Quem lê o NoGhetto sabe que eu costumo nunca ficar correndo atrás das polêmicas da web. Não tenho vontade (nem paciência) para sair emitindo juízo de valor sobre acontecimentos sem pensar antes… pensar razoávelmente!
Pois bem, no caso Doritos – a propaganda dita homofóbica que foi vinculada há pouco tempo e as Associações militantes urraram de raiva – eu li muita coisa a respeito por aí. De tudo o que eu li, o texto que mais me agradou foi o do Ricardo Rocha Aguieiras, publicado no blog Passageiro do Mundo. Em “Não Tenha Vergonha de Dançar o YMCA” Ricardo consegue fazer a coisa que eu mais acho interessante no ato de blogar: noticia a polêmica que está rolando por aí e amplia a discussão para além do “acontecimento”, ou seja, pensa sobre o assunto e tenta compreender o que está por trás das ações mais óbvias.
O que mais me doeu no comercial da Doritos foi justamente a negação da singularidade de cada um, me feriu mais que a homofobia comprovada do mesmo ( você pode dividir Doritos, mas não o seu Desejo ou o seu esfincter…). O rapazinho levando um saco do salgadinho na cara por que está relaxado, feliz e distraído ( se “distrair” é prazer, não?) do olhar cerceador do outro, por que está dançando YMCA , música de grande sucesso do grupo Village People e que se tornou um referencial e um hino gay. E, além de gay, essa música é considerada “brega” pela moda atual.
Pois é… enquanto algumas pessoas estão olhando para o umbigo (seus e dos outros) ainda existe gente que consegue olhar para a sociedade com vontade de entender o que nos move (ou por quem somos movidos!). Ainda bem!
Como vocês já puderam perceber, o ritmo de postagens deu uma caida aqui. É que estou em Curitiba. Por dois motivos:
Fazendo os últimos ensaios do espetáculo FOTOMATON que estréia em 16 de abril no Teatro Novelas Curitibanas…. e… Estreando A INGÊNUA no Teatro Odelair Rodrigues, dentro da programação do Festival de Teatro de Curitiba / FRINGE.
Quem estiver por aqui está convidadíssimo… e quem não estiver, ajuda a divulgar para os amigos daqui, poxa!!!
Quem já me conhece sabe que eu sou uma pessoa que tem pouca paciência para algumas questões do mundo LGBTTTGHSRFAJYH (ufa.. cada hora é uma sigla!). Na maioria das vezes não gosto do que é produzido artisticamente falando para/sobre o universo gay pelas mídias, sejam ela TV/cinema/teatro/whatever!
Assim, qual não foi minha surpresa quando, em uma passagem rápida pelo Rio de Janeiro (há dois anos atrás, acho!) assisti ao despretensioso espetáculo “Quer TC?” escrito e dirigido por Caesar Moura em um shopping. Com um amigo em comum, acabei jantando com o elenco e conhecendo um pouco da história deles.
Posso dizer que me afeiçoei pela forma (e pela qualidade) com que Caesar se dirige ao seu público-alvo (? – não sei se é essa é a melhor definição). O trabalho era extremamente sincero e sentia-se um dramaturgo preocupado em levantar questões pertinentes ao universo retratado com muito bom humor e sem “aliviar a barra” de nenhum dos envolvidos.
Pois bem, a frente da Eu Mesmo & Cia Carioca de Teatro, Caesar montou outros espetáculos (que ainda não consegui ver), se envolveu em várias frentes de trabalho (ele também assina um blog!) sempre usando a web como forma de divulgação.
Eis que nessa semana eu recebo (via orkut) a divulgação de seu novo projeto: Farme 40 graus. O primeiro seriado LGBT produzido no país. Segundo os produtores, um lugar para refletir a diversidade da população gay do Rio de Janeiro. Dramaturgicamente, óbvio!
Se formos julgar a partir do teaser abaixo e conhecendo o trabalho do Caesar, pode-se dizer que promete. Tomara que os ventos nos tragam um trabalho que ajude a quebrar com alguns clichês sobre produções do gênero. Estou torcendo!!!
Essa foi a primeira pergunta que me veio a cabeça quando a proposição 08 foi aprovada na última eleição americana: Com a proibição do casamento entre homossexuais, como ficam os que já haviam realizado a cerimônia quando era permitido? A pequena bagatela de aproximadamente 36 mil pessoas que aproveitou para legalizar e/ou institucionalizar as relações que já são estáveis faz um tempão e que puderam, por um breve período de tempo, vir à luz.
Pois é… aí, através de indicação da Sam, cheguei a esse post do blog da Vitória Bernardi. E o óbvio pareceu ser uma das coisas mais monstruosas que li nos últimos tempos.
Sim, porque uma coisa é a pessoa lutar por um direito durante toda uma vida… outra é receber o direito de legitimar uma união e depois ter que abrir mão desse direito.
Não consigo encontrar outra palavra para esse acontecimento que não seja “Crueldade”.
Toda vez que eu fico um tempo sem postar nada por aqui, pode acreditar: ou estou correndo por conta de algum trabalho offline… ou é porque estou de saco cheio com o festival de bobagens que assola o país! Desculpem-me aqueles que gostam e acompanham, mas não tenho paciência para escrever ou pensar sobre o BBB. Não sou xiita e fico fazendo a linha revoltadinho com o programa, mas discutir o quê sobre aquilo ali? Quem brigou com quem? Ou postar o vídeo do angolano tomando banho pelado? Não, obrigado! Se for para olhar alguém tomando banho nú, procuro meu parceiro… muito mais estimulante. O fato é que eu também faço posts sobre “banalidades”, desde que ela possa oferecer algum tipo de pensamento sobre minhas coisas e/ou o mínimo de deleite estético.
De qualquer forma, há muito lixo espalhado pela web… e muito material interessante também. Cada vez mais aparecem sites e/ou agregadores de notícias para auxiliar as pessoas em suas buscas. Para ajudar a divulgar blogs/pessoas/ações que dizem algo há um determinado público. Eu costumo visitar o Gafanhoto, o DiHitt e o Rec6. Cada um deles parece ter um público alvo bastante definido… e só Deus sabe porque eles foram os agregadores com os quais eu mais me identifiquei.
Pois eis que o grupo Viva Diversidade acaba de lançar (ou pelo menos eu acabei de saber) um agregador para notícias voltadas ao público LGBT (mudaram a sigla de novo???). Trata-se do WebCircle. A premissa do serviço é a mesma de tudo o que você já conhece. O diferencial é a “especialização” do tema.
Acabei de fazer o registro por lá e vou experimentar. Se você me lê por aqui, me adiciona por lá (maxreinert) e quem sabe trocamos idéias sobre temas e assuntos que estão flutuando pela net!