Se a arte imita a vida, podemos nos considerar chegando a um lugar muito, mas muito escuro mesmo! Ou não!Nos últimos anos, o cinema tem se debruçado sobre um tema que aparece, volta e meia, como os surtos, de maneira forte e consistente, nos roteiros de seus filmes. A esquizofrenia tem sido retratada em vários filmes produzidos em Hollywood. Algumas vezes vista como apenas como um ponto de partida, outras como o motor que alimenta o filme, outras ainda como um processo irreversível pelo qual humanidade atravessa.
Caracterizada pela fragmentação da personalidade, é uma doença crônica que se caracteriza por distúrbios de pensamento, com idéias de perseguição e perda das conexões lógicas. As classificações modernas, como o DSM-IV (Diagnostical and Statistical Manual of Mental Disorders) levam em conta tanto as manifestações das fases ativas, como sua fase crônica com progressiva deteriorização mental como critérios para definir a esquizofrenia. No DSM-IV a esquizofrenia é definida nas suas características essenciais com presença de sintomas psicóticos (delírios, alucinações, dissociação do pensamento, comportamento catatônico, afetividade embotada).
Passada esta “apresentação” (corrijam-me se cometi algum equívoco), voltemos nosso foco para alguns filmes que apresentam personagens com algumas dessas características:

Uma Mente Brilhante
(A Beautiful Mind, 2001, Ron Howard): Adaptação da biografia do matemático John Forbes Nash Jr, da escritora Sylvia Nasser, o filme retrata um caso clássico de esquizofrenia, interpretado brilhantemente por Russel Crowe. A luta entre a genialidade do personagem e sua convivência com a doença, chegando a ser internado em várias instituições psiquiátricas, até o momento em que recebe o prêmio Nobel de Economia, em 1994. Filme com muitas lágrimas, mas que vale a pena ser visto, com certeza!
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Clube da Luta
(Fight Club, 1999, David Fincher): Se o anterior tratava da esquizofrenia de um personagem, este aqui trata da esquizofrenia de uma nação e até da humanidade. Edward Norton interpreta um yuppie que trabalha como investigador de seguros. Com a explosão misteriosa de seu apartamento, ele vai morar com um cara que havia acabado de conhecer durante um vôo (Brad Pitt). Juntos eles criam o clube que dá nome ao filme onde as pessoas se encontram para lutar e colocar à prova seus instintos animalescos. Com o tempo o clube vira uma febre nacional, transformando-se em algo muito maior do que se pensava no início. Qualquer outra palavra sobre esse filme pode estragar a sucessão de surpresas e pavor que ele nos causa, até chegar ao final apoteótico!
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Número 23
(The Number 23, 2007, Joel Schumacher): Fale o que quiserem, eu gosto do Jim Carrey! Acho que muito do pouco sucesso deste filme foi mais por preconceito do que pela qualidade do mesmo! Nele, Jim é um pacato pai de família que ganha um livro de presente de sua esposa. O livro parece narrar sua vida e descreve milhões de situações ligadas ao número 23 do título. Fragmentação de personalidade é o mínimo que se pode dizer e o máximo que posso escrever para não estragar a sessão completamente. Mas, mesmo que você não se identifique com o ator, ainda resta uma belíssima direção de arte, a história dentro da história e um quebra-cabeças para ser desmontado. Se você não acha que cinema possa ser um lugar pra pensar um pouco, nem perca seu tempo.
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O Segredo de NeverWas
(Neverwas, 2005, Joshua Michael Stern) : Um filme que praticamente passou despercebido e que oferece uma experiência única para quem o assiste. A pergunta principal: Por que não a esquizofrenia como uma saída? Vamos à história: um psiquiatra (Aaron Eckhart) volta para trabalhar na clínica onde seu pai, que era escritor, esteve internado, com transtorno bipolar. Lá encontra um homem que se auto-intitula o Rei de NeverWas (brilhantemente interpretado por Ian Mckellen), que por sua vez é um dos personagens do livro de seu pai. As linhas entre o que é real e o que é imaginário vão se estreitando cada vez mais e mais palavras podem estragar a diversão. Ao contrário dos filmes anteriores NeverWas surpreende pela delicadeza e pela mensagem positiva.
*Publicado originalmente na primeira versão do blog NossaVia.