Existe um ditado que diz que “quem fala demais, dá bom dia à cavalo”… e não é que isso é verdade mesmo? Hoje em dia, o mundo tem se transformado em um lugar em que todo mundo tem opinião sobre tudo. Este blog mesmo é sinônimo dessa “democratização de opiniões”. Isso é uma coisa boa!
O problema é que, quando eu falo uma bobagem aqui, isso afeta uma meia dúzia de pessoas, no máximo. Ou seja, eu não tenho “poder” suficiente para fazer com que minhas “opiniões” tenham um peso no dia-a-dia das pessoas em geral. No máximo vou influenciar um nicho muito restrito e específico.
Uma coisa muito diferente é um deputado federal falar uma bobagem enorme, em um programa de televisão (mesmo que seja um programa com audiência reduzida), sobre algo que ele não é nem de perto especialista e que pode afetar sim um número considerável de pessoas.
Pois, esta declaração foi feita durante o programa “Participação Popular”, da TV Câmara. Os deputados Jair Bolsonaro e Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE), presidente da Frente Parlamentar da Criança e do Adolescente, discutiam sobre a Lei da Palmada, quando Bolsonaro disse: “O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”.
Quando começamos a discutir este tipo de posicionamento, já vejo alguém começar a falar “mas o deputado tem direito de ter uma opinião diferente de você”. E seguir: “Vocês gays tem a mania de chamar quem não concorda com vocês de homofobicos!”
Pode ser… Não vou negar que, como “seres acuados” que somos (afinal todos os dias tem aparecido uma notícia nova de algum gay sendo agredido por sua condição homosexual), talvez tenhamos desenvolvido esse “pânico” permanente contra esse tipo de declaração.
Mas não posso deixar de achar, no mínimo irresponsável, essa declaração do nobre deputado. Oras, se estamos vivendo um momento claro em que os gays estão sendo pressionados a deixarem de ser homosexuais, ou no mínimo “esconderem” sua condição, é muita BURRICE vir a público “justificar” a violência como forma de “controle” sobre algo que está além de nossas forças. Não vou entrar aqui no debate, já velho e cansativo, de que ninguém escolhe ser homosexual. Somos assim (ponto final).
Obviamente o deputado Bolsonaro discorda desta minha opinião. Obviamente o deputado Bolsonaro não está pregando que se espanquem gays pelas ruas para mostrar a eles que eles estão no “caminho errado”. Mas, algumas almas mais ignorantes do que ele (e elas existem, acreditem!) podem muito bem ler essa mensagem nas entrelinhas de seu discurso.
Criados por pais que os agridem, inclusive fisicamente, por algo que eles são ou fazem, essas almas ignorantes encontram nos gays uma razão para despejarem suas frustações e/ou vingarem-se dos mal tratos recebidos. “Quem são vocês para se darem o direito de serem diferentes de mim?” “Quem são vocês que têm coragem de sair às ruas demonstrando seus desejos, sem se envergonhar de sua condição?” “Não esfreguem sua condição na minha cara!” “Façam o que quiserem, mas dentro de quatro paredes.”
Nunca acreditei que a violência gráfica (dos filmes e dos videogamos, por exemplo) tivesse o poder de corromper a alma de uma criança transformando-a em um adulto violento. Mas tenho em mim uma crença forte (e posso estar errado) de que um tapa de um dos pais, algumas vezes, pode deixar marcas mais profundas do que as que ficam na pele.










Mais uma rodada de indicação de leituras. Escolha o seu e enjoy! Ou melhor ainda, leia todos!!!!


