Li a notícia num tuite da @veriserpa hoje cedo: Itália anuncia criação de presídio exclusivo para transexuais. Na hora lembrei da celeuma que se criou sobre os asilos para transexuais na Espanha, sobre os quais @maxreinert falou aqui.
Segundo informações da BBC, o governo italiano anunciou a criação daquela que possivelmente será a primeira prisão exclusiva para transexuais do mundo, nos arredores de Florença, no presídio de Pozzale (que já foi prisão feminina comum de segurança média) para abrigar cerca de 30 detentos. O número parece pequeno, mas oficialmente está dentro da realidade: calcula-se que cerca de 60 transexuais atualmente estejam presos no país, espalhados por prisões masculinas e femininas, nas quais dividem o espaço (as prisões de lá também são superlotadas) com homens e mulheres e frequentemente precisam ser isolados para sua própria segurança..
Um grupo ativista gay (infelizmente, não descobri qual) elogiou a iniciativa do governo italiano, afirmando que uma prisão exclusiva para transexuais permite que os detentos tenham o apoio necessário, pois o presídio de Pozzale tem uma biblioteca, um centro de recreação e terreno para cultivo de alimentos.


Bem vinda, Sam!!!
Eu sempre gosto de pensar bastante antes de emitir algum tipo de juízo sobre esse tipo de notícia. Se por um lado sou bastante contra a criação de guetos e/ou lugares que ampliem ainda mais a discriminação de certas minorias, por outro tenho uma certa idéia da dificuldade que deve ser paras as transexuais em dividiram a prisão com os outros prisioneiros.
Infelizmente o mundo não está preparado (ainda! e será que algum dia estará?) para conviver tranquilamente com as diversidade. Nesse momento apoio 100% a criação deste espaço!
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Comment by MaxReinert — January 13, 2010 @ 10:14 am
Tipo, presos homoafetivos têm problemas graves em presídios, ainda mais se parecerem mulheres.
Melhor mesmo separar para protegê-los dos outros.
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Comment by Dragus — January 13, 2010 @ 10:15 am
Sabe Max, minha mãe atuava como defensora pública no Paraná nas décadas de 1980-90. E lá por 1988 foi convidada a atuar no manicômio judiciário de lá, para onde eram enviados os casos de aidéticos (sim, eles ainda separavam sabe?) e por isso atendeu muitos travestis (não lembro de referências a transexuais). Lembro que ela me contava que procurava agir com respeito e um dos detalhes era explicar, quando começava a atender o cliente (vc sabe, quem não pode pagar um advogado particular, é cliente da defensoria pública) ela explicava que, legalmente, tinha que chama-lo pelo nome de registro, mas que respeitava sua mudança de nome que acompanhava a mudança de gênero desejada. Veja que, vinte anos atrás, era um esforço. Mas haviam muitos desmandos também e frequentemente ela voltava deprimida com a situação dos presos.
Foi por conta disso que eu quis escrever sobre o tema hoje. Minha estreia aqui, como simpatizante da causa, é de alguém que luta por direitos, mas que os concebe não como um “coletivo generalista” e sim um esforço por atender às reais necessidades humanas. Por exemplo, se é possivel deixar um pequeno presidio inteiro para determinado grupo com necessidades especiais (podiam ser detentas gestantes ou mães com bebês) por que não fazê-lo? Atender ao ser humano em suas necessidades mais “humanas” é uma condição para nos considerarmos civilizados.
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Comment by samegui — January 13, 2010 @ 10:23 am
[...] texto lá tratava de um presídio italiano para transexuais e lembrava da experiência que minha mãe teve [...]
Pingback by Tolerância? Precisamos mesmo é exercitar a igualdade! | A Vida Como A Vida Quer — January 14, 2010 @ 8:43 pm