Antes de mais nada vamos deixar claro uma coisa: Sou fã de Tim Burton e de Johnny Depp! Gosto da maneira como eles criam universos fantásticos onde, embora exagerado, tudo é crível e apaixonante. Gosto da maneira como equilibram o humor negro e a tragédia. Gosto como suas histórias melodramáticas nos levam para finais extremamentes previsíveis e emocionantes. Gosto da maioria dos filmes que fizeram juntos e sou apaixonado por Edward Mãos-de-Tesoura.

Cartaz em português!Eis que acabo de assistir “Sweeney Todd, o barbeiro demoníaco da Rua Fleet“, a mais nova realização da dupla! Um musical que mantém as principais características do trabalho de ambos: a direção de arte gótica e impecável (assinada por Dante Ferretti), a música marcante e melodramática e as interpretações sempre no tom correto (para um filme do Burton!).

E daí? O que quero dizer com isso? Com todo esse prefácio? Simples. Não estarei sendo indelicado ao dizer que o filme não me agradou. ÿ um bom filme? ÿ! ÿ bem feito? ÿ!! Mas, não sei se foram as músicas… não sei se foi a história. Simplesmente, não sei! Saí do cinema pouquíssimo empolgado. Não é o tipo de filme que me faz escrever algo apaixonado e indicar para todos dizendo que é imperdível.

Mas, vamos por partes:

Helena arrasa!Um dos aspectos positivos é a atuação. Johnny Deep é sempre um show a parte e sua indicação ao Oscar é mais do que merecida. Outros destaques que merecem menção são Helena Bonham Carter, Thimoty Spall e a pequena participação de luxo de Sacha Baron Cohen (impagável!). Ao mesmo tempo, a interpretação de Alan Rickman repete o que ele faz em Harry Potter (sem a peruca!) e o casalzinho apaixonado chega a ser entediante!

Outro aspecto positivo é a qualidade vocal dos intérpretes. Sim, eles cantam e razoávelmente bem… mas, é uma pena que a versão para o cinema ainda conserve o peso de ser um musical da Broadway. As músicas, no todo, são meio lineares e o filme não consegue ter nenhum ápice memorável. Assim, entre uma música e outra vamos tentando erguer o filme e, quando estamos quase podendo ver uma ação mais intensa, caimos novamente na mesmice dos recitativos operísticos.

Sacha é um dos destaques do filme!E assim chegamos ao ponto menos interessante da realização, na minha opinião! O filme transborda em sangue. Um sangue a lá Tarantino e com bastante cara de desenho animado. Até aí, tudo bem… mas o diretor acaba pesando a mão na violência e na reiteração das cenas de morte. Ora, se o musical, em muitos momentos, é deliciosamente irônico, porque colocar essa dose de “realidade cruel” em cena? As seguidas mortes acabam por diminuir o impacto de outros aspectos do filme, principalmente no que diz respeito ao canibalismo. Essa violência excessiva anestesia aos poucos a platéia e quando um novo cadáver cai de cabeça no chão só nos limitamos a colocar mais um na conta do Papa.

Eu, que não gosto muito de concordar com as indicações do Oscar, sou obrigado a dar a mão à palmatória: Johnny Deep e a direção de arte ainda são os dois maiores trunfos do filme… e eles, sozinhos, já valem o ingresso!

Filed under: NossaVia | Tags: , , , , | Max Reinert | February 15, 2008 Comments (3)

Powered by WordPress | Design by Roy Tanck
SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline BlogBlogs.Com.Br