ler

Uma rodada curta de textos que li essa semana e que valem a pena repassar:

Homomento discute a décima edição do BBB

Um texto bastante interessante sobre a visibilidade gay “conquistada” através do BBB10.

Acho que o primeiro e mais óbvio ponto é que, bem ou mal, contamos com a presença de três homossexuais assumidos em um programa de altíssima audiência. É interessante compararmos a porcentagem de LGBTs no programa, de 17%, com a estimada para homos no “mundo real”, que varia de 10 a 19% de acordo com o contexto. Sabendo que a escala está mais ou menos correta, nos perguntamos: porque então toda a polêmica? Porque os apelidos como “Big Brother Gay”, se tem tantos lá dentro quanto aqui fora? A questão evidencia o quanto a homossexualidade é deixada à margem das discussões.

Hetero mas Flex

Modismo, tendência, futuro? Quem são esses?

Uma nova tribo está formada nas baladas: são jovens que encaram com naturalidade beijar pessoas do mesmo sexo, segundo eles mesmos, não querem rótulo, o negócio é experimentar, são facilmente encontrados nas baladas e nos bares e são chamados de “Heteroflex” – homens que beijam pessoas do mesmo sexo para experimentar, fazer uma brincadeira ou mostrar certo ar de descolados e modernos.

Revista dos blogs / Especial CParty

Um pouco do que rolou por lá!

Filed under: Indicando! | MaxReinert | January 30, 2010 Comments (1)

Se a arte imita a vida, podemos nos considerar chegando a um lugar muito, mas muito escuro mesmo! Ou não!Nos últimos anos, o cinema tem se debruçado sobre um tema que aparece, volta e meia, como os surtos, de maneira forte e consistente, nos roteiros de seus filmes. A esquizofrenia tem sido retratada em vários filmes produzidos em Hollywood. Algumas vezes vista como apenas como um ponto de partida, outras como o motor que alimenta o filme, outras ainda como um processo irreversível pelo qual humanidade atravessa.

Caracterizada pela fragmentação da personalidade, é uma doença crônica que se caracteriza por distúrbios de pensamento, com idéias de perseguição e perda das conexões lógicas. As classificações modernas, como o DSM-IV (Diagnostical and Statistical Manual of Mental Disorders) levam em conta tanto as manifestações das fases ativas, como sua fase crônica com progressiva deteriorização mental como critérios para definir a esquizofrenia. No DSM-IV a esquizofrenia é definida nas suas características essenciais com presença de sintomas psicóticos (delírios, alucinações, dissociação do pensamento, comportamento catatônico, afetividade embotada).

Passada esta “apresentação” (corrijam-me se cometi algum equívoco), voltemos nosso foco para alguns filmes que apresentam personagens com algumas dessas características:

Uma Mente Brilhante

(A Beautiful Mind, 2001, Ron Howard): Adaptação da biografia do matemático John Forbes Nash Jr, da escritora Sylvia Nasser, o filme retrata um caso clássico de esquizofrenia, interpretado brilhantemente por Russel Crowe. A luta entre a genialidade do personagem e sua convivência com a doença, chegando a ser internado em várias instituições psiquiátricas, até o momento em que recebe o prêmio Nobel de Economia, em 1994. Filme com muitas lágrimas, mas que vale a pena ser visto, com certeza!

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Clube da Luta

(Fight Club, 1999, David Fincher): Se o anterior tratava da esquizofrenia de um personagem, este aqui trata da esquizofrenia de uma nação e até da humanidade. Edward Norton interpreta um yuppie que trabalha como investigador de seguros. Com a explosão misteriosa de seu apartamento, ele vai morar com um cara que havia acabado de conhecer durante um vôo (Brad Pitt). Juntos eles criam o clube que dá nome ao filme onde as pessoas se encontram para lutar e colocar à prova seus instintos animalescos. Com o tempo o clube vira uma febre nacional, transformando-se em algo muito maior do que se pensava no início. Qualquer outra palavra sobre esse filme pode estragar a sucessão de surpresas e pavor que ele nos causa, até chegar ao final apoteótico!

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Número 23

(The Number 23, 2007, Joel Schumacher): Fale o que quiserem, eu gosto do Jim Carrey! Acho que muito do pouco sucesso deste filme foi mais por preconceito do que pela qualidade do mesmo! Nele, Jim é um pacato pai de família que ganha um livro de presente de sua esposa. O livro parece narrar sua vida e descreve milhões de situações ligadas ao número 23 do título. Fragmentação de personalidade é o mínimo que se pode dizer e o máximo que posso escrever para não estragar a sessão completamente. Mas, mesmo que você não se identifique com o ator, ainda resta uma belíssima direção de arte, a história dentro da história e um quebra-cabeças para ser desmontado. Se você não acha que cinema possa ser um lugar pra pensar um pouco, nem perca seu tempo.

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O Segredo de NeverWas

(Neverwas, 2005, Joshua Michael Stern) : Um filme que praticamente passou despercebido e que oferece uma experiência única para quem o assiste. A pergunta principal: Por que não a esquizofrenia como uma saída? Vamos à história: um psiquiatra (Aaron Eckhart) volta para trabalhar na clínica onde seu pai, que era escritor, esteve internado, com transtorno bipolar. Lá encontra um homem que se auto-intitula o Rei de NeverWas (brilhantemente interpretado por Ian Mckellen), que por sua vez é um dos personagens do livro de seu pai. As linhas entre o que é real e o que é imaginário vão se estreitando cada vez mais e mais palavras podem estragar a diversão. Ao contrário dos filmes anteriores NeverWas surpreende pela delicadeza e pela mensagem positiva.

*Publicado originalmente na primeira versão do blog NossaVia.

Filed under: 1a Versão,cinema | Tags: , , , , , | Max Reinert | January 29, 2010 Comments (10)

Depois da campanha francesa de prevenção, vi no Muza esses dois spots abaixo que foram produzidos em Portugal. Muito bem feitos e de bom gosto! Gostei muito.

Aliás, os portugueses estão dando um ótimo exemplo pela maturidade que demonstram em suas campanhas. Além de encarar o sexo entre homens de maneira completamente natural (afinal isso não é regra!) ainda fazem spots diferenciando os públicos. Um voltando para quem tem relacionamento estável e outro focado em sexo casual.

Para quem até pouco tempo atrás era considerado um país extremamente conservador, parece que vamos dando bons passos. Aliás, você lembra dessa outra campanha que já havíamos postado aqui? Adoro!

Filed under: Conscientizando! | MaxReinert | January 28, 2010 Comments (1)

Lá nos idos de 1995, vi um filme chamado Jeffrey (que no Brasil ganhou o subtítulo meio ridículo de “De Caso com a Vida”), bastante comercial. Nele, o personagem principal vivia uma crise de meia idade gay, onde desistia de fazer sexo durante um tempo por causa da AIDS. Em uma pequena cena paralela, a mãe de algum personagem que eu não lembro, ia à uma Parada e conhecia alguns participantes. Dentre eles um casal de transexuais lésbicas.

No filme elas contam que quando se conheceram eram gays, mas começaram a desenvolver uma tendência por gostar de mulheres e decidiram fazer a operação de mudança de sexo e tornaram-se lésbicas.  Uma volta imensa para a aceitação sexual, eu diria. O filme, uma comédia obviamente, levantava de forma singela certas relações presentes no mundo contemporâneo.

Talvez, seja por isto que, quando a li essa notícia aqui, eu não estranhei algumas colocações que aparecem no texto:

Scott, que nasceu Jessica, disse que desde os 11 anos percebera que gostaria de ser um homem. Os pais pagaram o equivalente a 13 mil reais para que os seios da filha/filho fossem removidos.

Thomas, que já foi Laura, fez cirurgia para mudança de sexo no ano passado, quando removeu o útero.

No final do texto aparece um outro trecho assim:

Recapitulando: Duas mulheres se tornaram “homens” e formam um casal. Um deles está “grávido”. Entendido?

Não quero ser preconceituoso e imprimir regras para as definições de gênero de cada indivíduo. Continuo acreditando na diversidade de possibilidades e achando que cada pessoa vai encontrando formas para se sentir uma pessoa realizada e feliz. Mas, de certa forma, eu me pego pensando como essa quantidade de “transformações” pode assustar à algumas pessoas que não estão familiarizadas com outros modos de vida. Imagine-se no lugar de uma pessoa que foi educada a vida toda para achar que os papéis de cada indivíduos são  imutáveis e pré-definidos! Obviamente elas devem estranhar!

O que estou querendo dizer é que compreendo a dificuldade que as pessoas podem ter pela “ignorância” sobre o assunto. Por outro lado, essa ignorância, de forma alguma, justifica ações preconceituosas.  Oras, se uma pessoa encontra algo que desconhece, sua primeira “reação”  não deveria ser de “repressão” ou “violência”. Será que temos impresso em nossa memória recente somente essa “possibilidade”?

De certa forma, as reações de um povo são o reflexo de um contexto e de uma época. Um mundo cada vez mais imerso na violência urbana, apoiada em uma cultura de impunidade tende a acreditar/render-se à reações violentas. Ou começamos JÁ a mudar essa postura e construir uma educação diferente para oferecer às nossas crianças ou estaremos fadados à barbárie.

Filed under: Pensando! | MaxReinert | January 27, 2010 Comments (2)

Ótimo artigo publicado aqui por Hélio Schwartsman falando sobre a aprovação pelo parlamento português do casamento gay.

(…) Como já afirmei diversas vezes neste espaço, o que dois ou mais adultos fazem de comum acordo em matéria de sexo entre quatro paredes é assunto que diz respeito unicamente a eles. E, se a sociedade, por algum motivo, definiu que casais são titulares de uma série de benefícios fiscais e direitos sucessórios e previdenciários, não há por que não estendê-los a parelhas do mesmo sexo. Um cidadão é um cidadão independentemente de seus hábitos sexuais.

Sei que esse não é um raciocínio unânime. Só que para opor-se a ele faz-se necessário invocar um conceito bastante complicado: o pecado. Sua complexidade está no fato de envolver uma série de pressupostos pelo menos discutíveis. É a sempre interessante “Encyclopaedia Catholica”, no verbete “sin” (pecado), que enumera algumas das condições necessárias para a “verdadeira noção bíblico-teológica de pecado”: a existência de um Deus pessoal criador de todas as coisas, a existência de uma lei divina, a existência do livre-arbítrio humano e a existência de uma responsabilidade humana derivada da razão. Considero toda essa discussão apaixonante, mas não compro pelo valor de face nenhum desses quatro fundamentos do pecado. (…)

Vale a leitura e pensar sobre!

Filed under: Indicando!,Pensando! | MaxReinert | January 26, 2010 Comments (0)

Os franceses, como sempre, dão um banho nas campanhas de prevenção ao vírus da AIDS!

Via SimViral!

Filed under: Conscientizando! | MaxReinert | January 19, 2010 Comments (3)

Notícia lida no G1 e indicada pela @Samegui, que vale a pena divulgar:

O plano Omnit Serviços de Saúde, com sede em São Paulo, terá de incluir companheiros homossexuais como dependentes do titular nos planos de saúde comercializados pela empresa. A decisão é da juíza Ritinha Stevenson, da 20ª Vara Federal de São Paulo, e foi divulgada nesta quarta-feira (13).

A juíza concedeu liminar em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), e determinou que a empresa tem até 60 dias para incluir os companheiros de homossexuais como dependentes. Ainda de acordo com a decisão, os requisitos para admissão como dependentes continuam os mesmos e é preciso comprovar a união estável com o titular do plano de saúde.

Na decisão liminar, a juíza Ritinha Stevenson determinou também que a Agência Nacional de Saúde (ANS) fiscalize o plano Omint para que a liminar seja cumprida no prazo estipulado. A magistrada ressaltou que as disposições legais e constitucionais que protegem a união estável entre homem e mulher se aplicam por analogia à união estável homossexual.

A liminar foi proferida no último dia 18 de dezembro, mas o MPF só tomou conhecimento da decisão após o recesso forense, em janeiro.

A ação civil pública foi protocolada pelo procurador regional dos direitos do cidadão Jefferson Aparecido Dias no dia 16 de novembro de 2009. De acordo com a ação, a Omint alegava que não incluía o companheiro do mesmo sexo como dependente no plano por “falta de previsão legal”.

O procurador entendeu que a empresa estava ferindo princípios da Constituição Federal que consagram a dignidade da pessoa humana, a liberdade,, inclusive de opção sexual, a proteção à saúde e a exclusão de quaisquer formas de discriminação.

Em nota ao G1, a Omint Serviços de Saúde afirmou que não irá interpor recurso e que a decisão da Justiça já está sendo cumprida. A empresa afirmou ainda que “nunca rejeitou nenhum pedido para inclusão de companheiro do mesmo sexo como dependente em seus planos de saúde”.

Filed under: Visibilidade! | MaxReinert | January 18, 2010 Comments (1)

Lembra do longa de estreia do estilista Tom Ford, “A Single Man”,  que eu tinha falado aqui? Pois… ele estreia no Brasil no dia 26 de fevereiro. A informação foi confirmada à reportagem do site A Capa pela distribuidora Paris Filmes.

Na tradução pouquíssimo literal, a produção, que deu a Ford o Leão Gay em Veneza, foi chamado pelo título patético de “Direito de Amar”.

No longa, Colin sonho de consumo Firth é George, um professor de inglês que é obrigado a repensar a vida e suas relações com os amigos após a morte do companheiro Jim (Matthew Good) num acidente de carro. O elenco conta ainda com as presenças de Julianne Moore e Nicholas Hoult.

Eu quero!!! Já estou contando os dias!!!

Veja o trailer:

Filed under: cinema,Indicando! | MaxReinert | January 14, 2010 Comments (3)


Se alguém perguntar sua orientação sexual depois de concentrar-se nos seus olhos, ela com certeza já tem uma primeira impressão – provavelmente correta.

O que não falta por aí são estudos científicos do comportamento humano. Quando os vejo, minha pergunta imediata é: qual o tamanho do universo pesquisado? Já pensaram sobre isso? Se você pesquisar algo sobre o comportamento masculino num estádio de futebol lotado em final de campeonato obterá resultados bem diferentes dos que obteria na Parada Gay ou no Hopi Hari no Dia das Crianças. ;)

Mas, enfim, hoje li sobre dois estudos realizados na Universidade Tufts, em Boston, que pretentem comprovar que existe um olhar gay facilmente detectável – alguns não precisam de estudo, o “gaydar” é tão bom que são consultores, né, @maxreinert?

Os cientistas estadunidentes conseguiram demonstrar que a maioria das pessoas tem a capacidade de identificar homossexuais apenas com um rápido olhar, baseados em resultados de estudos com voluntários que viram – por milésimos de segundo – fotos de mulheres desconhecidas e detectaram (com grande acertividade) a orientação sexual de cada uma.

E os sites de relacionamento ajudaram na coleta de fotos de mulheres que se identificavam como heterossexuais e de outras que se diziam lésbicas. Cada imagem foi recortada de forma que só aparecesse o rosto. Os voluntários (16 do sexo feminino e cinco do masculino), observavam as fotos por frações de segundo e indicavam se a retratada era hetero ou homossexual. A maioria acertou. (notaram né, universo de 32 voluntários!)

“A orientação sexual é percebida com precisão e rapidez”, escreveu Nicholas Rule, um dos autores da pesquisa, no “Journal of Experimental Social Psychology”. Segundo ele, a exatidão com que fizeram a distinção é maior do que se os voluntários tivessem simplesmente chutado um palpite. “Nosso controle estatístico aponta que as chances de acidente são menores que 1%”.

Segundo li, num segundo teste as fotos foram recortadas de forma que apenas os olhos pudessem ser vistos, excluindo rugas e sobrancelhas. Alta acertividade novamente, levando-os a uma terceira fase com dois outros grupos de voluntários que viram fotos de rosto inteiro. O primeiro tinha de fazer seu julgamento o mais rápido possível; o segundo podia avaliar pacientemente cada fotografia e dar o veredicto. Resultado: quem tinha de avaliar de bate-e-pronto acertou mais do que os que tiveram mais tempo. O resultado sugere que o mecanismo para determinar a orientação sexual é intuitivo e instantâneo.

Um estudo parecido foi publicado em 2008, com voluntários homens observando e analisando fotos de heterossexuais ou gays com resultados semelhantes.

E qual o objetivo da pesquisa? Os cientistas afirmam que permite entender melhor o processo mental de diferenciação de indivíduos em todos os tipos de grupo, de modo a compreender como eles são formados e os impactos que nossa inclusão nesses grupos possa ter.

Filed under: Visibilidade! | samegui | Comments (5)

Li a notícia num tuite da @veriserpa hoje cedo: Itália anuncia criação de presídio exclusivo para transexuais. Na hora lembrei da celeuma que se criou sobre os asilos para transexuais na Espanha, sobre os quais @maxreinert falou aqui.

Segundo informações da BBC, o governo italiano anunciou a criação daquela que possivelmente será a primeira prisão exclusiva para transexuais do mundo, nos arredores de Florença, no presídio de Pozzale (que já foi prisão feminina comum de segurança média) para abrigar cerca de 30 detentos. O número parece pequeno, mas oficialmente está dentro da realidade: calcula-se que cerca de 60 transexuais atualmente estejam presos no país, espalhados por prisões masculinas e femininas, nas quais dividem o espaço (as prisões de lá também são superlotadas) com homens e mulheres e frequentemente precisam ser isolados para sua própria segurança..

Um grupo ativista gay (infelizmente, não descobri qual) elogiou a iniciativa do governo italiano, afirmando que uma prisão exclusiva para transexuais permite que os detentos tenham o apoio necessário, pois o presídio de Pozzale tem uma biblioteca, um centro de recreação e terreno para cultivo de alimentos.

Filed under: Pensando! | samegui | January 13, 2010 Comments (4)

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