
Uma das grandes “mágoas” que os preconceituosos tem contra os homossexuais é que eles dizem que nós temos “a mania de achar que todo mundo é gay”! Ou ainda, “achar que todo mundo que agride um gay é viado enrustido”. Se por um lado os gays podem ser sim, tendenciosos, por outro, os homofóbicos de plantão não se cansam de dar provas de que essas “teorias” devem seguir firmes e fortes no imaginário gay.
Escândalos atrás de escândalos estão por aí para comprovar que muitos dos que se anunciam “arautos da moralidade, da família e dos bons costumes” na verdade são homossexuais enrustidos que, não sabendo lidar de forma saudável com sua própria sexualidade, atacam aqueles que tem coragem de mostrar-se ao mundo.
Vamos tomar por exemplo um hipócrita que é pastor batista, George Alan Rekers, um dos Tops do movimento anti-gay estadunidense. (Aliás, que país fascinante e mal resolvido é o E.U.A, hein?) Ele fazia parte do “Conselho de Pesquisa Familiar” que se descreve como um grupo de advocacia defendendo “o casamento e a família como fundamento da civilização, a semente da virtude, a fonte e da sociedade”… até ser pego no aeroporto de Miami, chegando de uma viagem de 10 dias a Europa, acompanhado de um acompanhante (escort, em inglês; michê, na vida real) de 20 anos de idade. Segundo ele, “havia acabado de fazer uma cirurgia e por isso precisou de alguém para levar as malas, já que não poderia levantar peso”.
Quando confrontado sobre a ciência de que o rapaz prestava serviços sexuais, primeiro alegou não ter conhecimento da “profissão” do rapaz. Mas o pastor, que também é membro do conselho da NARTH, um grupo que defende os desejos homossexuais podem ser “curados” com a terapia, e autor do livro “Growing Up Straight: What Families Should Know About Homosexuality.” (algo como “Crescendo Hetero: O que as Famílias devem saber sobre homossexualidade”), em posterior entrevista, alegou que “estava simplesmente tentando espalhar a mensagem de amor para Lucien.”
“Eu procuro amorosamente compartilhar dois tipos de mensagens com eles [os homossexuais], como eu fiz com o jovem chamado “Lucien” da notícia: [1] É possível deixar as práticas homossexuais para evitar os riscos de saúde inaceitáveis associados com esse comportamento, e [2] a decisão mais importante podemos ter é estabelecer um relacionamento com Deus por toda a eternidade, confiando em Jesus Cristo e no seu sacrifício na cruz para remissão dos vossos pecados, incluindo os homossexuais” – disse ele.

Outro exemplo que eu acho fascinante, desta vez na ficção, é do personagem brilhantemente interpretado por Chris Cooper, no filme Beleza Americana. Desde o primeiro momento de sua aparição em cena, o Coronel Frank Fitts, deixa bastante claro sua masculinidade e seu desprezo por qualquer tipo de “acontecimento” que fuja da “regra”.
Educando seu filho com rédeas curtíssimas, não se poupa de agredí-lo fisicamente e moralmente para “mantê-lo na linha”. Seus vizinhos são frequentes alvos de comentários preconceituosos. Um casal gay que mora no mesmo bairro é motivo de uma síncope. O ápice de seu personagem é quando ele “deduz” que seu filho (Wes Bentley) presta serviços ao vizinho (Kevin Spacey) após presenciar o que ele “acredita” ser uma cena de felação.
Sua “raiva” do seu filho é tamanha que ele o agride e o expulsa de casa. E então, sufocado pela dor, busca o vizinho e o beija de uma forma tão dolorida que chegamos a nos compadecer. Ao ser rejeitado (afinal o personagem de Kevin não é gay), ele se transforma em um dos suspeitos da morte do próprio.
Chegamos assim ao ápice da relação desejo/homofobia. A total eliminação do objeto do desejo. Quando o amor não encontra terreno para se desenvolver, só nos resta o ódio por aquilo que não podemos ter.
Com isso eu estou afirmando que “todos os homofóbicos são gays enrustidos”? Não. Mas digo sim que existe uma parcela (grande!!!) de agressores que estão sublimando suas necessidades sexuais através da violência. E enquanto não houver mecanismos (principalmente ligados à educação para a diversidade) para que as pessoas possam “entender” e “canalizar” essa energia para outros lugares, os crimes de violência contra homossexuais vão continuar acontecendo.
Triste… mas verdade!