todos os grupos são protegidos, até os religiosos.

Filed under: Indicando! | MaxReinert | May 31, 2011 Comments (7)

Leandro Karnal conduz, a partir do dia seis de junho, um curso sobre a história da homossexualidade na Casa do Saber. O módulo aborda as contradições e sentimentos distintos que o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo despertou ao longo do tempo: estimulado ou tolerado na Antiguidade Clássica, condenado abertamente pelos monoteísmos (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo) e estudado como doença a partir da Inglaterra Vitoriana.

Vale lembrar que parte das aulas da Casa do Saber podem ser acompanhadas via twitter: @casadosaber.

UMA BREVE HISTÓRIA DA HOMOSSEXUALIDADE
06 JUN | 1. Homossexualidade e História
Grécia e Roma – as relações homoeróticas. As religiões monoteístas e a condenação da homossexualidade. A Bíblia, o Corão e a prática homossexual
13 JUN | 2. De degeneração moral a doença individual
A homossexualidade nos séculos 19 e 20
20 JUN | 3. Da tolerância à celebração
Stonewall, “orgulho gay” e debates contemporâneos
27 JUN | 4. Alexandre Magno, Sócrates, Ricardo Coração de Leão, Leonardo da Vinci,
Michelangelo, Schubert, Oscar Wilde, Zumbi dos Palmares
Afinal, todo mundo é gay? Debates sobre a leitura de personagens históricos e sua sexualidade. Homossexualidade

Início: 06 JUN
Duração: 4 encontros semanais
Dias/horários: Segundas-Feiras, às 20h (06/06, 13/06, 20/06, 27/06)
Valor: R$ 210,00 na inscrição + 1 parcela de R$ 210,00
Observações: Das 20h às 22h

Leandro Karnal é doutor em História Social pela USP.

CASA DO SABER
www.casadosaber.com.br
www.twitter.com/casadosaber

Filed under: Indicando! | MaxReinert | May 30, 2011 Comments (0)

Sempre que alguém anuncia uma ação que envolva a questão da “condição homossexual” eu tenho medo de ver um trabalho que contribua para a construção de mais um monte de clichês a partir da “super valorização da homossexualidade”.

Explico: em tempos de tanta agressão aos homossexuais, dessa verdadeira “caça à bruxas” (que nada mais é do que o reflexo pela tão esperada equiparação de direitos), é comum que os discursos sejam cada vez mais inflamados e busquem “defender com unhas e dentes” seu direito à existência. É normal, sim… mas não contribui.

Por isso, fiquei extremamente feliz ao assistir hoje pela manhã, quando chegou até mim pelo facebook, o curta metragem “Não gosto dos Meninos” (veja o vídeo e a ficha técnica abaixo).

Nele, não vamos encontrar nenhuma “apologia à homossexualidade” como gostam tanto de pregar certos deputados federais. O que encontramos é um grupo de pessoas falando de suas experiências de vida, de seus medos, frustrações e principalmente de como pode ser libertador você ser fiel “a quem você realmente é”.

No vídeo, encontramos vários depoimentos que deixam claro que a ignorância acerca da homossexualidade é uma questões que mais contribuem para o aumento da homofobia (seja ela externa ou, até mesmo, internalizada).  Essa ignorância se manifesta de distintas formas, e uma delas é a falta de imagens positivas (e eu venho batendo nesta tecla há muito tempo), de pessoas seguindo em paz com suas vidas: trabalhando, comendo, namorando, dançando, pintando, cantando, etc…

Pode parecer que eu esteja defendendo um culto à mediocridade… mas convenhamos, nem todos almejam ser o “super-gay-baladeiro-artista-intelectual-cult-marginal”. E até pouco tempo, nós tínhamos apenas essas poucas opções:

* o artista, ao qual era permitido todos os “desvios” e “loucuras”…

* o marginal, que era “obrigado” a se prostituir para “sobreviver”…

* ou o armário. Aquele lugar super seguro onde ninguém te enxerga e você pode fazer o que quiser, desde que seja entre quatro paredes.

Porque é muito fácil “aceitar a existência” de certas classes, desde que elas se mantenham num plano da irrealidade (os artistas) ou da invisibilidade (os marginais e os enrustidos).

No documentário, encontramos “pessoas” que “documentam” seu processo de descoberta da sexualidade. E, nesse processo de descoberta, as dificuldades em não ter referências sobre “ser diferente”.

Mas essa “diferença” é apenas um dos aspectos de uma personalidade em formação. Uma diferença que não pode (ou não deveria poder) ser um fator excludente à priori. Uma diferença que não te obrigue a agir de determinadas formas e ou se incluir em determinados guetos. Uma diferença que nos iguala porque, afinal, somos TODOS diferentes em alguns aspectos. Somos TODOS únicos.

De qualquer forma, o subtítulo do curta já fala bastante sobre isso:  Histórias que gostaríamos de ter visto antes.

E espero que muitos jovens possam ter acesso a este material… e a muitos outros materiais. E ao kit-antihomofobia. E a um pensamento que valorize o ser humano e o aceite como ele é: igual por ser diferente!

Curta-metragem “Não Gosto dos Meninos”,
inspirado no projeto internacional “It Gets Better”.

produção | mirada + gringo
diretor | andre matarazzo + gustavo ferri
diretor de fotografia | gustavo ferri
camera | felipe santiago
editor | felipe santiago
produtor executivo | enio martins
pós produção | mirada
trilha | andrei moyssiadis

Filed under: Indicando!,Visibilidade! | MaxReinert | Comments (0)

Recebi por email e repasso para todos (já que é uma carta aberta), a carta abaixo assinada pelo Coordenador Nacional do Setorial LGBT do Partidos dos Trabalhadores. Vale a leitura… não somos os únicos a “não entender” as ações da nossa Presidenta em relação ao Kit Anti Homofobia:

Presidenta:

Nós, do Setorial Nacional LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) do Partido dos Trabalhadores,  instância formal que organiza a intervenção da militância petista na luta anti-homofóbica, queremos dialogar publicamente com a senhora,  nossa companheira na construção de um Brasil mais justo.

Gostaríamos de conversar a respeito da polêmica envolvendo os materiais educativos do projeto Escola Sem Homofobia, do MEC (apelidado de “Kit gay”, por conservadores).

Ficamos perplexos com as notícias veiculadas ontem, 25 de maio, informando que a senhora teria, em reunião com a “bancada evangélica”, decidido suspender a disponibilização dos materiais que estão sendo  preparados pelo MEC, no contexto das políticas públicas de promoção do respeito à diversidade nas escolas brasileiras.

Admiramos sua vocação democrática, sua competência e seriedade. Sabemos que é preciso ouvir todos os segmentos da sociedade brasileira, buscando composições e sínteses, implementando as políticas públicas com eficácia, pautadas em critérios técnicos.

Nosso Partido é pioneiro no combate à discriminação contra homossexuais e nos orgulhamos do discurso do ex-presidente Lula, já em 1981, repudiando o preconceito. Somos vanguarda na luta pela afirmação da igualdade – criamos,  já em1992, o primeiro núcleo LGBT em um partido político no país. Estamos juntos ao movimento social LGBT brasileiro, há anos batalhando contra a discriminação.

A maioria das leis e projetos de leis garantindo direitos à população LGBT, em todo o Brasil, são de iniciativa de parlamentares petistas. Marta Suplicy, já em 1995, propôs projeto de lei que estabelecia a união civil homossexual. Várias resoluções de Encontros Nacionais e Congressos do PT – e também nosso estatuto – ratificam esse compromisso com de combate ao preconceito e a discriminação em geral, e à homofobia em particular.

O ex-presidente Lula fez história, ao criar, em 2004, o primeiro programa governamental – Brasil Sem Homofobia – destinado a promover a igualdade entre todas as pessoas, de qualquer orientação sexual ou identidade de gênero.

Em 2008, o Governo Federal  promoveu a 1ª Conferência LGBT, pioneira no mundo. No ano seguinte, foi criado o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos LGBT – depois uma Coordenadoria e, posteriormente, um Conselho Nacional.

A maioria do movimento  LGBT organizado e dos ativistas de Direitos Humanos fizeram campanha e votaram Dilma, trabalhando dia e noite pela sua eleição. Acreditamos no aprofundamento das políticas cidadãs iniciadas no governo do ex-presidente Lula.

Contudo, temos de  reafirmar: o ESTADO BRASILEIRO É LAICO.  Nossa Constituição traz entre seus princípios fundamentais,  o combate a toda forma de discriminação, a dignidade humana e o pluralismo.

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal, igualando as uniões estáveis homossexuais à heterossexuais reafirmou esses princípios básicos da Constituição Federal, assegurando a laicidade  do Estado. Uma vitória da democracia brasileira.

Nessa mesma direção, enfatizamos a necessidade de aprofundar as políticas públicas que promovam a diversidade e o respeito às pessoas. Não concordamos, em nenhuma hipótese, com a possibilidade dos materiais elaborados pelo projeto Escola sem Homofobia não chegarem a seus destinatários.

Presidenta:

Um governo progressista, protagonizado por um partido de esquerda, dirigido por uma militante com a sua biografia, não pode transigir com princípios fundamentais da democracia.

A senhora tem deixado muito claro, em diversas ocasiões, que não transigirá na Defesa dos Direitos humanos. Pois bem, é disso que se trata. Não se trata de “costumes”, como foi mencionado, mas de direitos civis e políticos, do combate ao preconceito, de políticas pública de promoção da cidadania.

Ficamos muito satisfeitos com o fato de a senhora ter convocado há poucos dias, junto com a companheira Maria do Rosário, a 2ª Conferência Nacional LGBT, uma inequívoca demonstração de continuidade das políticas iniciadas no governo Lula, reafirmando  assim o compromisso desse governo  com o enfrentamento da homofobia.

O  chamado “kit gay” é apenas um singelo material didático, elaborado por especialistas, referendado por entidades como a UNESCO, o Conselho Federal de Psicologia, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, a UNE, a UBES  entre outras.

Esse “kit” foi objeto de uma sórdida campanha, cheia de mentiras e distorções, que criou um sentimento de pânico moral em setores da nossa sociedade.  A maior parte das pessoas que o repudiam não conhece seu conteúdo. Não há nada de inadequado, qualquer conteúdo sexual, nenhum beijo, nada, absolutamente nada que poderia atentar contra a qualidade educativa do material.

O objetivo do MEC com esse programa é apenas combater o bullying, que causa tanto sofrimento a milhões de “brasileirinhos”, em nossas escolas, fazendo com que muitos se evadam, perdendo o direito humano que têm à educação. O bullying é algo perverso, provoca discriminação, dor, exclusão e até suicídios –    pode provocar   tragédias.

O Brasil não cederá à chantagem de religiosos homofóbicos, que confundem templo com parlamento, que ignoram a laicidade, o pluralismo e a dignidade humana.

A opinião  de alguns deputados fundamentalistas cristãos NÃO É a opinião da maioria do Congresso Nacional, muito menos da maioria da sociedade brasileira. No Congresso, por exemplo, há uma Frente Parlamentar que defende a cidadania LGBT com 175 deputados e senadores.

Presidenta Dilma:

Nós, seus companheiros de Partido e de jornada,  ajudamos a elegê-la e também somos responsáveis pelo seu governo. Temos certeza que as políticas de promoção à cidadania LGBT não serão interrompidas.

A democracia brasileira não será chantageada por obscurantistas de plantão. Acreditamos no seu compromisso inabalável com os Direitos Humanos e  com a cidadania plena. Seu governo construirá um Brasil melhor para todas e todos.

Apoiamos a continuidade das ações do projeto Escola Sem Homofobia e de todas  as políticas inclusivas de seu governo. Sem retrocessos. Solicitamos, portanto,  a continuidade imediata da disponibilização do “kit” para as escolas brasileiras.

Não basta combater a pobreza se junto não erradicarmos a violência do preconceito e da discriminação que está ao seu redor. Estarmos certos de contar com sua determinação.

Julian Rodrigues

Coordenador Nacional do Setorial LGBT – PT

26/05/2011

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | May 27, 2011 Comments (2)

Hoje de manhã estava acontecendo uma reunião da Comissão de Direitos Humanos no Senado sobre a aprovação da PLC 122 que propõe punir a discriminação aos homossexuais e eu recebo, via Twitter, a mensagem acima.

Pelo que eu entendi, havia uma crítica ao Senador Cristóvão Buarque por ele defender que as instituições religiosas tivessem o direito de dizer/pregar/achar que a homossexualidade é pecado. Daí eu penso… mas o Senador está corretíssimo!!! Existe uma grande confusão no Brasil entre “ter direitos” e “cometer um crime”. Mas, será que essa linha é tão tênue assim?

Uma coisa é afirmarmos que o estado é laico, que suas decisões devem ser tomadas sem a interferência de nenhuma crença ou religião. Que as decisões dos juízes devem ser tomadas com base na constituição da nação e sem dar “atenção” aos clamores populares. O STF acaba de fazer isso ao decidir (ao contrário da opinião da maioria dos brasileiros e sob uma enxurrada de protestos de religiosos fundamentalistas) reconhecer a união homoafetiva. Outra coisa é querermos controlar o pensamento das pessoas “achando” que elas devem pensar da mesma forma que nós. E muita gente (ativistas LGBT incluídos) caem neste erro.

Um estado totalitário ou fascista quer impor à sua população um pensamento hegemônico. Ele pune, através de diversas formas, aqueles que propõem um pensamento que não está de acordo com suas ideologias. Muitas vezes essa punição não é feita nas instâncias criadas para este fim. O “linchamento público” é uma das formas de se exercer a “lei da maioria”, que não necessariamente é a lei que deveria reger a maioria.

Um estado democrático tenta preservar as individualidades pessoais e encontrar quais são os limites para a convivência entre as “partes”, dentro dos limites das leis.

Sinto muito, mas existem sim religiões (ou pastores/padres/cristãos) que consideram a homossexualidade um pecado. A liberdade de crença religiosa prevê que eles têm o direito de achar isso. Eu acredito que eles têm o direito de proclamar a sua fé. (Mesmo achando a maioria dos evangélicos uns chatos, eu acredito que eles têm o direito de se alienar daquela forma.) Se você é gay e cristão e não acredita que a homossexualidade é um pecado, talvez você tenha que mudar de religião ou de Igreja. Nem todos os “que crêem” são iguais.

Por que os religiosos não deveriam poder ir para a rua fazer uma “marcha cristã heterossexual” se nós podemos fazer uma das maiores marchas de orgulho gay do mundo? Dois pesos? Duas medidas?

Agora, ATENÇÃO, vão para a rua reinvidicar/apoiar/louvar o que eles acreditam e não xingar ninguém… porque:

O que eles não têm o direito é de me agredirem em um local público. O que eles não têm o direito é de importunar as pessoas com suas “verdades inquestionáveis”. O que eles não têm o direito é de impedir que as crianças sejam educadas de forma clara sobre questões ligadas à sexualidade. O que eles não têm o direito é de me negar viver a minha sexualidade de forma plena, inclusive querendo me impedir de demonstrar afeto em público. O que eles não têm o direito é de incitar o preconceito e a violência contra os homossexuais. O que eles não têm direito é de vincular a homossexualidade a uma série de doenças, entre elas a pedofilia.

Existe uma grande diferença em dizer que “sua religião considera a homossexualidade um pecado” e dizer que “sua religião considera a homossexualidade uma doença”, pela óbvia razão de que as religiões são lugar em que cabem dogmas, crenças… deixem para os cientistas o trabalho de lidar com ciência.

Ao final da reunião da Comissão de Direitos Humanos, a Senadora Marta retirou o relatório de votação para atender à solicitação dos opositores na discussão de “realizar um debate mais amplo envolvendo a sociedade”.  Após a sessão, enquanto a Senadora dava uma entrevista falando sobre o projeto, Bolsonaro causou um tumulto agitando seus panfletos que associam homossexualidade à pedofilia para as câmeras.

É nesses momentos que podemos perceber claramente quem está realmente querendo trabalhar em prol da democracia e quem está somente tentando nos fazer engolir suas posições. Se o Senador Bolsonaro vai estar no céu por causa de suas ações aqui na terra, eu não faço questão nenhuma de ir para lá!

Filed under: Pensando! | MaxReinert | May 12, 2011 Comments (5)

“Em um julgamento histórico e por unanimidade, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira (5) reconhecer as uniões estáveis de homossexuais no país. Os dez ministros presentes entenderam que casais gays devem desfrutar de direitos semelhantes aos de pares heterossexuais, como pensões, aposentadorias e inclusão em planos de saúde. A decisão pode ainda facilitar a adoção, por exemplo.”

“Já posso casar!!!” – Foi desta forma que comemorei, via twitter, a aprovação por unanimidade pelo STF o reconhecimento das uniões homoafetivas no país. Mas, como sempre, essa era apenas uma brincadeira em relação a esse dia histórico no país.

Na verdade, o que podemos comemorar é que os Excelentíssimos Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal nos trataram pela primeira vez da história brasileira como cidadãos de primeira classe. Ao ouvirmos seus pronunciamentos, pudemos ter alguma esperança de que ALGUM DIA viveremos num país digno. Cito:

“O reconhecimento jurídico das uniões homossexuais não enfraquece a família, mas antes a fortalece” – Roberto Gurgel – Procurador Geral da República

“Ao não reconhecer as uniões homoafetivas, o Estado compromete a capacidade do homossexual de viver a plenitude de sua orientação sexual.” - Roberto Gurgel – Procurador Geral da República

“O sexo das pessoas não se presta como fator de desigualação jurídica” - Carlos Ayres Britto – Ministro-relator do STF

“A escolha por uma união homoafetiva é individual e íntima.” - Cármem Lúcia – Ministra do STF

“Para ser digno, há que ser livre. E a dignidade perpassa a vida da pessoa em todos os aspectos. O que é indigno leva ao sofrimento social imposto.” - Cármem Lúcia – Ministra do STF

“O homossexualismo (sic) é um traço da personalidade, não é uma ideologia nem uma opção de vida.” - Luiz Fux – Ministro do STF

“A homossexualidade caracteriza a humanidade de uma pessoa. Não é crime. Então por que um homossexual não pode constituir uma família? Por força de duas questões que são abominadas por nossa Constituição: a intolerância e o preconceito.” - Luiz Fux – Ministro do STF

“Uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes.” - Ellen Gracie – Ministra do STF

“Toda pessoa tem o direito de constituir família, independente de orientação sexual ou identidade de gênero.” - Celso de Mello – Ministro do STF

“Não se pode confundir questões jurídicas com questões de caráter moral ou religioso.” - Celso de Mello – Ministro do STF

A verdade é que esta vitória, como bem disse o Ministro Celso de Mello “não é o ponto culminante, mas sim o ponto de partida para novas conquistas”  e desta forma deve ser tratada. Embora a lista de direitos que nos são negados tenha diminuido bastante, ainda temos que garantir que NA PRÁTICA essas conquistas sejam asseguradas, pois como disse a queridíssima LadyRasta: há uma enorme necessidade de se sedimentar a vitória alcançada hoje, exigindo normatização de questões que podem ser solucionadas através de atos administrativos, independente de lei, a fim de facilitar o dia a dia dos casais homossexuais.

De qualquer forma, não há como se emocionar com as declarações dadas pelos ministros. Não porque eles tenham falado coisas muito surpreendentes… ao contrário, por ter ouvido coisas que estamos tão cansados de repetir diariamente na tentativa de fazer com que os “outros” entendam nossa “situação”.

Foi dado assim um passo importantíssimo para a EQUIDADE de direitos no país. Temos que agradecer imensamente aqueles que lutaram para que esse passo pudesse ser dado. Nenhuma conquista vem por acaso, cabe a nós darmos visibilidade a estas discussões, darmos visibilidade a nossa existência e ajudarmos desmentir quem ainda se utiliza de mentiras e/ou dissimulações para nos comparar com doentes e ditadores.

A hora é agora. Não tenho dúvidas de que ataques mais fortes serão realizados. Quanto maior a visibilidade e as conquistas obtidas, mais rejeição aparece através dos homofóbicos de plantão.

Somo cidadãos, nem melhores nem piores que ninguém… e desta forma DEVEMOS ser tratados.

Filed under: Conscientizando!,Pensando! | MaxReinert | May 7, 2011 Comments (3)

Numa hora dessas gostaria de estar no Rio de Janeiro:

3º Festival Internacional de Animação LGBT
06 a 13 de maio

O Diversidade em Animação 2011 – 3º Festival Internacional de Animação LGBT traz uma programação inteirinha de animações Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros. O festival acontecerá de 06 a 13 de maio de 2011, sempre às 17h30 e 19h no Cine Cultural Justiça Federal (Centro Cultural Justiça Federal) Avenida Rio Branco 241, Centro, Rio de Janeiro. No total foram selecionados 45 Filmes de Animação brasileiros e estrangeiros: 23 animações para Competição de Curtas (1 e 2), 12 episódios de animação para o Especial J.J. Sedelmaier e 10 animações para a Retrospectiva – Premiados e Melhores de 2010.

Filed under: Indicando! | MaxReinert | May 2, 2011 Comments (0)

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