A frase é do pai da cantora country, Chely Wright, duas semanas após saber da homossexualidade da filha. Incrível, mas esta moça conseguiu esconder de todos uma face sua que era importantíssima, o que a levou a um “sufocamento” e a fez chegar à beira do suicídio.
Num espaço como o NoGhetto, não vou nem comentar a dor que esta moça sentia para chegar a isso (trair a si mesma, como ela repete várias vezes na entrevista para Oprah nos vídeos abaixo) e sim focar em dois pontos que me emocionaram muito.
O pai disse que, embora ele tivesse sido criado numa sociedade que tratava a homossexualidade como um “pecado”, ao saber da filha ele pensou “eu a conheço, sei do seu coração e da sua mente, ela é uma boa pessoa”. Imaginem que duro para este homem rever todos os seus conceitos em dois minutos ou duas semanas… e que lindo ver que ele admite estar “aprendendo”.
O segundo ponto é o fato de ela admitir que criticava gays em público para evitar ser “reconhecida” por eles (eu conheço gente assim, infelizmente, várias destas pessoas!) e o outro ponto é a emoção que senti ao ouvi-la dizer que ir ao cinema, estar de mão dada ou beijar um homem soava errado internamente e a fazia sofrer (ela teve alguns namorados famosos neste tempo em que omitia sua homossexualidade). O errado mora em nosso coração, não é mesmo?
São pontos para pensar, tanto quanto o fato de ela afirmar que decidiu usar sua fama para ser um exemplo para os jovens gays se verem como pessoas, não como “damage goods”, mercadoria defeituosa, um argumento que já vi meu amigo @maxreinert usar algumas vezes, me fazendo pensar muito sobre a importância da saída do armário.
Os videos:



[...] This post was mentioned on Twitter by Eduardo JS. Honorato, MaxReinert. MaxReinert said: RT @NoGhetto Ao invés de fechar uma porta, abra seu coração! #post da @samegui no blog! http://bit.ly/bzL6o4 [...]
Pingback by Tweets that mention Ao invés de fechar uma porta, abra seu coração | No Ghetto -- Topsy.com — June 9, 2010 @ 10:18 pm
Mentir pra si mesmo é a pior mentira, já dizia uma velha canção.
Que outros sigam o exemplo de tantos que estão saindo do armário e valorizando mais do que sexualidade, mas a liberdade da consciência em muitas pessoas prisioneiras de seus próprios medos e preconceitos.
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Comment by Dragus — June 10, 2010 @ 3:37 am
Que coincidência… assisti a este desabafo no Programa da Oprah ontem.
Ouvindo o depoimento, as perguntas enfáticas de Oprah e acompanhando os olhares da Chely, me causou muito pesar saber que uma mulher tão linda, tão bem sucedida e notadamente conhecida viveu assim, anos sufocada, fugindo e escondendo suas escolhas por medo. O medo é nosso pior inimigo, não adianta!!! Mas olhe que triste, o medo dela era antes de tudo, antes do olhar de julgamento e crítica dos colegas de trabalho, fãs e imprensa,o medo da tolerância e continuidade do amor daquele pai (que tem mesmo cara de severo e quadrado, mas que me emocionou por apresentar-se engolindo o orgulho machista e assumindo o amor incondicional).
Como mãe eu me flagro pensando em quando o nosso amor e apoio incondicional representa segurança, força e base para a vida de um filho, seja lá quais forem suas dúvidas e escolhas. É por isso que ser mãe/pai exige tanta responsabilidade de nós.
Quanto a Chely, que seja um exemplo de superação e orgulho, como Rick Martin recentemente e tantos outros.
Abraços. @blogdati
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Comment by Tiffany — June 10, 2010 @ 11:29 am
Confesso q chorei, chorei, chorei de novo e depois lí.
Texto lindo e com um conteúdo a ser repassado. Acho que deu varios RTs.
Vou trabalhar o blog direto e o video, tanto com meus alunos na universidade federal (sbre grupos especificos com tematicas e sofrimentos específicos) quanto num evento maior, sobre homofobia, na megasaraiva local.
Vou acessar o blog de lá e ler seu texto e promover debates a partir dele.
Muito obrigado pelo material postado e pela sensibilidade
As palavras “damage goods”, na maneira como ela colocou, me fazem gelar, até agora!
abs
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Comment by eduardo j s honorato — June 10, 2010 @ 6:36 pm
[...] pode. Escrevi para o NoGhetto um post contando de uma entrevista na Oprah da cantora country estadunidense Chely Wright. [...]
Pingback by A tênue linha entre ser panfletário e ser natural #GLBTT | A Vida Como A Vida Quer — August 28, 2010 @ 4:02 pm