Ser jornalista deve ser uma profissão muito difícil. Ser jornalista em um segmento voltado ao público gay, mais ainda. Além das dificuldades diárias em conseguir pautas decentes e alimentar uma publicação (jornal, revista, site, etc.) corre-se o grande risco das repostas obtidas por essa “parcela” da população que se auto proclama “informada e atuante”. Trocando em miúdos… haja paciência para tanta cobrança.

Eu costumo ler notícias sobre o universo GLBTT em dois canais de comunicação: o site da revista ACapa e o site do MixBrasil. Ambos os espaços têm, além das notícias normais, blogs de vários jornalistas e pessoas interessantes. Hoje estava lendo no blog do Sérgio di Pietro Jr uma postagem intitulada A X-Fobia, onde ele questiona um pouco algo em que veio batendo na tecla aqui neste espaço: o respeito à diversidade.

É inconcebível que um seguimento da população que sempre foi marginalizado e preconceituado realize estas mesmas práticas dentro de seu “gueto”! Ou seja, lá fora lutamos pela diversidade e pela aceitação da maioria, aqui dentro temos a necessidade de enfiar cada indivíduo em um quadradinho classificatório. E “ai” de você se quiser transitar por “classes” diferentes. Barbies serão barbies eternamente, os pseudo-discretos não se misturam com as pocs e “é” assim! Quem gosta de bate-cabelo só pode ouvir isso e se quiser ser moderninho não pode ir a qualquer lugar não. Haja paciência.

“É triste ver que a humanidade é tão burra e bairrista. Brigam e se ofendem por religião, orientação sexual e até estilo musical.”

Por outro lado, ainda percebo que existe uma certa necessidade de que tudo vire polêmica para “ganhar a audiência”. Já está enchendo o saco que todo e qualquer slogan de uma marca mundial seja acusado de homofóbico. E a prática de “espreme que sai sangue” já foi globalizada e é utilizada nas redações GLBTT.

Um exemplo claro é a matéria (também de ACapa) intitulada Travesti ganha na justiça guarda de gêmeos. Ou a matéria está mal escrita ou quem colocou o título foi bastante mal-intencionado. De qualquer forma, há um equívoco.

A matéria diz:

Por determinação da justiça, Bruna recebeu há cerca de 20 dias um casal de gêmeos. Isso porque o casal se inscreveu no programa Família Acolhedora, da prefeitura do Rio. (…) O projeto funciona da seguinte maneira: as famílias que nele se inscrevem recebem temporariamente (…) Marcelo Garcia, secretário Municipal de Assistência Social, disse que a aprovação do casal no programa pela Justiça é uma mostra de que a sociedade passa a entender que existe hoje novos tipos de família (…).

Pois bem, parece ter ficado claro que a família (formada por um homem e uma travesti) se “inscreveu” no projeto e foi aceita para participar do mesmo. Certo? Oras, ao utilizar o título citado acima, parece haver a vontade de criar uma polêmica. O título dá a entender que a travesti teve que entrar com uma ação para “ganhar” o direito de ter a guarda das crianças. E, pelo jeito, isso não parece ser correto. Volto a afirmar: ou a matéria está mal escrita ou o título foi mal escolhido.

De qualquer forma, aqui estou eu: mais um pra cobrar postura dos jornalistas. Ser jornalista deve ser uma profissão muito difícil.

Filed under: Indicando!,Pensando! | Tags: , , , | Max Reinert | July 27, 2008 Comments (1)

1 Comment

  1. Sobre notícias, títulos e rótulos | No Ghetto…

    Notícias em sites GLBTT ainda reforçam a tese de que tudo tem que ser polêmica quando se trata de sexualidade. Haja paciência!…

    Trackback by Max via Rec6 — July 27, 2008 @ 6:01 pm

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