
O Brasil é um país, realmente, muito estranho! Ou talvez, eu é que seja muito estranho para o país. Nunca se sabe. Ou melhor… sabe-se. Mas, ás vezes, nos recusamos a reconhecer.
Não é de hoje que percebemos um fenômeno que acontece em nosso país. Também acontece em outros lugares, mas acho que no Brasil esse fenômeno encontrou terreno fértil para se desenvolver e virar um estereótipo forte no inconsciente coletivo: O gay é o novo palhaço brasileiro. Leia-se palhaço não na forma totalmente pejorativa. Vamos até aceitar a idéia de que somos vistos como pessoas felizes, que tem um humor fora do comum e sempre disposto a se tornar o centro das atenções em todas as reuniões sociais. Mas, mesmo assim, por ser extremamente tendenciosa, essa imagem me causa certo estranhamento e desconforto.
Vamos pegar o exemplo do pink-money. Durante um longo tempo, a grande “questão” sobre a aceitação dos homossexuais esteve vinculada ao “poder econômico” que nós representávamos. Ou seja, eu era “tolerado” pela sociedade porque era um bom “comprador”. Alguém que gastava dinheiro e, por isso, deveria ser bem tratado. Os gays americanos foram (e ainda são) craques em se utilizar desse discurso, promovendo boicotes a determinadas marcas/empresas que se demonstram pouco amistosas à causa.
Já não é de hoje que pudemos perceber que essa “tolerância” não ajudou em nada a demistificar a imagem dos homossexuais perante o “grande público” e nem a luta pela diversidade. O caso é que ao focar nossa aceitação sobre a questão econômica, acabamos por reforçar nossa imagem de “gastadores compulsivos fúteis” e ampliando o abismo social existente entre os que tem dinheiro e os que não tem. Ou seja, passaram a existir duas classes bem distintas: a das bichas ricas e fúteis que precisam ser bajuladas e a das bichas pobres que não servem para nada, afinal nem gastar gastam! Criamos uma geração que foi vista como um mal necessário porque consumista, mas com pouquíssimo respeito por sua orientação sexual.
Algo muito parecido ocorre no Brasil neste momento. De cada 10 hits da internet, 04 no mínimo, se utilizam do gay com a imagem da chacota atrelada a sua personalidade. O mesmo acontece com as telenovelas e filmes. E mesmo quando não somos utilizados como exemplo pejorativo, certas “declarações” chocam por sua aparente singeleza, imbuídas de um juízo de valores:
- Eu adoro os homossexuais, eles são tão divertidos!!!
- Festa sem uma bicha fervida não acontece!
- Meus melhores amigos são os gays, eles estão sempre de alto astral.
Novamente é possível perceber uma polarização em um determinado comportamento que acaba por rotular e excluir certas parcelas da “comunidade”. Ou seja, se você for gay e aparentemente feliz, tudo bem! Mas, nem pense em tentar ter um comportamento como qualquer outra pessoa. Nem imagine que você vai poder chegar a algum lugar e não “fechar”! Ser gay é ser feliz… SEMPRE!!!!! Esse comportamento não deixa de colaborar para aquela mesma imagem citada lá em cima: somos criaturas fúteis que vivemos torrando nosso dinheiro em festas e drogas. Somos ousados, descolados e cool, baby! Temos a necessidade de nos expormos com muita pompa e circunstância.
E se você é uma pessoa normal, ou seja, gay e que tem momentos em que está feliz, momentos em que está preocupado com sua conta bancária, momentos em que se importa com o que está acontecendo na África ou na violência que assola o seu bairro… como faz? Onde você encontra sua imagem refletida na sociedade?


Gay não é Palhaço!!!! Ou é? | No Ghetto…
Gays só são mais aceitos se forem felizes, praticamente histéricos. Hits na internet, telenovelas e declarações de pessoas gay-friendlys reforçam esse tipo de comportamento e criam estereótipos difíceis de demolir….
Trackback by Max via Rec6 — February 17, 2009 @ 9:12 am
Oi Max, fiquei pensando muito no que comentar aqui, pois adoro vídeos como esses, realmente me divirto muito com eles. E concordo com o fato de que ter um amigo gay hoje é até motivo para tratá-lo quase como um bibelô.
Porém, o que acontece hoje também é uma proliferação de blogs feitos por gays voltados justamente para popularizar as gírias, as festas e vídeos como esse. Gay não é palhaço, mas qualquer pessoa de gênero ou raça está sujeita a virar piada por conta de trejeitos.
Me peguei pensando que esse tipo de vídeo não mostro para amigos que são gays, mas são sérios, não tem o perfil da “bicha louca”. Me parece mesmo a proliferação na comédia do estereótipo da bicha louca, assim como na época do pitbicha existia a exploração do estereótipo do gay macho man.
É claro que estou falando de fora, mas é porque não consigo não rir e não compartilhar vídeos como esse, apenas para rir mesmo.
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Comment by Srta. Bia — February 17, 2009 @ 6:23 pm
[...] Gay não é palhaço! Ou é? [...]
Pingback by Tutti Frutti | Hello Stranger — February 17, 2009 @ 7:16 pm
Gay não é Palhaço!!!! Ou é? | No Ghetto…
Gays só são mais aceitos se forem felizes, praticamente histéricos. Hits na internet, telenovelas e declarações de pessoas gay-friendlys reforçam esse tipo de comportamento e criam estereótipos difíceis de demolir….
Trackback by webcircle.com.br — March 4, 2009 @ 10:41 am
[...] Gay não é palhaço!!!! Ou é? – No Ghetto [...]
Pingback by Meu Google Reader [07.02.09 - 21.02.09] | 30 e Alguns — March 20, 2010 @ 7:18 am