Qualquer texto começa mal quando sua premissa principal é “todo ano é a mesma coisa”! Mas…. vamos lá:
Todo ano é a mesma coisa! Enquanto milhares de pessoas “migram” para participar da Parada Gay de São Paulo, outra metade fica em casa (ou nos blogs, ou no twitter) no #mimimi de sempre!
Entre reclamações sobre a falta de politização do evento e da “aparente” imagem negativa que ela pode causar para os gays, raramente discute-se sobre o direito dos gays de mostrarem-se como são a sociedade.
Sim, não discuto aqui que não existam excessos entre os participantes. Mas, nunca vejo as pessoas reclamando tão avidamente (e anualmente) sobre os “excessos” cometidos na ruas de Salvador durante o carnaval.
Sim, em uma comunidade, existe todo o tipo de pessoas. Existem pessoas que cumprem as leis, existem pessoas que não. Existem pessoas que mesmo estando preocupadas com as questões políticas do país, tiram “um” dia no ano para ir às ruas e dizer: Sim, somos gays! Sim, existimos! Acostumem-se com isso!
Não me julguem mal… eu mesmo já reclamei da falta de politização da parada aqui em Florianópolis. Mas também já participei da parada daqui de Florianópolis! Não acho que uma coisa invalide a outra.
Não sou ativista. Não tenho paciência para ativistas. Mas, sou obrigado a concordar que as discussões levantadas por eles são importantes. Tenho acompanhado (beeeem de longe!) uma quantidade imensa de batalhas e vitórias pelos direitos dos homossexuais no Brasil. Não, nem de perto é o ideal. Mas o assunto está sendo debatido. A agenda é imensa e aberta.
Lendo uma matéria na Folha hoje falando sobre uma pesquisa que verificou que a maioria da população brasileira é contra a adoção de crianças por casais homossexuais, uma frase em especial me chamou a atenção:
“Já é um grande avanço. Na Idade Média, éramos queimados. Depois, tidos como criminosos e doentes. O fato de quase 40% da população apoiar a adoção gay é uma ótima notícia“, diz Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Ele reconhece, porém, que o preconceito é ainda grande. “Serão necessárias muitas paradas e marchas para convencer a população de que somos cidadãos que merecemos o direito da paternidade e da maternidade.“
Pode parecer estranho ter que “convencer a população de que somos cidadãos e merecemos os mesmos direitos que todos”, mas infelizmente é a situação em que nos encontramos neste momento.
Dessa forma, não nos resta outra alternativa a não ser continuar trabalhando para “iluminar” uma grande parte da população que ainda acredita em idéias equivocadas.
Não estou dizendo que as pessoas devem “aceitar” todas as outras como elas realmente são. (Eu mesmo não aceito muita gente!!!) Mas me obrigo a “respeitar” as pessoas como elas são.
A @LadyRasta (no texto “Nunca chove na terra do arco-íris“, muito inspirado, diga-se de passagem), faz a seguinte afirmação:
“Espero de coração que um dia a vida dessas pessoas possa ser ensolarada e às claras em todos os aspectos e não só no dia da Parada Gay.“
Se as pessoas querem realmente que correspondamos à imagem “alegre” e “feliz” que elas têm dos homossexuais, elas bem que poderiam começar a facilitar isto, não é mesmo? Abrir espaço para que as pessoas sejam quem elas têm vontade de ser… sem máscaras… sem armários… sem preconceito… sem homofobia… sem intolerância… sem medo!
As fotos deste post são todas do Flickr do Wagner Fontoura!






[...] This post was mentioned on Twitter by Srta. Bia and Vanessa Rodrigues, MaxReinert. MaxReinert said: @Gardini A parada gay, a pesquisa sobre adoção e a polêmica chata de sempre!http://bit.ly/cKEEYQ #post [...]
Pingback by Tweets that mention A parada gay, a pesquisa sobre adoção e a polêmica chata de sempre! | No Ghetto -- Topsy.com — June 6, 2010 @ 8:46 pm
Sabe que fiquei surpresa de você declarar que não é ativista. Porque na minha opinião só de você ter um blog claramente de temática gay já faz de você um ativista, porque você também está lutando, dando a cara a tapa, discutindo, denunciando, na briga por um mundo de respeito. Acho que o ativismo está muito mais na ação do que no cargo. Ótimo post, Max!
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Comment by Srta. Bia — June 6, 2010 @ 8:54 pm
[...] – A parada gay, a pesquisa sobre adoção e a polêmica chata de sempre! [...]
Pingback by (in)confidência mineira » Blog Archive » com a família na parada gay — June 7, 2010 @ 12:12 am
Gostei muito mesmo deste post e concordo com a srta. Bia. Publicar e manter o blog jah eh uma forma de ativismo.
Bjs,
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Comment by Vanessa — June 7, 2010 @ 12:42 am