“Um mártir (do grego μάρτυς, transl. martys, “testemunha”) é uma pessoa que morre por sua fé religiosa, pelo simples fato de professar uma determinada religião ou por agir coerentemente com a religião que possui. No decorrer da História porém, a palavra ganhou outros conceitos, como morrer patrioticamente pela liberdade, a independência ou a autonomia de um povo, por um ideal social ou político ou até mesmo em uma guerra. O termo pode ser utilizado também num sentido mais laico, associado a alguém que sacrifica a sua vida por uma causa.”

Já há algum tempo venho pensando sobre algumas questões relativas à visibilidade gay. Antes de mais nada, gostaria de dizer que sempre fui daquelas pessoas que respeita as decisões pessoais de cada um. Cada pessoa deve saber a hora (ou as razões) que a levam a concretizar seu “outting”. Cada pessoa deve saber os porquês de participar ou não participar de ações que promovam a igualdade de direitos entre gays e heteros. Ser um “ativista”, estar “fora do armário” e até mesmo “manifestar-se contra a homossexualidade” são escolhas pessoais e, obviamente, devem ser respeitadas.

Mas, de um tempo para cá, tenho tentado, pelo menos, estimular as pessoas a minha volta a “assumirem-se” como são e não “interpretarem um papel” heteronormativo no seu dia a dia. Por que? Porque fico pensando que devemos, de alguma forma, prestar tributos àqueles que vieram antes de nós… ou, porque não dizer, aos mártires da causa homossexual.

Explico. Vendo o documentário do post anterior (se você ainda não viu, recomendo muito!) eu fiquei pensando na quantidade de pessoas que passaram por poucas e boas e até mesmo perderam suas vidas por uma única razão: serem gays. Não somente ser gay “dentro de suas quatro paredes”, mas sim ter a coragem de sair à rua e viver como elas realmente são.

Quando vivemos onde vivemos, numa sociedade que é “quase” tolerante ou aparentemente tolerante, esquecemos que algumas pessoas (que normalmente chamamos de “ativistas chatos”) batalharam muitissimo para termos a qualidade de vida que temos. Quando assisto a um filme como Milk, me dou conta de que as coisas não “foram sempre assim”.

Ao mesmo tempo, acho uma posição hipócrita desfrutarmos da liberdade que foi conquistada por essas pessoas e nos escondermos dentro de uma pretensa segurança oferecida àqueles que se mantém dentro dos limites da “aparência heterossexual”.

Há algum tempo, conversando com um amigo “discreto”, ouvi a famosa frase de que “eu não vou sair desmunhecando só para as pessoas saberem que eu sou gay”. Outra frase bastante fácil de se ouvir é “Eu nunca fui agredido nem discriminado”. “Ser gay é apenas uma parte da minha personalidade, não me define como pessoa”. E por aí vai…

Realmente, ninguém tem a “obrigatoriedade” de aparentar gay (até porque não existe um gay padrão!). Meu discurso sempre foi de aceitarmos as pessoas como elas são. Sempre é possível perguntar se essa pessoa que “não aparenta ser gay” age desta forma somente para responder à padrões estabelecidos por outros… mas esta pergunta também é válida para os “que dão pinta”. Mas, no caso dos “discretos”, não seria interessante eles serem abertos em relação à sua sexualidade? Afinal, nada melhor para destruir preconceitos do que mostrar que as coisas não são exatamente como se mostra/fala por aí, não é mesmo?

Tenho muito respeito por gays aparentemente machões que respondem na lata ou agem em determinadas situações deixando claro sua orientação sexual. Ou seja, sua aparência ou forma de agir é algo natural e não impressa por fatores externos. Acredite, muitos deles também são agredidos/provocados por essa postura, seja pelos preconceituosos heteros e muitas vezes por gays também.

Eu nunca fui agredido (fisicamente) por ser homossexual. Passei por uma ou duas situações em que algumas pessoas tentaram me intimidar por eu ser quem eu sou. Mas isso não quer dizer que eu não possa compreender o sofrimento de uma pessoa ou me por na posição dela.  Eu não preciso quebrar meu nariz para saber que aquilo deve doer… muito. Eu não preciso ser humilhado na frente de muitas pessoas para saber que isso deve doer… muito! Se você não consegue compreender isto, pode parar de ler o texto por aqui… não tenho interesse em conversar com você!

É óbvio que “ser gay” não é algo que me ocupe 100% do tempo. Quando estou trabalhando eu não fico pensando “como um gay faria isso?”. Eu vivo, de acordo com minhas crenças e necessidades. Dessa forma, algumas das minhas opções são sim derivadas do fato de eu ser gay… mesmo que eu não pense sobre isso quando estou tomando estas decisões.

Assim como também é óbvio que, no momento em que eu vejo alguém sendo agredido por ser um artista que faz um determinado tipo de trabalho e não outro, eu tenho o impulso de defendê-lo. Ser artista é uma parte da minha personalidade. Ser gay é uma parte da minha personalidade. Se eu defendo causas ligadas às artes, por que eu não o faria por causa da sexualidade?

Todos os dias são mortos no Brasil homens e mulheres única e exclusivamente por sua orientação sexual. Todos os dias pessoas são expostas e humilhadas única e exclusivamente por sua orientação sexual. O Dep. Federal Jean Wyllys (PSOL) foi ameaçado de morte por travar batalha no Congresso Nacional pela aprovação da lei que criminaliza a homofobia. Todos os dias vemos (e a internet é um berço dessas aberrações) pessoas que promovem diversas formas de agressão aos homossexuais. “Mate um Gay por dia e seja feliz”, “Estupro corretivo de Lésbicas”. WTF?

Até quando deixaremos que essas pessoas nos coloquem intencionalmente em perigo?

Pois bem, eu cansei! Está na hora de gritarmos #EuSouGay! Está na hora de pensarmos em ações afirmativas para que ninguém se sinta sozinho o suficiente para duvidar de suas decisões. Está na hora de sairmos dos armários, seja declarando nossas orientações, seja se engajando em algum ação concreta para garantirmos nossos direitos.

Lembre-se: Quem não faz nada para ajudar, atrapalha…. mesmo que seja somente pela inércia que propõe. Stand Up!

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | April 28, 2011 Comments (2)

Dias desses, estava bem tranquilo em um hotel de Curitiba, descansando após uma série de apresentações na cidade, quando recebo, via Facebook, da amiga Renata um link com a seguinte mensagem: “Achei interessante, e bem perturbador. Enfim, pode gerar bons questionamentos.”

Lá fui eu, esperando ver algo que com certeza “incomodaria”, mas de nenhuma forma estava preparado para ver o documentário “The World’s worst place to be gay”.

Vivemos em um país (o Brasil, este mesmo!) que ainda é muito preconceituoso e homofóbico. Dia sim, dia também, recebemos relatos de violências cometidas a gays, mulheres e outras minorias. O país ainda aceita (e muitas vezes apóia) declarações como a do Dep. Jair Bolsonaro. Somos constantemente bombardeados por pessoas que fazem questão de disseminar ódio e incompreensão.

Só que, existe também no Brasil, pessoas que nos tratam com respeito. Encaram nossa “situação” com a normalidade que ela merece. Pessoas que educam seus filhos para conviverem com a diversidade de pensamento, de orientação sexual, de raças e culturas. Pessoas que educam seus filhos a compreenderem que o mundo não é “preto e branco”, que percebem e ensinam diversas nuances no comportamento humano. Pessoas que não ensinam a “tolerância”, porque quem acredita na igualdade de direitos não precisa “tolerar” os “defeitos” dos outros.

Vivemos numa situação que não é ideal? Sim! Devemos lutar por nossos direitos? Sim! Devemos exigir a igualdade que nos é negada? Sempre!

Mas também temos que olhar para um país como a Uganda e perceber o quanto estamos à frente nessa luta.
O documentário que segue abaixo é o retrato de um país que vive em uma miséria absurda. Miséria econômica e também miséria de pensamento (obviamente, uma coisa está ligada à outra).

É perturbador assistir às declarações de algumas pessoas de lá que culpam os gays por todos os problemas do país. Ver gays sendo perseguidos, presos e humilhados. Ver gays tendo suas fotografias sendo colocadas nas capas de jornais e serem tratados como criminosos.

É mais perturbador ainda ver as pessoas (não uma ou duas, a quase totalidade da população) defender a idéia de que os gays devem ser mortos. Enforcados.

E por último, é extremamente perturbador perceber que o discurso dessas pessoas desse país pobre e subdesenvolvido é o mesmo repetido à exaustão pela bancada evangélica/religiosa do nosso país.

Talvez o documentário possa dar uma idéia de que tipo de “democracia” alguns políticos brasileiros querem para o nosso país. Volta e meia há alguém tentando criar “mecanismos” para censurar e ou limitar os direitos dos cidadãos. E não podemos simplesmente fazer de conta que “certas coisas nunca mais vão acontecer no Brasil”.

O preço da liberdade é a eterna vigilância!

parte 1:

parte 2:

parte 3:

parte 4:

Filed under: Indicando!,Pensando! | MaxReinert | April 9, 2011 Comments (11)

Não senhores, não se trata de um gay brucutú! E sim de uma descoberta arqueológica… li no R7:

Cinco mil anos depois de ter morrido, o primeiro “gay das cavernas” foi descoberto por arqueólogos na República Tcheca. De acordo com os cientistas, o jeito como foi enterrado sugere que ele tinha uma orientação sexual diferente.

Descoberto em escavações na República Tcheca, o falecido homem da Idade da Pedra teria vivido entre 2.900 e 2.500 antes de Cristo. A informação foi revelada nesta quarta-feira (6) pelo jornal britânico Daily Mail.

Durante aquele período, os homens eram tradicionalmente enterrados sobre seu lado direito, com a cabeça apontando para o oeste, e as mulheres sobre seu lado esquerdo, com a cabeça apontada para o leste.

Neste caso, o homem estava deitado sobre seu lado esquerdo, com a cabeça em direção ao oeste.

Outra pista é que os homens geralmente eram enterrados com armas, martelos e facas, além de porções de comida e bebida para acompanhá-los para “o outro lado”, explicaram os cientistas. Já as mulheres eram enterradas com colares feitos de dentes, animais de estimação e brincos de cobre, além de jarros domésticos e um vaso na forma de ovo perto dos pés.

O “homem das cavernas gay” foi enterrado com jarros domésticos e sem armas. Os arqueólogos dizem que isso não deve ser um erro ou coincidência por causa da importância dos funerais durante aquela época, chamada de Era da Cerâmica Cordada por causa dos potes que eram produzidos.

“Graças à história e à etnologia, sabemos que as pessoas desse período levavam os funerais muito a sério, por isso é muito improvável que essa posição fosse um engano”, explicou Kamila Remisova Vesinova, chefe da pesquisa.

- É muito mais provável que fosse um homem com uma diferente orientação sexual, um homossexual ou um travesti.

Junto aos pés do esqueleto também foi encontrado um recipiente oval associado a enterros de mulheres. Katerina Semradova, que faz parte da equipe de arqueólogos, disse que seus colegas já haviam desenterrado, anteriormente, uma sepultura do período Mesolítico, na qual uma guerreira foi enterrada como um homem. A pesquisadora acrescentou que feiticeiros da Sibéria também eram enterrados dessa forma, mas com ricos acessórios, apropriados a sua alta posição na sociedade.

Filed under: Futilidade!,Visibilidade! | MaxReinert | April 7, 2011 Comments (22)

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