editeQuando eu escrevi a resenha do livro Para Sempre Teu, Caio F, comecei falando da importância da identificação do leitor com o livro. Acredito piamente que algumas vezes não somos nós que escolhemos o livro e sim, precisamos dele.

Imagino que seja mais ou menos isso que aconteça com Entre Mulheres – Depoimentos Homoafetivos de Edith Modesto. (Lembram que eu estava devendo esta resenha?)

Para quem nunca ouviu falar de Edith Modesto (e eu nunca tinha), ela é fundadora do GPH – Grupo de Pais de Homossexuais (Associação Brasileira de Pais e Mães de Homossexuais), grupo presencial e virtual que desenvolve um trabalho de ajuda mútua no intuito de acolher os pais que tem problema de aceitação em relação a sexualidade de seus filhos.

Dessa forma, fica quase impossível não fazer uma ligação dos objetivos do grupo que ela fundou com os livros que ela escreveu. (Além do Entre Mulheres, Edith já publicou também “Vidas em Arco-Íris” e “Mãe Sempre Sabe?”) Na maioria das vezes resultado de suas vivências, entrevistas, visões dos homossexuais, tendo como principal público alvo aqueles  que os vê de fora ou sente necessidade de compreender esse universo.

Somos então apresentados a uma série de histórias, ou melhor, recortes de histórias sobre pessoas que vivenciam a homossexualidade feminina (no caso deste livro, mais especificamente) e os desdobramentos da opção de assumir sua orientação. Sim, opção! E pode parecer estranho usar este termo aqui, mas atenção, estou falando da opção de assumir uma orientação, ou seja, não viver nas sombras, como muitos gostariam que acontecesse.

Lendo o livro, fica bastante claro que o que incomoda muitas pessoas ainda é a pressão social de ter uma filho/amigo/parente homossexual. Principalmente no caso dos pais é como uma “culpa” por ter “errado” em algum momento da educação dos filhos. Ou seja, ignorância pura(sem conotação pejorativa).

Por isso, volto a frisar a ligação entre os livros e o GPH. Edith Modesto acerta ao realizar um trabalho de formiguinha, ouvindo e entendendo caso a caso. Discutindo e demonstrando o que para nós parecem ser obviedades, mas que para as pessoas que estão se confrontado com o “monstro” da homossexualidade, parecem ser coisas distantes e “erradas”.

Edith acerta ao mostrar às pessoas que por trás do rótulo “homossexual” existe uma pessoa de carne e osso.

Clichê? Muito.

Necessário? Na mesma medida.

Veja abaixo uma entrevista de Edith Modesto ao Jô Soares, na época do lançamento de seu primeiro livro “Vidas em Arco-Íris” pela editora Record.

Promoção!!!

Quer ganhar o livro “Entre Mulheres – Depoimentos Homoafetivos“? É simples! Responda aqui nos comentários a seguinte pergunta: Qual a melhor forma de falar sobre a homossexualidade para pessoas que não são gays? É possível?

Valem os comentários feitos até o dia 30 de setembro. O melhor comentário (segundo moi!!!) leva o livro.

Filed under: Indicando!,Pensando! | MaxReinert | September 18, 2009 Comments (9)

9 Comments

  1. Sempre quis ler esse livro. Então, agora é a chance de ganhá-lo! :D

    Qual a melhor forma de falar sobre a homossexualidade para pessoas que não são gays? É possível?
    R: É possível, sim. Abordando a verdade, o lado da afetividade e como é realmente possível amar uma pessoa do mesmo sexo. O tabu ainda existe porque muitos ainda acreditam que ser gay é ser promíscuo e/ou sem vergonha. Se falar da homossexualidade com alguém que já conhecemos, fica mais fácil mostrar o lado “real” da coisa.

    Mostrando que um homem pode amar outro homem e uma mulher pode amar outra mulher é a melhor maneira.

    :D

    [Reply]

    Comment by Pablo — September 18, 2009 @ 8:02 am

  2. Qual a melhor forma de falar sobre a homossexualidade para pessoas que não são gays? É possível?

    Falando a verdade. Não existe uma receita, cada pessoa é um indivíduo independente e que possui uma forma específica de se lidar, e sabendo respeitar os limites um do outro. Não é todo mundo que pode falar da própria sexualidade, do mesmo jeito que é complicado ouvir da dos outros. Se a pessoa com quem deseja falar não possui a menor capacidade ou desejo de te ouvir, melhor ficar calado e procurar quem queira. Ninguém é obrigado a aceitar ou renegar algo, em ambos os lados.

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    Comment by Dragus — September 18, 2009 @ 8:20 am

  3. Ah, isso vale para qualquer tipo de conversa. Porque o ato de “dizer a verdade” e “ouvir a verdade” é universal.

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    Comment by Dragus — September 18, 2009 @ 8:20 am

  4. Acho que a melhor forma é a sincera. Quando falamos com o coração, expondo sempre aquilo que é sentido, sem rodeios, quem precisa entender a mensagem vai captá-la, pois tudo que vem com emoção, é absorvido. Se explicar como “funciona” a homossexualidade, que não tem nada a ver com perversão ou doença, mostrar o lado do amor, da afeição, com certeza o final da conversa será glorioso.

    [Reply]

    Comment by Aline — September 20, 2009 @ 3:58 pm

  5. [...] This post was mentioned on Twitter by maxreinert. maxreinert said: Quer ganhar o livro Entre Elas – Depoimentos Homoafetivos??? | comente esse post no NoGhetto http://bit.ly/2IKQTs e ganhe! [...]

    Pingback by Tweets that mention Falando um pouco sobre o livro Entre Mulheres - Depoimentos Homoafetivos de Edith Modesto. | No Ghetto -- Topsy.com — September 21, 2009 @ 3:55 am

  6. Na minha opinião, não existe a melhor forma de falar… Existe a melhor forma de agir e esta forma significa ser você mesmo em comportamento e atitudes!

    [Reply]

    Comment by Cristóvão — September 21, 2009 @ 6:19 am

  7. O preconceito aos homossexuais definitivamente não faz parte do meu mundo. Acho o cúmulo que em 2009, novo milênio, tanta tecnologia, tanta novidade, as pessoas ainda terem essa mentalidade de dinossauro de não aceitarem as diferenças dos outros. Independente de ser homossexual, negro, religioso, paraplégico, loira, argentino, é TODO MUNDO de carne e osso, todo mundo tem uma existência limitada e todo mundo toma suas próprias decisões que só dizem respeito aos próprios.

    Eu não entendo o mundo, de verdade. Aliás, eu vivo achando que a minha nave me esqueceu por aqui.

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    Comment by Kakah — September 21, 2009 @ 10:44 am

  8. Esse sorteio aconteceu? Não fiquei sabendo.. :(

    [Reply]

    Comment by Aline — December 5, 2009 @ 9:42 pm

  9. [...] Esse é o título do vídeo abaixo, criado pelo grupo Sooma Editorial. Trata da experiência de uma família com a descoberta da homossexualidade de um dos filhos e retrata o trabalho do Grupo GPH e consequentemente de Edith Modesto (de quem eu já havia  resenhado um livro aqui no NoGhetto). [...]

    Pingback by O amor vence! | No Ghetto — December 12, 2011 @ 10:47 am

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