Está bem…. está bem…. até eu que adoro as bizarrices que a Gaga inventa sou obrigado a confessar que o vídeo de Born This Way passou dos limites. Não é bonito! Não é instigante! Não é bem coreografado!

Ou seja, não tem nada que os anteriores tinham… é só um tropeço (grande) na produção dela… Mas, se você quiser assitir, fique à vontade:

Na verdade, é uma pena, já que a cantora anunciou a música e o vídeo como um “grande manifesto pela causa gay”! Bom, por enquanto, vamos ter que encontrar outra coisa para divulgar “a causa” já que esse vídeo parece ter nascido diretamente para o esquecimento!

Filed under: Futilidade! | MaxReinert | February 28, 2011 Comments (5)


Quem me conhece sabe que eu tenho certos problemas com expressões do tipo “orgulho gay”, “gay pride” e, até por que não dizer, “Gay-Friendly”! Pelo jeito, a Maria Carol também é contra esta prática.

Mas, ao mesmo tempo, reconheço que, por vivermos envoltos em um mundo que ainda se aproveita da hipocrisia (vide expressões tais como: “o Brasil não é um país racista”) não vejo problemas em setorizar pessoas/empresas que realmente se importam em se diferenciar da maioria para corrigir distorções nas leis e/ou comportamentos.

O problema é se essa alegada “amigabilidade” (isso existe?) é somente fachada!!! Ou seja, mais hipocrisia para poder se diferenciar “comercialmente” e conseguir algum tipo de visibilidade atrás do pink-money. Hoje mesmo recebi pelo twitter uma imagem sobre a Coca-Cola americana que inclui os parceiros do mesmo sexo dentro do plano de benefícios da empresa.

Acho importante divulgar este tipo de ação, porque ela infelizmente ainda não é a “norma”. Ao mesmo tempo, ela corrige (pelo menos para seus empregados) uma falha da legislação da maioria dos países ditos “modernos”.

Enquanto alguns preferem o discurso de que não é necessário “separar”, eu gosto de me considerar extremamente “hetero-friendly”!!! E me pronuncio assim porque sei que existe também uma grande parcela da população homossexual que é preconceituosa para com o diferente… para aqueles que estão “fora na normatividade”, nesse caso, gay.

Aqui no blog, faço um exercício constante por escrever e postar textos que busquem a aceitação da diversidade. Esforço maior é feito no momento de “dialogar” com os comentaristas, afinal, só Deus deve entender porque pessoas que são extremamente preconceituosas perdem seu tempo vindo atrás de notícias de falam sobre um universo que lhes é desagradável. Ou talvez eles se surpreendam por encontrar pessoas que estão vivendo bem sendo gays… Como isso é possível?

Ou seja, só existem empresas/pessoas que são consideradas “gay-friendly”, porque existem aquelas que não o são.

Todos deveriam ser tratados iguais (como já disse um comentarista no texto da Maria Carol), mas isso não acontece. Por que, na verdade, NÃO somos todos iguais. Todos somos diferentes e temos o direito de ser assim… Mas, para aceitar as diferenças e sermos realmente conscientes de que todos têm o direito de se expressar e viver conforme sua consciência (e de acordo com as leis, obviamente) é necessário compreender isso.

Negar o problema e não querer “corresponder à rotulos” é bonito como discurso, soa descolado e provocador…. mas resolve (ou tenta ajudar a resolver) o problema?

Filed under: Indicando! | MaxReinert | February 22, 2011 Comments (0)

Interessante programa sobre a situação de lésbicas no país. Dá um grande panorama sobre o dia a dia de pessoas que convivem com o preconceito e mesmo assim constroem uma vida em busca da felicidade, seja ela de que maneira for.

Alguns pontos que me chamaram atenção foram:
* A declaração de uma das entrevistadas sobre a falta de imagens positivas sobre a sua condição, gerando um crescimento muito solitário e de descoberta constante sobre limites e caminhos para assumir-se.
* A declaração da mãe de uma das entrevistadas sobre a necessidade da família “assumir” a sexualidade dos filhos para poder compreender o que acontece com eles. Não basta “aceitar” o filho homossexual, é necessário “assumir-se” uma família com um membro homossexual.
* A obviedade de que famílias homossexuais tem mais consciência de que deverão apoiar seus filhos em busca de sua própria felicidade, seja ela onde estiver.

Interessante! Vale a pena assistir!

*Recebi por e-mail através do grupo de discussão do ROMA – Núcleo de Diversidade Sexual da Grande Florianópolis.

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | February 20, 2011 Comments (0)

Sempre que se fala em “adoção por homossexuais” e “casamento gay”, a primeira coisa que escutamos é que “temos que pensar nas crianças”. Temos que “pensar em como a formação do caráter dessas crianças vai ser afetada” por ter que conviver com homossexuais.

Eu poderia passar horas aqui discursando sobre a igualdade de direitos, sobre os benefícios de ser adotado por “qualquer família” ao invés de viver vivendo em uma instituição, sobre a obviedade de que a maioria dos gays nasceram e foram criados por pais heterossexuais. Poderia… e provavelmente, não adiantaria nada. Quem não quer acreditar nas coisas, dá uma de São Tomé.

E foi por isso que eu fiquei super feliz quando o Alessandro_M me indicou pelo twitter o vídeo abaixo. Nele, a gente não vê nenhum especialista, nenhum psicólogo, nenhum deputado. Ninguém que fala, sem saber, sobre uma situação que nunca vivenciou. Ao contrário, vemos um rapaz de 19 anos chamado Zach Wahls, falando em nome próprio. Contando de suas realizações e do que mantém sua família unida.

Não sou realmente diferente de nenhum outro filho.
Minha família não é diferente da sua.
Afinal, sua família não tem seu senso de valor por causa do que foi dito pelo Estado:
“Vocês estão casados. Parabéns.” Não.

Seu discurso é importante porque coloca alguém de “dentro da experiência” dando um testemunho sobre sua realidade. Uma realidade que todos insistem em opinar, apoiados sobre suposições e preceitos religiosos, deixando de lado o afeto e as ligações poderosas criada por laços de sangue e/ou convivência.

Não sei dizer se seu discurso teve algum papel importante na manutenção (ou não) dos direitos dos cidadãos do Iowa. Não sei qual foi o impacto que seu discurso teve no “senhor presidente” da reunião em que ele se pronunciou. Mas fico feliz em ver um rapaz de 19 anos ter coragem de se levantar e expor seus pensamentos de forma tão clara e honesta. Fico contente em ver uma pessoa falar em nome de quem não aguenta mais ser tratado como cidadão de segunda categoria.

Zach Wahls é a prova concreta de que um casal homossexual tem a possibilidade e a competência para criar um filho com um caráter forte e íntegro. Agora, só não vê, quem não quer!

Obrigado ao amigo @EvandroCesar que fez uma transcrição e tradução para mim do vídeo original em inglês. Infelizmente, demorei para colocar o post no ar e acabei achando essa versão já legendada!!!

Filed under: Conscientizando! | MaxReinert | February 16, 2011 Comments (24)

“Ele é gay.”
Cristina Mortágua, tentando justificar agressões ao filho de 16 anos

Comecei a escrever esse post há alguns dias e quase desisti dele. Quase sempre sou contra escrever textos sobre assuntos que “pipocam” na mídia como “a última derrapada da celebridade”. Primeiro porque sou contra a divulgação de momentos ruins de outras pessoas, depois porque ‘desconfio’ que algumas pessoas parecem fazer esses “bafos” para poder se manter na mídia… e eu não gosto de dar palco para gente louca.

Ao mesmo tempo, lendo esse post aqui, fiquei pensando na quantidade de pessoas que foram agredidas pelo fato de serem gays. Seja no infância, numa tentativa desesperada de “reparar sua orientação” e/ou mesmo vítimas de bulling, seja depois de adultos, porque alguém decidiu que a sexualidade pode ser justificativa para agressão.

Veja bem, não estou falando e nem julgando o que ocorreu dentro da casa da modelo citada acima… estou apenas pensando o “porquê” de quando ela foi questionada sobre o motivo da agressão, alegou categoricamente “porque ele é gay”. (Veja o vídeo aqui!)

É uma mostra clara de que “ser gay” faz com que algumas pessoas nos coloquem em uma posição distinta em suas vidas. Nos transforma em cidadãos de segunda classe. Alguém suportável, desde que não erre. Se errar, já podemos esperar a justificativa: É Gay!

Você não agride um gay porque ele te roubou. Você não agride um gay porque ele foi desrespeitoso. Você não agride um gay porque ele foi desrespeitoso. Você agride por que “Ele é gay!”.

Ou talvez não… talvez estejamos na berlinda. Qualquer passo em falso e “é o motivo que faltava”, afinal… “você já é gay, ainda vai ter coragem de fazer algo errado?”.

A verdade é que, em tempos de politicamente correto e ameaça por leis antidiscriminatórias, pode-se perceber que aqueles que têm a questão do preconceito mal-resolvido caem nesse ato falho facilmente.

Vem daí minha obsessão pelo que eu chamo de “uma educação para a diversidade”.  Uma educação que possa formar cidadãos que estejam atentos para as “ações” das pessoas. Que entenda que nem todos são iguais, mas tem o direito de serem da maneira que quiserem, desde que não desrespeitem as leis e/ou aos outros.

Eu posso e tenho o direito de dizer que o que você “faz” não está de acordo com a lei. Mas eu não deveria ter o direito de julgar o que você “é”. Até porque, ninguém deveria poder ser julgado por ter nascido desta ou daquela maneira. Ninguém deveria poder ser julgado por ser gay, hetero ou bissexual. Ninguém deveria poder ser preconceituado por ter nascido nesta ou naquela região. Ninguém deveria deveria poder preconceituado por ser asiático, negro ou mesmo branco.

Muitas pessoas discordam quando comparamos o preconceito em relação aos homossexuais com o preconceito contra os negros. Eu não acredito que seja tão diferente assim o “processo”. Estou cansado de ouvir frases que, mudando o “adjetivo” são igualmente usadas de forma preconceituosa.

Dirigiu mal? Só podia ser negro/viado!
Trouxe um pedido errado? Só podia ser negro/viado!
olhou de um jeito estranho? Só podia ser negro/viado!

Enquanto deixarmos nossas crianças serem educadas dentro dessa aparente “normalidade”, desse sistema de “castas” disfarçado que vivemos no Brasil, o que veremos é a continuidade desse sistema perverso que pune aqueles que nascem fora do estereótipo do “jovem branco heterossexual”.

Se estamos mesmo vivendo uma revolução no país, que ela seja completa e o Brasil / Estado seja fiel ao slogan criado por ele: Um País de Todos. E que isso não se resuma somente aos aspectos econômicos.

Filed under: Pensando! | MaxReinert | February 13, 2011 Comments (1)

Lembram da polêmica do “Kit-Gay” levantada por um deputado em relação ao Kit contra homofobia criado pelo MEC no final do ano passado? (Pode relembrar aqui e aqui)… Pois bem, na última semana, o conselho publicou um parecer favorável ao projeto.

Uma comissão de psicólogos e especialistas se debruçou sobre o material para avaliar a qualidade técnica, didática e pedagógica dos vídeos e textos e a adequação do conteúdo à faixa etária do público que o receberá. A previsão é de que 6 mil colégios tenham acesso ao material este ano. Para o CFP, os filmes e livretos que abordam conflitos de adolescentes em relação à sexualidade têm linguagem correta para os alunos que serão alvos do projeto e trata de forma cuidadosa os temas.

“Representa material de vanguarda, pois são instrumentos de capacitação e formação continuada para o próprio professor. O kit reforça a atenção e cuidado com os temas transversais da educação nas relações de ensino-aprendizagem, como no caso do respeito à diversidade sexual”, diz o relatório. A entidade diz que faz parte do compromisso profissional de qualquer psicólogo contribuir para reflexões sobre preconceito e o fim de discriminações sexuais.

O texto de cinco páginas começa justificando a importância da discussão do tema nas escolas, que têm a responsabilidade de formar cidadãos éticos e que respeitem as diferenças, segundo os psicólogos. “A discussão principal sobre o tema refere-se à necessidade de tratar preconceitos e discriminações que refletem uma violência (verbal, simbólica) reverberando nos espaços de convivência escolar”, afirma o texto.

De acordo com os psicólogos, faltam instrumentos de qualidade para que professores e orientadores trabalhem o tema em sala de aula. A iniciativa, para eles, é positiva. A entidade sugere ainda que outros setores, como redes sociais, desenvolvam projetos semelhantes para combater o preconceito.

O material foi elaborado em parceria com a Pathfinder do Brasil; a Reprolatina – Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva; e a ECOS – Centro de Estudos e Comunicação em Sexualidade e Reprodução Humana (São Paulo-SP); e com o apoio da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT); da GALE – Global Alliance for LGBT Education; e da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT do Congresso Nacional.

Nos filmes, adolescentes apresentam conflitos em relação à própria sexualidade e mostram como decidiram enfrentar o preconceito. Os curtas foram apresentados na Câmara e se tornaram alvo de críticas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Em sessão realizada no Plenário da Câmara dos Deputados após o seminário, Bolsonaro pediu que os parlamentares o ajudassem a impedir a circulação do material, que segundo ele seria distribuído e exibido a crianças com menos de 10 anos – o MEC diz que o público alvo são os alunos do ensino médio. Para ele, os vídeos “incentivariam os estudantes a se tornarem homossexuais”.

Os psicólogos do CFP discordam. No parecer, eles afirmam que não existe a possibilidade de que os vídeos influenciem a orientação sexual dos alunos. “Entendemos que o material não induz o corpo discente e mesmo docente à prática da homossexualidade. Pelo contrário, possibilita que professores e alunos trabalhem o tema diferenciando o que é da ordem da heterossexualidade e da homossexualidade”, destaca o relatório.

* Com informações do Último Segundo.

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | February 12, 2011 Comments (7)

Via UOL:

Lady Gaga liberou, nesta sexta-feira (11), o primeiro single de seu próximo álbum. “Born This Way” pode ser ouvida no site oficial da cantora.

O lançamento da música foi antecipado, já que acreditava-se que a cantora fosse estrear a canção na cerimônia do Grammy, que acontece neste domingo (13). Lady Gaga escreveu em seu twitter na segunda (7) passada: “não consigo esperar mais, o single sai na sexta”.

“Born This Way” faz parte do disco que Gaga vai lançar no dia 23 de maio, com o mesmo título. Em dezembro do ano passado foi anunciado que em seu novo álbum ela canta em seis idiomas, inclusive em português.

Escute aqui!!!

Filed under: Futilidade! | MaxReinert | February 11, 2011 Comments (2)

Matéria do site ACapa que eu faço questão de reproduzir aqui. É exatamente esse tipo de pensamento que temos que divulgar: o respeito à igualdade de direitos PARA TODOS. Não apenas no discurso, muito menos na lei…. mas no dia a dia, nas coisas simples e principalmente no pensamento.

O pequeno Malcolm (foto), de apenas 7 anos de idade, resolveu doar US$ 140 (um pouco mais de R$ 230) para duas entidades LGBT nos Estados Unidos.

Após ouvir em um programa de rádio sobre o tratamento discriminatório contra gays e lésbicas, o garoto selecionou as ONGs Centro Gay e Lésbico de Los Angeles e a Fundação Human Rights Campaign para doar a quantia.

Junto com o dinheiro, Malcolm escreveu uma carta às entidades, dizendo que as escolheu porque ele não acha “justo” que homossexuais “não sejam tratados com igualdade”.

A mãe do garoto também se envolveu na doação, desafiando as ONGs a levantar US$ 27 mil em uma campanha com o nome de Malcolm. Os ativistas aceitaram a ideia e prometem enviar um comunicado agradecendo a doação.

O site do Centro Gay e Lésbico de Los Angeles destaca que “Malcolm nos dá esperança em nosso futuro. Uma esperança de que quando sua geração alcance a maioridade, toda a homofobia, a discriminação e abuso que nós da comunidade LGBT enfrentamos não existam mais.”

Filed under: Conscientizando! | MaxReinert | Comments (50)

Recebi por e-mail (através da lista de discussão do ROMA) esse vídeo bastante interessante sobre a realização, no Chile, do 4o Congresso Internacional de Famílias pela Diversidade Sexual. Achei interessantíssimo ver pessoas com uma certa idade, de países que tem muito menos “tradição”do que o nosso quando se fala em diversidade sexual, discutindo abertamente sobre questões tão atuais.

O vídeo é longo mas, com certeza, vale a pena!

Filed under: Conscientizando! | MaxReinert | February 9, 2011 Comments (0)

Loren Cameron | Buck Angel

O universo trans sempre me instigou. Assim como me interessam filmes gays e, mais especialmente, nudez e sexo no cinema, sempre me interessei pelos transformistas que assistia na TV e por aqueles seres marginais que circulam pela noite, anônimos e solitários. Pessoas que transformam seu corpo ou sua aparência, indivíduos aprisionados em um corpo que não aceitam, outros que se libertam sendo o que não são…

Claro que este é outro tema pra lá de complexo. Sabemos que pra falar com alta propriedade, seria preciso ter uma interlocução com psiquiatras e psicanalistas, médicos e especialistas em transgênero. Assim como falei no post anterior (que você pode ler aqui), tudo o que diz respeito à sexualidade me interessa.

Pra ser bem franco, nunca tive grande convivência com um (a) transexual… E não é por preconceito, mas por falta de oportunidade. Na verdade, cresci em um bairro onde vivia uma, acho que seu nome era Solange. Ela era cabeleireira e minha mãe cortava os cabelos com ela todos os meses; eu, inclusive, cortei várias vezes meus cabelos com ela. Mas não posso dizer que havia uma relação de amizade porque, além de muito reservada (ela era muito respeitada no bairro), Solange mantinha uma certa restrição em relação as pessoas. Até hoje lembro que ela ia tomar sol na praia com os cabelos presos em um coque bem no alto da cabeça… Na época, estranhava aquela moda e achava que era pela sua profissão afinal, uma boa cabeleireira tem que lançar tendências, não é? Embora a moda de Solange nunca tenha pego… Só depois de adulto é que entendi que aquele famigerado coque era pra disfarçar sua iminente calvície.

Bem, na época de faculdade me deparei com uma figura exótica que circulava pelos corredores ostentando inacreditáveis modelitos, com um senso de moda feminina impressionante. Mas parece que o santo dela não gostou do meu pois nunca consegui uma aproximação de fato. E é curioso isso porque eu sempre quis ser amigo dela! Enfim… hoje ela assume seu gênero feminino com completa aceitação de família e amigos, é uma bem sucedida (e polêmica) profissional performática, embora (pelo que sei) não tenha feito a transgenitalização.

Mas alguém que tive o privilégio de conhecer e, de fato, estabelecer uma relação mais próxima, é a Maite Schneider. Sei que ela ainda é pouco conhecida, embora seja figurinha tarimbada em diversos meios. Militante, atriz e depiladora, Maite foi quem primeiro teve o direito à mudança de nome e gênero em documentos na Jurisdição brasileira (que já foi assunto de um post do Max Reinert que você pode conferir aqui). Claro que pra isso teve de se adaptar a algumas necessidades legais como, cúmulo do absurdo, ter que estabelecer residência em Porto Alegre pois o RS era o único estado brasileiro aberto a tais moções. Esta é, de fato, uma importante conquista para a comunidade LGBT por se tratar de um aspecto vital na inclusão societária. Imagina você se reconhecer como Maite e seus documentos dizerem que você se chama “Alexandre”?

Então achei que é pertinente em épocas de BBB e São Paulo Fashion Week onde as pessoas e a mídia soam mais dispostas a tratar de assuntos relacionados a sexualidade – talvez abarcados pela participação da primeira transexual do programa ou pelo desfile da top-trans Lea T na semana da moda – reforçar esse coro falando sobre algo que tem me encantado desde meados do ano passado: tempos atrás, enquanto pesquisava um pouco sobre transexuais, me deparei com algumas notícias e imagens que me impressionaram: descobri os trans-homens!

Sei que você, leitor (a), já sabe de algumas histórias amplamente divulgadas recentemente como a de Chaz Bono (filho da cantora Cher) e de Thomas Beatie, o primeiro homem “grávido” (que já teve um segundo filho, inclusive!). Mas já experimentou procurar um pouco mais a respeito? Foi com essa curiosidade que fui pesquisar e encontrei algumas destas informações.

Fiquei pasmado quando vi as imagens e (de novo) não foi por preconceito, foi estupefação mesmo diante daquilo que eu sabia que existia mas nunca tinha visto! Realmente uma coisa muito louca. Porque pra gente é comum imaginar um homem que transforma seu corpo para se adequar à sua sexualidade, não? A gente imagina direto uma lipoaspiração, implante de seios, prótese nos bumbuns, depilações, megahair e decotes abissais. Mas o que vi são músculos, pelos, cavanhaques e, pasmem!, homens interessantíssimos e sexies!

Se você tiver curiosidade, pode ver algumas das imagens de que falo aqui e aqui. Não é estranho pensar num homem musculoso e absolutamente desejável com uma vagina no meio das pernas?!? Os mais conservadores poderão não acreditar no que veem e os fundamentalistas certamente dirão se tratar de coisa do demo. Em seguida, encontrei um site de relacionamento onde se documenta os trans-homens. Muitos – mas muitos mesmo – são profissionais bem sucedidos e respeitados, em sua maioria doutores em sexualidade, cientistas, pesquisadores em geral. Quase todos militantes. Legal, não?

Mas daí tem um dado curioso: embora Loren Cameron seja um conceituado fotógrafo, Buck Angel é… ator pornô! Não posso deixar de pensar que isso é um clichê. Mas tem espaço pra críticas? Suponho que não…

Já percebeu o quão comum é estranharmos uma lésbica, daquelas que pejorativamente chamam de trucker? Por mais que façamos parecer natural, ainda nos soa estranho ver uma lésbica vestindo calça larga, camisa de botão e chuteiras, com aquele cabelinho curto trabalhado no gel fixador e, ainda por cima, andando como se tivesse bolas! Bem, eu conheço várias assim. Algumas exatamente assim! Outras, ainda tentando se socializar (tentando um fingido enquadramento feminino-normativo, embora loucas por tosar as madeixas). Lembro da ex-namorada de uma grande amiga minha que, de tão masculinizada, era confundida naturalmente com um homem; as pessoas se chocam quando ela diz ser mulher embora ela, com toda naturalidade, ache comum tão confusão. Uma vez perguntei se ela se sentia presa num corpo feminino, se tinha vontade de “ter um pinto” ou se já pensou em ser homem. Divertida, ela respondeu que tudo estava bom do jeito que estava. Mas não pude deixar de pensar que ela fosse um tipo de trans-homem; acho que foi a primeira vez que cogitei que essa possibilidade existe!

Percebe o quanto a simples descrição de um estranhamento vem carregada de preconceito internalizado?

Então pensemos: em que ambiente profissional um trans-homem seria bem acolhido? Qual é a profissão mais “natural” pra essas pessoas? Nossa, não tem mesmo como escapar dos clichês! A gente sabe que o sexo é um negócio rentável, basta olhar para a indústria pornô e perceber quantos títulos com travestis se encontram disponíveis. Se não são profissionais do sexo, certamente são cabeleireiras ou… depiladoras! Buck Angel é um ator altamente gabaritado e requisitado. Imagina o fetiche?

Mas, pelo seu pioneirismo – ser o primeiro trans homem a mostrar o rosto, ao invés de apenas sua genitália – Buck Angel é uma pessoa ímpar e tem uma firmeza que muitas vezes nos falta ao assumir nossa postura. Ser homem e ser mulher é pura categorização! Não dá mais para pensarmos “isso é feminino” e “isso é masculino”. Não é um órgão sexual, muito menos a aparência que determinam nosso gênero, nossa sexualidade.

O fato mais que concreto aqui apresentado é que por mais que tentemos descrever tais “seres contemporâneo-mitológicos” ou falar das “categorias” reinantes no universo LGBT sempre estaremos envolvidos – mesmo que por uma membrana – de preconceito. Não tem como não fazer uma menção [honrosa] àquela figura do momento que abarcou as atenções nas últimas semanas pela sua participação no BBB. Em minha opinião, e pelo meu olhar para as coisas, posso afirmar que Ariadna não revelou de cara sua transexualidade devido a uma carga muito grande de preconceito que traz pela sua própria condição. Imagine: ex-profissional do sexo, cabeleireira e trans… Por menos que seu físico e seu comportamento denunciem, seu corpo e sua razão estarão sempre marcados pelas cicatrizes históricas de uma civilização preconceituosa.

Filed under: Conscientizando!,Pensando! | Tags: , | Cristóvão de Oliveira | February 1, 2011 Comments (2)

Powered by WordPress | Design by Roy Tanck
SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline BlogBlogs.Com.Br