Lá nos idos de 1995, vi um filme chamado Jeffrey (que no Brasil ganhou o subtítulo meio ridículo de “De Caso com a Vida”), bastante comercial. Nele, o personagem principal vivia uma crise de meia idade gay, onde desistia de fazer sexo durante um tempo por causa da AIDS. Em uma pequena cena paralela, a mãe de algum personagem que eu não lembro, ia à uma Parada e conhecia alguns participantes. Dentre eles um casal de transexuais lésbicas.
No filme elas contam que quando se conheceram eram gays, mas começaram a desenvolver uma tendência por gostar de mulheres e decidiram fazer a operação de mudança de sexo e tornaram-se lésbicas. Uma volta imensa para a aceitação sexual, eu diria. O filme, uma comédia obviamente, levantava de forma singela certas relações presentes no mundo contemporâneo.
Talvez, seja por isto que, quando a li essa notícia aqui, eu não estranhei algumas colocações que aparecem no texto:
Scott, que nasceu Jessica, disse que desde os 11 anos percebera que gostaria de ser um homem. Os pais pagaram o equivalente a 13 mil reais para que os seios da filha/filho fossem removidos.
Thomas, que já foi Laura, fez cirurgia para mudança de sexo no ano passado, quando removeu o útero.
No final do texto aparece um outro trecho assim:
Recapitulando: Duas mulheres se tornaram “homens” e formam um casal. Um deles está “grávido”. Entendido?
Não quero ser preconceituoso e imprimir regras para as definições de gênero de cada indivíduo. Continuo acreditando na diversidade de possibilidades e achando que cada pessoa vai encontrando formas para se sentir uma pessoa realizada e feliz. Mas, de certa forma, eu me pego pensando como essa quantidade de “transformações” pode assustar à algumas pessoas que não estão familiarizadas com outros modos de vida. Imagine-se no lugar de uma pessoa que foi educada a vida toda para achar que os papéis de cada indivíduos são imutáveis e pré-definidos! Obviamente elas devem estranhar!
O que estou querendo dizer é que compreendo a dificuldade que as pessoas podem ter pela “ignorância” sobre o assunto. Por outro lado, essa ignorância, de forma alguma, justifica ações preconceituosas. Oras, se uma pessoa encontra algo que desconhece, sua primeira “reação” não deveria ser de “repressão” ou “violência”. Será que temos impresso em nossa memória recente somente essa “possibilidade”?
De certa forma, as reações de um povo são o reflexo de um contexto e de uma época. Um mundo cada vez mais imerso na violência urbana, apoiada em uma cultura de impunidade tende a acreditar/render-se à reações violentas. Ou começamos JÁ a mudar essa postura e construir uma educação diferente para oferecer às nossas crianças ou estaremos fadados à barbárie.


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virou bagunça
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Comment by c — May 30, 2010 @ 11:27 pm