Há um tempo eu escrevi um texto perguntando se todos os héteros eram brucutús ou se existiam aqueles que não tinham preconceito. Obviamente a pergunta era uma provocação e não uma generalização lamentável. Mesmo assim, eu quase apanhei do @buchecha, porque assim como eu, ele detesta o preconceito invertido. Foda-se o orgulho gay, sou só gay e pronto!
Neste mesmo post, @draguz me perguntou o que eu achava dos gays que se esteriotipavam… pelo twitter o @caesarmoura me perguntou se “Todo gay é “delicado”? Ou existe o gay brucutú?”, pergunta esta que virou o título deste post aqui.
Bom, vamos à ela:
Não! Existem gays de todo o tipo!
Pronto, acabou o post!…. tá bom, tá bom…eu continuo.
Uma das coisas que estava escrito já no texto anterior é que, na maioria das vezes, as pessoas acabam por se submeter à um estereótipo, seja ele qual for, para se unir a uma tribo.
Dessa forma, muitos héteros não tem essa adoração toda por futebol, mas acabam, quase como por osmose, respondendo ao chamado dos hormônios trogloditas e gritam como loucos durante um jogo, embora nem saibam em que lugar da tabela seu time está.
E o que isso tem a ver com gays, cara pálida?
Bom… em algum lugar da história, que eu não sei dizer ao certo, alguém colou a imagem da homossexualidade com a imagem do feminino. Por que? Sinceramente não sei. Talvez para colocar os gays em uma situação de “desvantagem” ao macho dominador? Ou talvez pelo simples fato de ambos terem atração por homens, logo, são parecidos! Sim, tem gente que pensa dessa forma. Simplismo pouco é bobagem!
Não preciso repetir aqui também toda aquela imensa história de que na Gréca antiga, fazer sexo com outro homem não era uma coisa depreciativa certo? E, obviamente, essa visão do gay como algo delicado não era o pré-estabelecido.
Dando um salto no tempo, chegamos à um momento em que os homens eram mas requintados e usavam mais adornos que as mulheres (assim como acontece em muitos casos na natureza). E talvez, a partir desse momento começa a firmar-se uma imagem do “culto”, do “glamouroso”, do “chic”. E se existe um pecado que a maioria do gays comete é esse: Julgarem-se mais inteligentes, cultos e refinados que a maioria.
Depois, em outro momento, também histórico, o “masculino” firma-se novamente como o “provedor”, aquele que traz o sustento pra dentro de casa, enquanto a mulher deveria prover a educação dos filhos e cuidar do lar para o “trabalhador incansável”. A imagem do “masculino” foi ligando-se a tudo que é prático, tudo o que é forte, tudo que constrói! Nesse sentido restou ao “feminino” as tarefas mais “delicadas”, mais tempo para dedicar-se à beleza, para agradar aos seus homens.
Pronto… estava feita a bagunça! As visões estereotipadas sobre o papel do masculino e feminino + a ligação do “gay” com o feminino = gay é uma pseudo mulher, mais estereotipado ainda que o feminino original!
Isso é uma regra? Claro que não! Mas acontece? Acontece!
Lembram quando eu falei de osmose ali em cima? Pois… pela necessidade da re-afirmação de uma conduta ou pela necessidade de pertencer à uma cultura específica, uma grande parcela dos gays acaba por “corresponder” a essa imagem mais “aceita” pela sociedade… já tinha falado um pouco sobre isso nesse texto aqui: “Gay não é palhaço!!! Ou é?“
Vocês já se deram conta de que um gay “novato” acaba não tendo, às vezes, tanto trejeitos quanto um gay mais “habitué”? Se bem que hoje em dia eles parecem começar cada vez mais cedo! Socorro!
Isso só nos leva a pensar que a sociedade “aceita” melhor o gay delicado, certo?
Errado!
O gay delicado é corroborado pela sociedade porque esta tem o poder de mantê-lo dentro de uma esfera de controle e “bizarrice”! É a mesma questão que permeia vários outros tipos de relação com outros estereótipos claros: a “mulherzinha”, o “macho”, o “bondoso”, o “malvado”…. e por aí vai! Pressionar as pessoas a corresponderem à uma imagem pré-estabelecida é algo tão cruel quanto negar o direito a expressão de uma sexualidade que não seja a hetero.
Dizer à uma pessoa que ser gay é transformar-se em um único tipo de estereótipo nada mais é do que exercer pressão não muito sutil do tipo “Você não quer ser motivo de chacota como aquele seu amiguinho bichinha, né?”!
Graças a Deus… e um grande trabalho de conscientização, que ainda está longe de terminar… hoje em dia já existem pessoas que permitem-se viver fora dos espaços (guetos?) pré-estabelecidos para a sua “espécie”. Já é possível encontrar gays dentro de outras posturas não tão facilmente enquadradas pelo status quo.
São muitos? Não tantos quanto eu gostaria.
É possível sobreviver fora do padrão? Mais do que possível, é necessário!
Por quê? Ser “delicado” é ruim? Não, nunca… mas não deve ser “regra”! Tenho vários amigos gays que são “bichérrimas” e são felizes desta forma. Tenho um amigo que é o protótipo do “mal-humorado” e é feliz “dessa forma”!!! Tem dias que não tenho paciência para “bichice” e nem por isso me considero preconceituoso.
