A recente onda de suicídios de jovens gays nos Estados Unidos não passou despercebida pela comunidade gay de lá.

O presidente Barack Obama fez um discurso falando diretamente sobre o assunto. Entre outras coisas, disse que não sabe o que é crescer sendo gay, mas sabe a sensação de se sentir diferente dos demais e completou: “Você não está sozinho. Você não fez nada de errado. Você não fez nada para merecer ser intimidado. E há um mundo inteiro esperando por você, repleto de possibilidades. Há pessoas lá fora que te amam e se preocupam com do jeito que você é. E se você se sentir mal por causa do assédio moral, por causa do que as pessoas estão dizendo, você deve procurar o auxílio das pessoas em quem confia.

O ativista Dan Savage criou o projeto “It Gets Better” que entre outras ações tem um canal no YouTube para dar voz e encorajar pessoas que foram vítima de preconceito a se mostrarem e transmitir esperança a quem está passando por isso nesse exato momento.

No último doming, 24, o Coral de Homens Gays de Los Angeles se reuniu em uma igreja presbiteriana para demonstrar seu apoio à campanha “It Gets Better”. A iniciativa tem o objetivo de mostrar a crianças e jovens gays vítimas de bullying que as coisas tendem a melhorar na medida em que se cresce.

O grupo apresenta uma versão muito bonitinha de True Colors, hit de Cyndi Lauper cheio de versos bem oportunos para a ocasião. O vídeo começa com uma mensagem: “Podemos não ser capazes de deter os perseguidores, mas podemos dizer a você que a vida vai melhorar. E que todas as coisas que fazem de você diferente se tornarão as coisas que todos mais irão valorizar em você”.

Além dos membros do coral, parentes e amigos de todas as idades também participam.

Então, vejam os vídeos do discurso do Presidente Obama (em letra maiúscula!!! Só para marcar a diferença com outros presidentes que temos por aí) e o vídeo gravado pelo Coral de Homens Gays de Los Angeles. No canal do projeto também há bastante vídeos interessantes, entre eles um com os funcionários gays do Facebook!

Tradução de True Colors (via Letras Terra) :

Você com estes olhos tristes
Não perca a coragem até eu perceber
Que é difícil ter coragem
Em um mundo, cheio de gente
Você pode perder de vista
E a escuridão, dentro de você te faz sentir pequeno

Mas eu verei você como você realmente é, brilhando
Eu vejo você como realmente é, e é por isso que te amo
Então não tenha medo, de mostrá-las
Suas cores verdadeiras, cores verdadeiras
São lindas, Ohh como um arco-íris

Me mostre um sorriso
Não fique infeliz. Não me lembro
Da última vez que te vi sorrindo
Quando esse mundo te deixar louco
E você tiver aguentado tudo que pode aguentar
Apenas me ligue, porque você sabe que eu estarei aqui

E eu verei suas verdadeiras cores, brilhando
Eu vejo suas verdadeiras cores, e é por isso que te amo
Então não tenha medo, de mostra-las
Suas verdadeiras cores, verdadeiras cores
São lindas, Ohh como um arco-íris

Olhos tão tristes
Tenha coragem agora, perceba
Quando esse mundo te deixar louco
E você tiver aguentado tudo que pode aguentar
Apenas me ligue, porque você sabe que eu estarei aqui

E eu verei você como realmente é, brilhando
Eu vejo suas cores verdadeiras, e é por isso que te amo
Então não tenha medo, de mostrar
Suas cores verdadeiras, cores verdadeiras, cores verdadeiras brilhando
Eu vejo suas cores verdadeiras, e é por isso que te amo
Então não tenha medo, você tem “um ombro”
Cores verdadeiras, cores verdadeiras, cores verdadeiras
São lindas, lindas como um arco-íris (yeah, yeah)2x
Mostre-me suas cores, mostre seu arco-íris 4x

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | October 29, 2010 Comments (1)

Uma das coisas que eu mais gosto no twitter é a possibilidade de entabular discussões rápidas acerca de assuntos inusitados. Dia desses,começamos uma conversa a partir de um link enviado pela @SrtaBia de um texto que falava sobre “cavalheirismo” e estava escrito por uma mulher dentro de uma visão tão machista, que dava vergonha alheia.

Das relações machistas descritas no texto para o machismo dentro das relações homossexuais, foi um salto que não sei direito como explicar, mas a verdade é que em pouco tempo estávamos eu, a já citada (rs) e mais @AndreV e @NotOnProzac batendo um papo online sobre várias questões… até chegarmos ao absurdo mais aceito como óbvio dentro do “mundinho” homossexual:
Os homossexuais passivos e/ou “afeminados” dentro da comunidade gay, são cidadãos de segunda classe.

Se você é homossexual, as coisas que eu vou comentar aqui são extremamente deja vú. Não é de hoje que TODO MUNDO SABE que aos homossexuais passivos (os que são penetrados durante a relação sexual) é destinado um olhar pejorativo dentro do universo gay.

As “pintosas”, as bichas efeminadas, as “passivonas” são rótulos colocados à priori sobre uma parcela da população homossexual que contribuem para a construção de um “apartheid” gay. Lugar de “barbie” é com as outras “barbies”. Lugar de “bee” é com as outras “bees”. Lugar de “gay macho” é com a população heterossexual.

Dessa forma, vemos um sistema criado que “classifica” as pessoas de acordo com o seu grau de “feminilidade”. Quanto mais “masculina” é a aparência do gay, mais “valor de mercado” ele obtem. Logo, por mais absurda que essa relação possa parecer, os passivos são colocados como figuras submissas e “mais femininos”. Ou seja, parâmetros distorcidos em uma percepção “social”.

De absurdos do tamanho do “não necessariamente um cara que come outro cara é gay” ao “só me relaciono com caras discretos“, o que podemos perceber é a reprodução de padrões machistas dentro de um “gueto” que teoricamente não deveria se encaixar dentro dessas mesmas definições. (Estou falando das minhas experiências em relação a homossexualidade masculina, mas ouso dizer que elas se reproduzem também de alguma forma entre as lésbicas.)

Oras, uma coisa que sempre me deixa assustado é uma classe que têm de lutar para poder manter sua dignidade dentro de um mundo que é ainda extremamente homofóbico, tão facilmente ou rapidamente usar os mesmo mecanismos de dominação dentro de uma perspectiva mais íntima. Ou será que, exatamente por serem encorajados a reafirmar a sua masculinidade para não se tornarem o “viadinho” da turma, os homossexuais se tornam vítimas da introjeção de certos estereótipos machistas?

Atenção que, estou me referindo ao “parecer” e não ao “ser”. Porque, com esse sistema de castas que impera no universo gay, o mais comum é encontrarmos indivíduos que se esforçam para “aparentar” uma condição masculina que nem sempre condiz com a sua personalidade.

Não é difícil encontrar por aí o que (também pejorativamente – sim, é quase uma vingança) chamo de “bicha panqueca”: São aqueles gays que juuuuuuuuuuuram de pé juntinho que são ativos, mas durante a relação sexual são os primeiros a “virar” de lado e exercerem a “função” de passivo… algumas vezes, reproduzindo um comportamento estereotipado que, na realidade, nada tem de feminino ou até mesmo de excitante.

Por mais clichê que possa parecer, a aceitação de minha homossexualidade, foi/é um processo que tem a ver com a aceitação de “quem eu sou”. Este “quem eu sou” passou (e passa) por diversas etapas que vão desde a aceitação do desejo afetivo por outros homens até a descoberta de uma “maneira de ser” que não necessariamente precisa se espelhar nos arquétipos que me foram oferecidos pelos meus pais e pela sociedade.

A partir do momento em que me descobri gay e aceitei esta condição, ao contrário do que a maioria costuma dizer, senti muita liberdade em ser o que eu quisesse. Na falta do que eu chamo de “imagens positivas” para a comunidade (afinal, na minha época, ser gay ainda era mais ligado ao submundo) e na negação do estereótipo do “transgênero” (nunca tive vontade de me transformar em mulher), não me sobrou muita opção por uma “forma” específica para a expressão da minha sexualidade.

Ao mesmo tempo, sempre acreditei que a minha sexualidade é apenas uma porção da minha “persona”, assim que não deveria dar tanta importância que ela se “expressasse” tão notadamente no meu dia-a-dia. Parece ter funcionado. Nunca tive muitos problemas por causa do meu jeito de ser. Se por um lado, raramente sou agredido/abordado por ter um comportamento “gay demais”, por outro, nunca me perguntam se eu sou gay ou não, visto que isso se revela em mim.

Não estou, de forma nenhuma, tentando ditar e/ou delimitar como deve ser o comportamento homossexual. Acho que cada um deve achar sua forma e escolher sua maneira de expressar sua sexualidade. O que me incomoda um pouco é a necessidade que alguns têm de “reproduzir um padrão” específico, na maioria das vezes apoiado em uma perspectiva heteronormativa, onde os homens agem de uma certa maneira e as mulheres de outra.

Tal “necessidade” se percebe em vários aspectos. Desde o comportamento que eu descrevi acima, uma tentativa de se encaixar em padrões de masculino e feminino, até a reprodução do padrão “marido/mulher dos anos 50″ no caso de uma relação de parceria. E, como nos casamentos dos anos 50, toda a relação machista que sustentava aquele tipo de união reaparece de forma absurdamente anacrônica.

Dessa forma, negando um pouco o que falei lá no início do texto, não é somente no universo gay que essas relações machistas aparecem. Na verdade, elas aparecem em todas as relações que ainda insistem em reproduzir a discriminação com o feminino. Nossa herança quase genética em separar homens e mulheres com indivíduos com “valores” diferentes perante a sociedade.

É o mesmo tipo de pensamento que ainda culpa a mulher quando ela é estuprada. O mesmo tipo de pensamento que não vê nada demais no “Rodeio das Gordas” (vejam alguns comentários e desesperem-se!). O mesmo tipo de pensamento que justifica assassinatos como o do caso do Goleiro Bruno. O mesmo tipo de pensamento, que afirma com todas as letras, que “viadinho é quem dá”, “quem come é que é macho”!  E não entende que, sem os opostos (quando eles existem) não há atração possível.

Filed under: Pensando! | MaxReinert | October 28, 2010 Comments (9)

É oficial…o contador marcou e o NoGhetto chegou aos 500 MIL PAGEVIEWS!!!

Obrigadão para todos aqueles que estiveram por aqui, comentaram, conversaram, ajudaram, atrapalharam, acharam uma bobagem, se ofenderam, se escandalizaram… ou simplesmente nem deram bola!

Enfim… todos que passaram por aqui já estão convidados a retornar… vamos chegar à 01 milhão logo… afinal, tem blog que faz isso por mês!!! :)

PS: Ignorem o título e faz de conta que eu mandei fazer essa queima de fogos! :P

Filed under: Futilidade! | MaxReinert | October 23, 2010 Comments (2)

Se eu ainda não curto muito o trabalho do PCSiqueira (Vlogs não são a minha praia)… pelo menos, depois deste vídeo abaixo (versão recortada) eu passei a respeitá-lo. Não porque ele tenha se posicionado claramente contra os homofóbicos de plantão, mas porque ele colocou as coisas da forma mais básica possível.

“Por que até onde eu sei, a maioria das pessoas que têm preconceito com os gays, raramente teve contato com gays ou raramente teve alguma experiência ruim com gays.”

E acho que ele aqui ele simplesmente jogou uma pá de cal em cima da maioria das pessoas.

Eu fico pensando: Todas as pessoas que xingam (pôxa, vai ler os comentários deste blog), que se sentem ofendidas e/ou agredidas pelos homossexuais já tiveram realmente uma experiência ‘traumática” com algum gay? Nesse caso, quantas delas também já não tiveram experiências ruins com heterossexuais?

Quer odiar alguém? Para quê? Isso te dá a esperança ou a vaga sensação de ser alguém com poder e/ou um objetivo na vida?

Não é necessário… como o PC mesmo termina dizendo no vídeo: “Não precisa odiar, você pode amar!”… e essa frase tem milhares de interpretações possíveis!

O vídeo já é velhinho (tem 03 semanas) mas eu só soube dele hoje, através do Muza!

Filed under: Indicando!,Visibilidade! | MaxReinert | October 21, 2010 Comments (63)

Editorial da revista Interview de outubro, com Naomi Campbell. E o modelo? Alguém sabe como chama?

Vi no blog do Cristiano Santos!

Filed under: Futilidade! | MaxReinert | Comments (0)

Tecle Mulher Lésbica ouve recebe denúncias e dá encaminhamento jurídico online

Mulheres lésbicas e bissexuais do Brasil acabam de ganhar mais um canal para denunciarem abusos ou buscar orientações jurídicas. É o serviço virtual Tecle Mulher Lésbica, que teve sua origem na coordenadoria de Gênero, Cidadania e Direitos Humanos da Fundação Natureza, entidade que tem como proposta unir desenvolvimento tecnológico com convivência pacífica com a natureza.

A missão da iniciativa é defender a liberdade de orientação sexual das pessoas e promover a inclusão das diversidades, uma forma de resgatar a cidadania de mulheres lésbicas e bissexuais. No site, dá para fazer denúncias, pedir orientação jurídica e encaminhamento e ao mesmo tempo buscar informações sobre outros casos de Direito Homoafetivo.

O atendimento fica por conta também das mulheres: uma advogada e uma psicóloga orientam e encaminham os casos, sempre mantidos em sigilo. Quem preferir não precisa revelar o nome real, pode dizer um apelido ou nome fictício.

O endereço é o www.teclemulherlesbica.com.br.

Filed under: Indicando! | MaxReinert | Comments (0)

Durante um período de nossas vidas buscamos encontrar uma “tribo”. Encontrar um núcleo dentro da sociedade que nos aceite como somos. Um lugar. Uma aprovação. Uma grife. Um lugarzinho confortável em que possamos nos encaixar.

Para alguns adolescentes esse processo acaba sendo um pouco mais doloroso do que para a maioria. Não porque eles não encontrem uma tribo com a qual se identifiquem, mas porque eles acabam sendo hostilizados por serem “gordos demais”, “burros demais”, “sensíveis demais” ou simplesmente “gays”. Dessa forma, mesmo que você encontre sua “tribo”, seus problemas ainda não terminaram.

Por que? Porque algumas “tribos” não são aceitas. Não basta você se enturmar a andar somente com seus amigos… aonde você estiver, você vai ser “lembrado” e sofrerá as consequências por sua “escolha equivocada”. (por favor, prestem atenção nas aspas).

Dessa forma, mais do que aceitação, depois de um tempo, você começa a querer (e fazer força) para ser “ignorado”.

Seus pensamentos, na maioria das vezes, estão concentrados em não ser notado. Em passar desapercebido pelas situações, somente para não ter que “ouvir certas coisas” ou “ser olhado de certas maneiras”.

Alguns adolescentes acabam por não suportar essa fase. Como já escrevi aqui, existem muitas formas de sofrermos uma agressão homofóbica. Não necessariamente é uma agressão física. Não necessariamente é algo feito com “a intenção” de agredir. Mas agride. E de agressão em agressão, alguns chegam a tomar alguma atitudes drásticas, ou até mesmo o suicídio.

Chega!!!

Sinto muito, mas eu não vou deixar de existir porque você não aceita que eu seja gay. Por mais que você deseje que todos os gays desapareçam, isso não vai acontecer. Os gays (ou seja, nós) sempre existimos, seja em qual época for. Seja na natureza (sim, também os animais praticam atos homossexuais), seja na sua rua ou até mesmo, dentro da sua casa. E não vamos deixar de existir só porque você quer. Assim que, no dia a dia, minha sugestão para você é “Get Over it!” (Supere!!!) ou (Acostume-se!!!)

Não tente ser super descolado e “até ter um amigo gay”: Não somos bichinhos de estimação. Não tente ser mal educado e me agredir: Eu vou reagir! Não tente ser engraçadinho e fazer piadinhas: Eu vou tombar com você. Não tente retirar meus direitos: Nós vamos lutar por eles.

E se você não estiver de acordo com isso: Nos ignore! Mas não tente nos prejudicar, pois isto nós não vamos mais aceitar.

Filed under: Pensando! | MaxReinert | October 18, 2010 Comments (59)

Até que enfim um posicionamento coerente dentro desta “confusão” toda!
Ambos as candidaturas se equivocaram muito na maneira como trataram os nossos direitos nesta campanha.
Viramos moeda de troca na trilha de ódio e preconceito pregada por certos setores da sociedade.
Inadmissível!

Prezada Dilma e Prezado Serra,

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, é uma entidade que congrega 237 organizações da sociedade civil em todos Estados do Brasil. Tem como missão a promoção da cidadania e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.

Assim sendo, nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa.

Respeito aos direitos humanos e, principalmente, respeito à laicidade do Estado, à separação entre religião e esfera pública, e à garantia da divisão dos Poderes, de tal modo que o Executivo não interfira no Legislativo ou Judiciário, e vice-versa, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral.

Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial.

O Estado brasileiro é laico. O avanço da democracia brasileira é que tem nos permitido pautar, nos últimos anos, os direitos civis dos homossexuais e combater a homofobia. Também tem nos permitido realizar a promoção da autonomia das mulheres e combater o machismo, entre os demais avanços alcançados. O progresso não pode parar.

Por isso, causa extrema preocupação constatar a tentativa de utilização da fé de milhões de brasileiros e brasileiras para influir no resultado das eleições presidenciais que vivenciamos. Nos últimos dias, ficou clara a inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos. Não podemos aceitar esta tentativa de utilização do medo como orientador de nossos processos políticos. Não podemos aceitar que nosso processo eleitoral seja confundido com uma escolha de posicionamentos religiosos de candidatos e eleitores. Não podemos aceitar que estimulem o ódio entre nosso povo.

O que o movimento LGBT e o movimento de mulheres defendem é apenas e tão somente o respeito à democracia, aos direitos civis, à autonomia individual. Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica.

Cara Dilma e Caro Serra

Por favor, voltem a conduzir o debate para o campo das ideias e do confronto programático, sem ataques pessoais, sem alimentar intrigas e boatos.

Nós da ABGLT sabemos que o núcleo das diferenças entre vocês (e entre PT e PSDB) não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública.

Candidato Serra: o senhor, como ministro da saúde, implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/Aids e normatizou o aborto legal no SUS. Aquele governo federal que o senhor integrou também elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT. Como prefeito e governador, o senhor criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual, esteve na Parada LGBT de São Paulo e apoiou diversas iniciativas em favor da população LGBT.

Candidata Dilma: a senhora ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com diversas ações. A senhora assinou, junto com o presidente Lula, o decreto de Convocação da I Conferência LGBT do mundo. A senhora já disse, inúmeras vezes, que o aborto é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia.

Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo.

A ABGLT acredita na democracia, e num país onde caibam todos seus 190 milhões de habitantes e não apenas a parcela que quer impor suas ideias baseadas numa única visão de mundo. Vivemos num país da diversidade e da pluralidade.

É hora de retomar o debate de propostas para políticas de governo e de Estado, que possam contribuir para o avanço da nação brasileira, incluindo a segurança pública, a educação, a saúde, a cultura, o emprego, a distribuição de renda, a economia, o acesso a políticas públicas para todos e todas!

Eleições 2010, segundo turno, em 15 de outubro de 2010.

ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

Filed under: Conscientizando! | MaxReinert | October 16, 2010 Comments (2)

E a foto de Jake Gylenhaal de cueca para divulgar o filme “Amor e outras drogas” é FALSA! Apenas uma montagem que acabou circulando pela internet para aguçar nossa imaginação. A foto verdadeira você pode ver ali embaixo… mas tudo bem… eu, pelo menos, ainda vou ver o filme… e o modelo da foto de verdade também não é de se jogar fora…. né?

Obrigadão para o leitor João (que comentou em primeira mão)  e para o rafaelkoehler!!!

Filed under: Futilidade! | MaxReinert | October 15, 2010 Comments (0)

Uma Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais da Universidade do Vale do Itajaí (IPS Univali) apontou que 53,5% da população dos municípios de Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí e Navegantes é contrária a liberação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O índice de pessoas que aprovam a oficialização da relação é de 35,52%.

Não têm opinião formada ou não sabem somam 10,98%. Os jovens, entretanto, não seguem essa tendência e mostram-se favoráveis. De acordo com o coordenador executivo do IPS, Sérgio Saturnino Januário, 40, o índice de aceitação foi maior entre os jovens de 16 a 24 anos.

“Os jovens hoje crescem sendo o tempo inteiro bombardeados por informações a respeito do assunto. Eles assistem na televisão a paradas gays, filmes e novelas e aceitam isto mais normalmente, concordando com o debate do assunto. Os mais velhos geralmente não estabelecem esta relação porque foram educados de modo machista, por uma sociedade mais tradicional”, analisa.

O levantamento demonstrou que entre os jovens de 16 e 17 anos o índice de pessoas que disseram que o casamento homossexual deve ser legalizado chegou aos 59,26% contra 33,33% contrários. Já na faixa que vai dos 18 até 24 anos o índice cai, mas continua favorável com 54,41% de aceitação para 39,71% de pessoas contrarias.

O jornalista Willian de Lucca, 25, é homossexual e concorda com Sérgio no que diz respeito à falta de informação dos mais velhos. “A quantidade de informações a que os jovens estão expostos é maior. Eles se atualizam mais, e a intolerância mora na falta de informação. As crianças de hoje em dia já nascem expostas a informações sobre diversidade sexual, étnica, religiosa, e isto é benéfico para a construção de uma cultura de diversidade”, comenta.

A partir dos 25 anos os índices mudam, tornando-se contrários ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. A faixa entre os 60 e 69 anos passa a ser a menos tolerante, com 65,38% de pessoas contrárias para 22,53% de favoráveis. “Estas pessoas vêm de um tempo onde não havia informações claras sobre a homoafetividade, que na época era considerada um desvio de caráter, até uma doença, e por isso, existe o preconceito. Além do mais, as pessoas eram mais suscetíveis aos dogmas do cristianismo, que condena a prática homossexual”, declara Willian.

Pesquisa reacende debate

Willian contou que apesar de todas as informações, ainda existe preconceito contra homossexuais, principalmente vindo de adultos. “A gente ainda sofre, essencialmente, o preconceito velado, aquele que não é dito. Quando você assume certas posições, é normal que seja criticado. O problema não é quando criticam algo que você faz, mas algo que você é, porque ser gay não é uma escolha. Ninguém escolhe ser gay para sofrer preconceito, ser preterido socialmente”, desabafa, lembrando que além dos adultos, jovens desinformados também costumam ser preconceituosos.

Para Sérgio Saturnino a pesquisa ajuda a reacender o debate na sociedade, o que é muito importante. “Além dos números, a pesquisa coloca o tema na agenda pública, ela não vem sozinha, mas sim com a ajuda da imprensa que também aborda o tema. Assim, população se posiciona frente à pesquisa e se encaixa em um dos perfis”.

Esta é a primeira pesquisa deste gênero, outra parecida deve ser feita daqui a 10 ou 12 meses, seguida por uma série de outros levantamentos para que se possa entender o comportamento da população. O erro amostral da pesquisa é de 2,38 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa completa está disponível no banco de informações do IPS Univali e pode ser conferida pelo site.

*Publicado originalmente no jornal Manchete do Vale!

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | October 14, 2010 Comments (2)

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