Recebi por e-mail essa carta relatando um acontecimento na Câmara de Vereadores da cidade de Criciúma, interior de Santa Catarina. A carta é auto-explicativa e, infelizmente, coisas como essa ainda acontecem em nosso país!
Caríssim@s pessoas….
É em forma de desabafo que escrevo ‘essas mal-traçadas linhas’, já dizia a canção do Erasmo. Duas datas me são inesquecíveis nesta vida. A primeira é o dia 11 de maio de 2005, data do nascimento do meu filho, Caio, ‘aquele que traz alegria’. Neste dia, minhas palavras ao ver aquele ‘serzinho’ foram: ‘Filho amado, vou te provar que este mundo vale a pena’. Lembro disso todos os dias quando acordo e vejo o pequeno rosto radiante do Caio me sorrindo o ‘bom dia’ mais gostoso e significativo desse mundo. Embora a sina de crer na vida e no ser humano me acompanhe desde muito cedo, sempre engajada em alguma causa, trago a frase dita ao rebento como uma missão de vida.
Quem me lê neste momento deve estar a se perguntar: “o que eu tenho a ver com isso?”. Este relato breve que acabo de fazer está diretamente relacionado com a segunda data que jamais esquecerei na vida: 19 de agosto de 2008.
Nesta data, car.@s companheir@s, um vereador da cidade de Criciúma/SC, Sr. Vânio de Oliveira, propôs à Câmara Municipal a aprovação de uma moção de repúdio ao PLC 122/2006 (criminalizando a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero), um manifesto posicionando a Casa contra a aprovação do referido projeto de lei, a ser encaminhado às 293 câmaras municipais do Estado de Santa Catarina, aos Deputados Federais e ao Senado.
Munidos da coragem típica de todo bom sonhador – enrolados em 5 metros de bandeira da diversidade – nós, da militância LGBTT do município (ONG Deusas da Noite e ACR – Anarquistas Contra o Racismo), fomos à sessão plenária a fim de conhecer o que movia tal vereador a propor esta moção. O choque começa na entrada da Casa – um crucifixo de fundo, posicionado de frente para a plenária – e segue com a abertura da sessão solene com a leitura da bíblia. Seria uma casa laica?
Qual não foi nossa surpresa quando descobrimos que o senhor vereador Vânio baseia seu argumento nas seguintes questões: 1) a preocupação em ser preso ao mencionar a bíblia e ligar o homossexualismo aos impuros e aos possuídos. Sua fala estarrece: ‘Vou ser preso por mencionar o apóstolo Paulo, não vou mais poder ler as cartas aos Coríntios. Sigo a Lei maior, que é ditada pela bíblia’; 2) a afirmação de que o referido projeto facilitaria a pedofilia. Sim, carísim@s, não me equivoquei, é pedofilia mesmo o que ele referiu.
Como um nobre cavaleiro, o senhor vereador Kabuki tentou ao máximo tratar o mérito da questão, trazendo à luz seus companheiros através de um discurso cla ro, embasado, fundamentado e absolutamente coerente, mostrando a aberração da proposta do senhor Vânio. Em vão. Em meio às vaias e protestos da plenária, se ouviu os mais diversos absurdos da boca de nossos vereadores: ‘Estamos divididos entre o lado judaico-cristão e o naturalista!’; ‘Negros não escolhem ser negros, judeus não escolhem ser judeus, já os homossexuais é uma questão de escolha’ e, a máxima das máximas, proferida pelo autor da proposta: ‘eu acredito na cura’. Confesso que acredito que neste momento até deus olhou pra Terra e exclamou: ‘meu deus!’.
Colocada em votação, a proposta foi aprovada: 6 votos a favor, 1contra, uma abstenção. A revolta foi tamanha que nos restou recolher a bandeira e sair da plenária, surpresos, tristes, revoltados, assustados. Detalhe: a mesma casa que concedeu o título de utilidade pública a ONG Deusas da Noite – Associação das Trans de Criciúma aprovou a moção de repúdio para a lei contra a homofobia.
Mas aqui deve ser, já dizia um amigo meu, o ‘Jardim das Delícias’, mesmo. Crianças não pedem nas esquinas, têm o que comer e estão na escola, que aliás, é de ótima qualidade; idosos são tratados com respeito e ternura; índios não vendem bugigangas nas esquinas com seus filhos pendurados; negros são tratados de forma equalitária; homossexuais, lésbicas, bissexuais não são espancados ou enxovalhados pelas ruas, inclusive e principalmente por aqueles que mais deveriam protegê-los; travestis e transexuais não são assassinadas… Sem falar nas mulheres, ciganos, quilombolas, povos de terreiro… Devemos mencionar o ‘saracoteio’ dos políticos em suas políticas de ar-condicionado e o descaso do governo? A lista é grande, mas isso tudo é normal, choca mesmo é o amor homoafetivo. Santa Catarina é motivo de chacota no cenário nacional no que concerne a política de direitos humanos. A Conferência Nacional de Direitos Humanos está na 11ª edição e Santa Catarina sequer teve uma OCnferência Estadual de Direitos Humanos oficial. Santa e Bela Catarina, já dizia a Santur.
Criciúma? O que dizer de Criciúma depois desse 19 de agosto? “Criciúma se preocupa com a sua gente, com a sua população e moral”, foi dito na tribuna por algum dos vereadores. Por um instante esqueci de que o segmento LGBTT não é gente, pra quê Direitos Humanos? O segmento não vota porque a urna eletrônica seleciona o eleitor por orientação sexual e identidade de gênero.
São 2h e 40m de 20 de agosto de 2008. Juntei moedas para pegar o ônibus para Florianópolis, a fim de colaborar com a execução da Conferência Estadual de Direitos Humanos, a qual faço parte da comissão organizadora. Realmente, ‘quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida’. Do jeito que meu coração está, em pedaços, nem Milton me consola. Me perdoa, filho. Pobres de nós, mães, que muitas vezes insistimos em fazer promessas que nem sempre podemos cumprir.
Rita Guimarães
Psicóloga – Deusas da Noite (Associação da MCLGBTT-Movimento Catarinense de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Trasnsexuais.
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Precisão, técnica e habilidade. Uma combinação de saltos incríveis com boas entradas para não espirrar muita água. Notas sempre entre oito e nove, chegando à máxima de 10. Foi assim que o jovem australiano de apenas 20 anos, Matthew Mitcham, único atleta homossexual assumido nas Olimpíadas, realizou seu grande sonho e levou para casa a medalha de ouro.

Quando estava olhando esta lista cheguei a ficar impressionado com a quantidade de buscas envolvendo as palavras “sexo” e “travesti” que trouxeram visitantes para cá. Normal, afinal o blog se propõe a falar sobre coisas que são consideradas por alguns como fetiches.
Lí essa notícia em uns três canais diferentes (tenho os links 
Não basta ser lindo! Ou talvez, esta notícia tem a ver com o post anterior, 

