Não posso dizer que sou um cinéfilo! Gosto de cinema, mas não sou daqueles que vêem três ou quatro filmes por semana. Quando penso algo sobre cinema faço-o sempre pelo viés da interpretação dos atores e também pela qualidade da obra de arte que está sendo apresentada. Ultimamente, por causa do trabalho e estudo, tenho ido muito pouco à sala de cinema, onde os filmes ganham sabor especial e são exibidos no seu verdadeiro formato. Cinema é para ser visto assim, com ritual e, se você tiver vontade, comendo pipoca.

Cartaz do Filme original em francêsPor sugestão de um amigo que já havia visto anteriormente e praticamente arrastado pela atriz com a qual trabalho, fui ontem assistir Piaf – Hino ao Amor (La Môme no original e sem o sub-título completamente dispensável!).

Assim como Luiz Carlos Merten disse em seu Blog, saí completamente tocado do cinema. Piaf tem todas as características que uma obra de arte precisa possuir: Uma história poderosa, a carreira de uma estrela talentosíssima que teve uma vida difícil (mesmo!!!), realizada por uma direção criativa e sutil (que poderia transformar o filme num melodrama insuportável), amparada pela atuação brilhante da atriz Marion Cotillard e por um elenco de apoio competente.

Tecnicamente o filme também esbanja qualidades: direção de arte belíssima, roteiro impecável que não cai na armadilha de tentar contar “toda” a história da cantora e uma trilha sonora (como já era de se esperar neste caso!) deslumbrante (tem até Fascinação tocando num determinado momento do filme).

Versão americana do Cartaz, que recebeu o t?tulo de La Vie en Rose! A direção (de Olivier Dahan) opta por não realizar o filme cronologicamente e vai mostrando (de maneira fragmentada e paralela) a ascensão (artística) e a queda (física) da “pequena” Piaf. Uma cantora que durante muito tempo foi a tradução mais completa do “amor”, da “dor” e, às vezes, de ambas as coisas misturadas.

E talvez isto explique porque ouvimos falar tão pouco deste filme. Piaf não é um filme com muita ação e pouco conteúdo. Piaf não fala de coisas banais. Piaf não tem apelo sexual. Não tem bombas e nem piadas escatológicas. Piaf fala da dor, das buscas pessoais, das faltas. Piaf fala das coisas que fazemos e das que deixamos de fazer. ÿ um filme duro e ao mesmo tempo cheio de entrelinhas.

Aqui em Florianópolis o filme realizou poucas sessões em horários estranhos (no meio da tarde e a última da noite), espero que em outras cidades as pessoas tenham mais sorte de se encontrar com ele. O público? Não era muito numeroso. Mas era possível perceber que saía do cinema completamente diferente do que entrou. Se não havia mudado nada “interiormente”, pelo menos o olho vermelho deixava claro que haviam se emocionado.

Se ainda não conhece o filme veja o trailer aqui e “verdadeira” Piaf cantando “Non, je ne regrette rien“.

Filed under: NossaVia | Tags: , , , | Max Reinert | November 16, 2007 Comments (2)

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