Eu sei, você sabe, todo mundo sabe. Eu faço, você faz (se quiser) e todo mundo pode fazer! Eu li, você leu, todo mundo lê… e tudo está bem… mas É PROIBIDO FALAR! E essas poucas linhas resumem o que no exército dos Estados Unidos é conhecido como a política do “don’t ask, don’t tell”. Não pergunte, não fale. E é mais ou menos isso que está acontecendo no caso brasileiro, afinal a hipocrisia não é exclusividade estadunidense!
Todos sabem que existem gays que servem nas forças armadas sejam elas brasileiras ou de qualquer outro país, assim como existem gays advogados, padeiros, lixeiros, lutadores, jogadores de futebol e qualquer outra profissão que você imaginar e quiser colocar aqui. Atenção: eu disse “qualquer”!!!!
É fato, existem gays no mundo!!!
É fato, a maioria das pessoas não se importa com isso!!!
É fato, desde que não tenham que saber!!!
Eu sinceramente não entendo porque faz tanta diferença para algumas pessoas se o vizinho é gay. Se o colega de trabalho é gay. Se o presidente é gay! Ninguém vai obrigar você a fazer sexo com um gay. Assédio sexual não discrimina. Estupro não discrima. Se alguém lhe forçar a fazer sexo, isso constitui crime, não importa a orientação sexual.
E também é crime a homofobia! Se uma pessoa é discriminada por sua opção sexual deveria ter os mesmos direitos que qualquer outra pessoa que é vítima de outro crime. Os sargentos do exército Fernando Alcântara de Figueiredo e Laci Marinho de Araújo não deveriam estar presos. Deveriam estar realizando seu trabalho.
ÿ fato: existem duas formas de você julgar (ou avaliar… ou pensar sobre…) uma obra de arte: “levando em conta ao que ele se propõe” ou “discutindo a partir do que você gostaria que ela fosse”!
Pois bem, se você quiser assistir a Across the Universe como um filme qualquer que se utiliza de uma linguagem realista, prepare-se para uma decepção. A história tem momentos fracos e alguns personagens que entram e saem da trama sem dizer à que vieram. Alguns momentos um pouquinho arrastados e uma certa falta de sentido.
Agora, se você se entregar ao delírio visual de corpo e alma, com certeza vai desfrutar de um banho de estímulos para o corpo e para a mente no filme de Julie Taymor (diretora do também belíssimo Frida). Não há como não se render à trilha sonora embalada por sucessos dos Beatles e ao desbunde estético que o filme proporciona. Com uma fotografia colorida, excessiva e criativa sem nunca cair no mal gosto, o musical cria momentos que ficam gravados em nossa mente.
Evan Rachel Wood, Jim Sturgess (o casal protagonista), Joe Anderson (o irmão irresponsável da mocinha), Dana Fuchs e Martin Luther (o casal de cantores) nos conduzem por uma viagem ambientada nos anos 60, onde o contexto histórico é só “contexto histórico”… Resumindo, a história é simples. Uma história de amor (mais uma!) que passa por todos os clichês do cinemão, só que de forma um pouco mais psicodélica do que o costume. As coreografias são bem realizadas e os atores cantam bem, além de serem extremamente cativantes. Resultado: lá está você torcendo para que tudo termine bem.
E se isso não é bom cinema, então eu não sei o que é!
Minha amiga Sam é uma informante nata (hehehehe)… tudo que ela acha pela web que acredita que vá interessar à algum parceiro, ela imediatamente repassa! Generosidade assim é rara nestes tempos que vivemos… assim como é raro ver alguém falar sobre o amor dessa forma:
Sendo assim, concluo que a sociedade não está preparada para o amor. O verdadeiro Amor, tal como ele foi concebido, incondicional, puro e sem fronteiras, livre de preconceitos. Quem foi que determinou que o Amor estabelece conceitos? Os conceitos são criados pelo próprio homem, mas o amor, quando ele tem que vir, vem devastando tudo e se instalando. E que fodam-se as regras pré-estabelecidas e limitadas, ele não enxerga esses detalhes e vai além, independente de sexo, raça, classe e outros conceitos que muitas vezes são usados para tentar impedir que ele se manifeste. Ele ultrapassa tudo isso.
Pois é… este trecho faz parte de um texto escrito pelo Nando Damazio falando (ainda!) sobre a polêmica do beijo que não foi ao ar. Como estou sem paciência para escrever sobre o assunto, deixo o link aqui para quem se interessar em ler e debater… os comentários por lá estão bastante animados!
*Update… a Sam também escreveu sobre esse tema… leia aqui!